Participantes do painel sobre logística estratégica e gerenciamento de risco abordaram situações da área (Vanessa Rodrigues/AT) A multimodalidade, ou seja, o transporte da carga por vários meios, e a tecnologia para controlar adequadamente os fluxos são saídas para evitar o colapso das rodovias. Em períodos de escoamento da safra agrícola, é comum o Porto de Santos sofrer com congestionamentos de caminhões. “A distribuição da matriz de transporte é a primeira coisa que pensamos. Sessenta e cinco por cento está focado no modal rodoviário. Precisamos ter informação para planejar. E um dos diferenciais buscados pela ANTT é esse, com informações atualizadas junto aos fiscos estaduais. Vamos publicar, em breve, o foco da integração desses dados tanto para o setor público quanto para o privado, para direcionar investimentos”, afirma o superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), José Aires Amaral Filho. Ele foi um dos participantes do painel Logística Estratégica e Gerenciamento de Risco: o que estamos fazendo para prevenir o colapso?, realizado dentro da 29ª edição da Intermodal South América, ontem, em São Paulo. A mediação do debate foi de Samantha Albuquerque, coordenadora da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. O superintendente também chama a atenção para a idade média dos motoristas de caminhões em meio aos longos períodos e deslocamentos para levar as cargas, e incentiva a renovação. “Por mais que tenhamos complementariedade entre os modais, a idade média dos transportadores autônomos é de 50 anos. Quando se fala de empresa, a idade média é de 45 anos. Temos que incentivar novos participantes no modal rodoviário, além do investimento na infraestrutura, que são atitudes de médio e longo prazo”, detalha. Agilidade O superintendente da ANTT, José Aires Amaral Filho, cita como fatores para desafogar o transporte o pedágio eletrônico Free Flow — em que as praças físicas são substituídas por pórticos que identificam os veículos que passam por meio de TAGs ou leitura de placas — e o sistema HS-WIM, que utiliza sensores especiais instalados no pavimento das rodovias para pesagem dos caminhões em movimento. “A grande questão que temos é a evasão. Isso traz problemas à infraestrutura e risco de inúmeros sinistros, além da concorrência desleal”, comenta Amaral. Terminais ferroviários Do lado do modal ferroviário, o analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Territorial, Rafael Mingoti, observa a necessidade de mais terminais para atender aos produtores, embora haja locais do Brasil, segundo ele, com custos mais baixos para ferrovias do que para rodovias. “Outra fronteira é a ocupação de áreas de pastagens para que produzam terminais para subir no trem.” Segundo Mingoti, houve pouca evolução nas obras demandadas pelo setor do agro para a logística e estagnação da infraestrutura em meio ao aumento da produção de grãos. “Algumas obras que foram pensadas para resolver problemas aliviaram mais para o produtor rural. Mas há regiões em que não se sabe para onde vai, o que está sendo feito. Se isso acontece, é porque há soluções ruins”, finaliza. Segurança A tecnologia embarcada no caminhão, levando em conta o interesse habitual do cliente, passa diretamente pela segurança, afirma o CEO da Michelin Connected Fleet (gestão de frotas veiculares), Lucas Mendes. “No ano passado, foram evitados em torno de 70 mil acidentes graves com o uso de câmeras de IA (Inteligência Artificial), que capturam fadiga, sonolência e distração”, exemplifica. Pilares Mendes cita quatro pilares que, na sua visão, são fundamentais no transporte: diminuir custo operacional, melhorar a prevenção de acidentes, aumentar a produtividade e manter a carga refrigerada. “Existem mais de 5 mil possibilidades de embarcar tecnologia dentro do veículo”, afirma. “Ou seja, a central de inteligência oferece dados em tempo real para tomar decisões e, da mesma forma, ajudar a aplicar esses dados. Com isso, o índice de sinistralidade de carga ou veículo tende a diminuir bastante”, emenda.