Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico (A140) (Alexsander Ferraz/AT) A passagem do Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico (A140) pelo Porto de Santos no início de julho foi além de uma atração aos visitantes, pois a bordo havia 250 alunos em formação para se tornarem oficiais de Marinha Mercante, ou seja, profissionais que vão atuar em navios de carga. Durante a visita ao maior porto do Hemisfério Sul, eles puderam viver, na prática, situações que aprenderam durante as aulas. Essa etapa faz parte do método utilizado na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), que exige quatro anos de aprendizado. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A Efomm possui duas unidades no Brasil: os centros de instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga), no Rio de Janeiro, e Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), em Belém, no Pará. Segundo o comandante do Corpo de Alunos do Ciaga, Celso José Machado, o curso tem três anos de instruções militares, em conjunto com a formação acadêmica. Após esse período, os alunos cumprem um ano de estágio em empresas de navegação, como oficiais da reserva. Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico (A140) (Alexsander Ferraz/AT) Os três primeiros anos, explica o comandante, são realizados em regime de internato no centro de instrução. Durante esse período, os alunos têm disciplinas teóricas, como Navegação, Máquina, Eletrônica, Inglês Técnico e Legislação Marítima, além de práticas com simulações em laboratório, exercícios no mar e treinamento militar-naval. “Após o terceiro ano, é realizado o estágio embarcado em navios mercantes, onde o aluno aplica os conhecimentos adquiridos, na prática da profissão”, diz Machado. Maior navio da Marinha do Brasil, o A140 foi construído na Inglaterra e adquirido pelo Brasil em 2018. A embarcação possui 203,4 metros de comprimento e 34 metros de largura. Armazena caminhões e helicópteros e recebe os alunos do curso de formação (FILIPE BISPO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO) Depois da conclusão do curso e do estágio embarcado, o aluno recebe o título de bacharel em Ciências Náuticas e é declarado 2º oficial de Náutica ou de Máquinas da Marinha Mercante, conforme a área de formação. “Ele sai pronto para trabalhar em navios mercantes de bandeira brasileira ou estrangeira, podendo atuar também em empresas de logística, plataformas offshore, portos, órgãos governamentais e agências reguladoras. São rapidamente absorvidos pelo mercado, dada a qualidade da formação”, afirma Machado. Novas turmas são formadas anualmente. Para ingressar no curso é necessário ser aprovado em um concurso público, que exige Ensino Médio completo e idades entre 17 e 23 anos, além de aprovação em exames físicos e médicos. Informações sobre as inscrições podem ser acessadas no link. Sonho e orgulho com a profissão No Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga), da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), no Rio de Janeiro, há atualmente 517 alunos em formação, do 1º ano. É o caso de Maria Eduarda Rodrigues Menendes Hespanhol, de 22 anos, que está no 3º ano de aprendizado na área de Máquinas. “Busquei uma profissão que me tirasse da zona de conforto e me desafiasse a ser sempre minha melhor versão. Quando descobri a Efomm, percebi que essa seria a oportunidade de alavancar minha carreira profissional”. Maria Eduarda seguiu o caminho da Marinha Mercante por conta do papel que o setor desempenha na economia global e na vida das pessoas, transportando produtos e insumos em navios cargueiros. Maria Eduarda seguiu o caminho da Marinha Mercante por conta do papel que o setor desempenha na economia global e na vida das pessoas (Divulgação) “Espero me formar, realizar o período de praticagem, nosso estágio embarcado, me tornar oficial e continuar evoluindo constantemente. Meu sonho é ser realizada na minha profissão, alcançar cargos de liderança, inspirar e ajudar futuros mercantes no início da profissão”. Ela se interessou pela profissão quando estava no Ensino Médio. Pesquisou mais sobre a carreira e descobriu o universo marítimo e todas as oportunidades e portas que ele poderia abrir. “Desde que entrei na Efomm, tem sido uma constante evolução. Me tornei uma pessoa diferente, profissionalmente também mudei”. Vocação Também no 3º ano de formação, Igor Carvalho Mury, de 21 anos, conta que decidiu se tornar oficial de Marinha Mercante por conta da família. “A razão principal foi dar orgulho para os meus familiares, por ser algo desafiador e diferente. Mas também gostaria muito de trabalhar no mar e conhecer o mundo, além de poder ajudar os meus pais financeiramente no futuro. É uma profissão muito importante para o País”. O grande objetivo de Igor ser comandante de navio. Para isso, em seu 1º ano, escolheu se especializar em Náutica. “No momento, meu sonho é comandar com excelência um navio da Marinha Mercante. Espero enfrentar desafios, dificuldades e também novas experiências, pois essa foi a maneira que utilizei ao longo da vida para poder crescer profissionalmente e pessoalmente”. Igor Mury quer dar orgulho para a família com a profissão que escolheu. Ele sonha em ser comandante de navio mercante (Divulgação) O oficial em formação elogiou o conteúdo que vem recebendo na Efomm, que considera fundamental para a carreira a bordo. “As aulas são excelentes. Muitos professores são oficiais da Marinha Mercante, o que enriquece muito o conteúdo. Além disso, nós somos sempre estimulados a participar e a tirar as nossas dúvidas”. Ele cita, ainda, momentos especiais em que teve a oportunidade de embarcar em diversos navios da Marinha do Brasil e colocar na prática os conhecimentos teóricos. “Também vale mencionar as diversas palestras em que os alunos participam durante o ano acadêmico, enriquecendo ainda mais o nosso conhecimento profissional”. Porto de Santos Durante o primeiro ano de formação de Igor e Maria, em 2023, ele participaram da comissão Mercantex, um treinamento prático feito pelos alunos a bordo de navios como o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) Atlântico (A140). A embarcação militar esteve no Porto de Santos em julho deste ano, além de anos anteriores, sempre aberto para visitação gratuita da população e atraindo grande público. Neste ano, havia 250 alunos a bordo. Segundo o comandante Celso José Machado, o cais santista foi escolhido como parada aos alunos por sua importância estratégica e econômica, sendo o maior porto do Hemisfério Sul. Comandante Celso José Machado afirma que Porto de Santos é escolhido como parada aos alunos por sua importância estratégica e econômica (Divulgação) “A visita proporciona aos alunos uma experiência prática de campo onde eles podem observar de perto as operações portuárias, embarcações comerciais, e a interface logística entre mar e terra. Além disso, é uma oportunidade de estreitar laços institucionais com autoridades locais, e empresas do setor marítimo”. Além disso, o comandante afirma que a “atracação buscou aproximar os futuros oficiais de Náutica e de Máquinas das atividades portuárias do Porto de Santos, servindo inclusive, de modelo de estudos para conclusão de seus cursos de formação”.