Mais de 50% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escalas, o que fez com que 1.859 contêineres por mês não fossem embarcados (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) A exportação de café do Brasil caiu 20,6% em 2025, em comparação com o ano anterior. Foram 40,049 milhões de sacas de 60 kg enviadas ao exterior no ano passado, contra 50,443 milhões em 2024. Apesar da queda em volume, a receita cambial, de US\$ 15,586 bilhões, foi recorde anual, com crescimento de 24,1%. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Os dados foram divulgados em relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), na segunda-feira. O presidente da entidade, Márcio Ferreira, comenta que a diminuição no número de sacas exportadas já era aguardada em 2025, principalmente após os embarques recordes registrados um ano antes. “Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no País. E a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, explica. Ele acrescenta que outros fatores também influenciaram a performance, como as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos para importar o produto brasileiro. “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, entre o começo de agosto e o fim de novembro, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas”. Além disso, Ferreira pontua que como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio nas exportações desse produto para os Estados Unidos continua se acentuando. Logística A defasagem na infraestrutura portuária do País aumenta a lista de adversidades que os exportadores de café enfrentaram em 2025. “Apesar dos recordes de exportação anunciados pelas autoridades públicas, a falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas nos portos brasileiros gerou um prejuízo de R\$ 61,467 milhões a nossos associados no acumulado do ano passado (até novembro) devido a custos extras que são resultado do atraso e das alterações de escalas dos navios”, afirma Ferreira. De acordo com dados do Boletim Detention Zero, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escalas na média mensal de 2025 até novembro, o que fez com que 613,4 mil sacas (1.859 contêineres) por mês não conseguissem embarques para o exterior. Sobre o recorde obtido com a receita cambial, o presidente do Cecafé aponta o cenário mercadológico internacional e os constantes investimentos dos produtores brasileiros como principais motivadores. “Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores, bem-organizados, mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade, o que eleva o patamar dos cafés do Brasil e, consequentemente, o seu valor. Não à toa, somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, aponta. Principais destinos Com a aquisição de 5,409 milhões de sacas, a Alemanha assumiu a liderança entre os maiores importadores dos cafés do Brasil no ano passado, apesar de o volume implicar queda de 28,8% na comparação com 2024. Esse montante representou 13,5% de todos os embarques brasileiros no ano. Os Estados Unidos, usualmente líderes desse ranking, desceram à segunda posição, como reflexo do tarifaço. Os norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas em 2025 – 13,4% do total –, com queda de 33,9% frente aos 12 meses de 2024. Portos Santos foi o principal porto de embarque dos cafés do Brasil em 2025, com a remessa de 31,515 milhões de sacas ao exterior e representatividade de 78,7%. Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 17,7% do total ao exportar 7,092 milhões de sacas, e o Porto de Paranaguá (PR), que enviou 371.342 sacas para fora do País (0,9%). Tipos Nos 12 meses do ano passado, o café arábica foi a espécie mais exportada pelo Brasil, com 32,308 milhões de sacas enviadas ao exterior. Esse volume equivale a 80,7% do total, ainda que signifique queda de 12,8% em relação a 2024. A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 3,995 milhões de sacas (10% do total), seguida pelo setor de café solúvel, com 3,688 milhões de sacas (9,2%), e pelo segmento de café torrado e torrado e moído, com 58.474 sacas (0,1%).