Pedro Amorim palestrou no 3º Intrerlog Summit, que faz parte da 29ª edição da Intermodal South América, no Anhembi em São Paulo (Sílvio Luiz/AT) A democratização da Inteligência Artificial (IA) entre os portos brasileiros é o principal desafio do setor envolvendo o tema, segundo Pedro Amorim, professor e pesquisador da Universidade do Porto, em Portugal, e do Insper. Ele também é co-fundador da LTPlabs, empresa que presta serviços de gestão de logística por meio de IA. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Os portos são um bom exemplo da aplicação de IA nas suas diferentes facetas. Já trabalhei com alguns dos maiores portos brasileiros, que não posso dizer quais foram pois, em sua maioria são portos privados, e, por exemplo, todo o escalonamento de vagões e até da própria entrada de barcos já é feita com algoritmos de IA muito sofisticados. Há também a própria simulação da carga no porto e das operações, que em muitos casos já acontece”, detalha. “Fiquei muito impressionado, na verdade, com toda a analítica que há por trás de todas as operações, tanto a bordo como fora, enfim, de tudo, ao nível do que se melhor vê no mundo”, completa. Amorim palestrou ontem no 3o Interlog Summit, realizado dentro da 29a edição da Intermodal South América, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O tema foi Como a IA está transformando a gestão da cadeia de suprimentos. O que vem por aí? Ele também participou, na sequência, de um dos painéis do evento, IA: Construindo modelos inovadores de logística e redes de suprimentos de alta performance. O evento termina hoje. As dimensões completamente diferentes dos portos brasileiros entre si fazem com que as realidades sejam igualmente distintas na IA, na visão de Amorim. “Temos o de Santos, que é o maior e que conheci apenas como visitante, e portos muito menores. E o que me parece é que realmente ainda não temos uma democratização desta tecnologia. Ou seja, nos portos grandes, eles estão bem equipados e com a tomada de decisão bem trabalhada. Quando descemos para portos de menor dimensão, claramente as preocupações são outras e a tecnologia não chegou lá da mesma forma”, analisa. A realidade brasileira envolvendo tecnologia, de acordo com o professor e pesquisador, também se repete na Europa, embora os portos sejam de dimensões mais parecidas - e menores. “E isso faz com que fique mais nivelado, diferentemente do Brasil. E acho que esse é um desafio, sinceramente, não só nos portos, mas na aplicação do IA como um todo. Grandes organizações usam essa tecnologia, mas quando depois descemos àquilo que é o tecido empresarial como um todo, fica muito distante essa utilização”, afirma. Os portos também têm liderado quando o assunto é desenvolvimento contra ataques cibernéticos, lembra Amorim. "Eu acho que esse é um jogo do gato e do rato porque você tem sempre alguém tentando furar o sistema e outra pessoa a procurar o sistema. Portanto, é das áreas, que na verdade, que muitas vezes têm liderado tudo o que são desenvolvimentos de IA. Quem está à frente das defesas de ataques cibernéticos tem um trabalho cada vez mais difícil. E a IA Generativa (tipo de IA que se dedica a criar novo conteúdo, como textos, imagens, áudios e vídeos, aprendendo com grandes volumes de dados para gerar conteúdo original) tem aqui um desafio. E aí voltamos ao gato e ao rato e ver como cada vez mais circundamos mais ou conseguimos contra-atacar se quisermos superar esta dificuldade", explica. Alfândega e fertilidade brasileira O setor alfandegário é o que Pedro Amorim enxerga como necessário para aplicação da IA e que, na visão dele, ainda não tem feito totalmente a lição de casa. “Se nas operações os portos têm feito um trabalho interessantíssimo relativo à IA, a componente burocrática ligada à gestão das aduanas e todo esse tema, aí a coisa muda de figura. Acho que há muitos avanços interessantes. E aí, mais uma vez, a IA Generativa, pela capacidade de trabalhar e reproduzir texto, tem aqui cartas para dar, mas eu acho que é, claramente, uma área de aposta dos portos nos próximos tempos”, comenta. O Brasil, segundo o professor e pesquisador, é um campo fértil para que se invista em IA. “Com certeza. Pela dimensão, pela relevância da logística no Produto Interno Bruto (PIB), pela quantidade de exportação de soja e, enfim, de todos esses materiais que o País tem e que, provavelmente, outros poucos países no mundo possuem. Portanto, se há lugar para se investir nesses temas é o Brasil”.