"A transformação do setor depende de políticas públicas, iniciativas empresariais e mudanças estruturais para garantir equidade e inclusão", diz Flávia (Vanessa Rodrigues/ AT) Em um setor historicamente dominado por homens, mulheres estão cada vez mais abrindo caminhos e conquistando espaço no universo portuário e aquaviário. Em entrevista para A Tribuna, a diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Flavia Takafashi, apresentou os principais desafios enfrentados por elas, como a desigualdade de oportunidades e os estereótipos ainda presentes. Flavia aponta as ações que vêm sendo implementadas para reverter esse cenário, como o curso internacional de capacitação, a criação da assistente virtual Iara e o lançamento do Guia de Enfrentamento ao Assédio. O bate-papo também revela dados alarmantes sobre a baixa presença feminina em áreas operacionais, mas aponta caminhos promissores, como o fortalecimento de competências e políticas de diversidade. Conheça as iniciativas que estão transformando o setor e inspire-se com os conselhos para jovens que desejam navegar por essa carreira desafiadora e cheia de oportunidades. Quais são os principais desafios enfrentados pelas mulheres que desejam atuar no setor portuário e aquaviário? Apesar do crescimento gradual, persistem desafios como estereótipos culturais, desigualdade de oportunidades e infraestrutura inadequada. A transformação do setor depende de políticas públicas, iniciativas empresariais e mudanças estruturais para garantir equidade e inclusão. Quais iniciativas a Antaq tem promovido ou apoiado para incentivar a participação das mulheres no setor? Com o objetivo de fortalecer a presença feminina no setor aquaviário e marítimo, a Antaq tem implementado iniciativas que promovem inclusão e equidade. Desde 2008, a Agência oferece anualmente, em Le Havre, na França, o Curso de Gestão Portuária voltado exclusivamente para mulheres, contribuindo para a qualificação e liderança feminina no setor. Outra ação de destaque é a criação da assistente virtual Iara, desenvolvida para acolher e orientar vítimas de assédio, promovendo um ambiente mais seguro e acolhedor. Em 2024, a Antaq também lançou o Guia de Enfrentamento ao Assédio no Setor Aquaviário, um manual de boas práticas voltado à prevenção e combate ao assédio contra mulheres que atuam nos portos e na navegação brasileira. A iniciativa busca impulsionar a adoção de protocolos eficazes, fortalecendo não apenas o setor, mas também contribuindo para o desenvolvimento sustentável do País. Em novembro de 2024 criamos o primeiro comitê de liderança feminina na Antaq com participação de líderes femininas de diversos setores. Como a diversidade de gênero pode contribuir para a inovação e o desenvolvimento do setor portuário? A diversidade de gênero não só amplia a força de trabalho, como impulsiona a inovação tecnológica, atrai investimentos sustentáveis e fortalece a governança corporativa. Iniciativas como o Comitê-Geral de Gênero e Diversidade, criado em novembro de 2024 pela Antaq, promovem políticas para integrar equidade nas operações portuárias, como o Guia de Enfrentamento ao Assédio. Quais políticas públicas seriam importantes para fortalecer a inclusão feminina no ambiente portuário e aquaviário? A sistematização da Pesquisa de Equidade é, por si só, uma política fundamental para promover a equidade no setor aquaviário. Com base nos dados coletados, é possível identificar com mais precisão as áreas prioritárias de atuação, seja para fomentar programas de capacitação, investir em infraestrutura adequada e moderna ou lançar campanhas educativas de combate ao assédio. “Há amplo espaço ao protagonismo e ao avanço das mulheres no setor”, diz Flávia Takafashi (Vanessa Rodrigues/AT) Existe uma rede ou movimento entre mulheres do setor para apoio mútuo e fortalecimento da atuação feminina? Como citei anteriormente, em novembro de 2024, lançamos o Comitê-Geral de Gênero e Diversidade, com o objetivo de fomentar debates e desenvolver ações concretas para promover diversidade, equidade e inclusão no setor portuário e marítimo. A iniciativa busca incorporar esses valores tanto nas políticas institucionais da Antaq quanto nas práticas do setor regulado. Que conselho você daria para jovens mulheres que pensam em seguir carreira neste segmento? O setor aquaviário oferece diversas oportunidades de carreira, incluindo áreas executivas, técnicas e de consultoria. Em constante crescimento, o setor demanda profissionais em múltiplas frentes. Embora ainda seja necessário avançar na participação feminina e na busca por equidade, há amplo espaço ao protagonismo e ao avanço das mulheres no setor. Como garantir que a inserção das mulheres não se limite a cargos administrativos, mas também alcance posições técnicas e de liderança? Fortalecer competências operacionais ou comerciais. São os dois pilares para amplo desenvolvimento empresarial. Quais os próximos passos para tornar o setor mais igualitário e acolhedor para todos os gêneros? Continuidade dos projetos. A cadência e o escalonamento são fundamentais. Quais foram os dados mais surpreendentes e preocupantes revelados pela 2ª edição da pesquisa sobre a presença feminina no setor portuário e aquaviário? Nas funções de manuseio de cargas e operações portuárias, a participação feminina é muito menor, de apenas 1,2% em 2023. Não que o dado surpreenda, porque sempre foi baixo, mas realça a necessidade de modernização e automação dos portos e acesso a treinamento, especialmente de forças de trabalho femininas. De que forma o projeto Mulheres a Bordo, do Grupo Tribuna, pode contribuir para consolidar uma cultura de equidade duradoura no setor? Dando luz à importância e ao impacto da igualdade para o desenvolvimento econômico do país. Mulheres estudam três vezes mais que homens. Buscam desenvolvimento de competências técnicas para se colocar em cargos de gestão. Ou seja, entender a importância da diversidade e inclusão é o que fará uma empresa se tornar perene e sustentável.