Projeto Rede de Mulheres pela Vida Marinha mobiliza até 300 integrantes de comunidades pesqueiras (Divulgação) Contratar mulheres não é apenas uma questão de promover a igualdade de gênero, mas também de incorporar novas perspectivas, habilidades e abordagens à tomada de decisão. Estudos da McKinsey & Company mostram que empresas comprometidas com a diversidade apresentam melhor desempenho financeiro. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Destacar a relevância das mulheres, independentemente da área de atuação, é uma das estratégias para enfrentar a disparidade de oportunidades no ambiente profissional. Com esse propósito, A Tribuna passa a publicar, no terceiro sábado de cada mês, a partir de hoje, a visão de uma executiva do setor portuário e aquaviário sobre a importância da inserção feminina nesse mercado. A iniciativa integra o projeto Mulheres a Bordo, lançado no mês passado durante um evento para a apresentação do estudo sobre equidade de gênero promovido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O material revelou que as mulheres são 17,8% da força de trabalho no setor. Quando se trata dos portos, historicamente dominados por homens, buscar a transformação ganha contornos mais relevantes, sobretudo ao se referir às práticas ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança). Para a gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil, Béatrice de Toledo Dupuy, a participação feminina não apenas enriquece a diversidade, mas também aprofunda o compromisso das empresas com agendas mais conectadas à realidade. “A presença feminina traz uma sensibilidade importante para temas sociais e ambientais, além de favorecer a escuta ativa, o diálogo e a empatia — elementos essenciais para uma agenda ESG sólida”, afirma. Segundo ela, ao ampliar as perspectivas dentro das corporações, as mulheres impulsionam tomadas de decisão mais conscientes e sustentáveis. “Inclusão gera valor - não só ético, mas também estratégico”, completa a executiva, que também esteve no Mulheres a Bordo, onde enfatizou como a tecnologia tem contribuído para uma maior atuação da mulher nos portos. Para Béatrice, a logística portuária e o transporte aquaviário ainda enfrentam obstáculos para garantir a participação igualitária de mulheres em áreas estratégicas. “Ainda há uma participação reduzida de mulheres nos espaços de decisão e enfrentamos barreiras estruturais que limitam a equidade”, explica. No entanto, aponta que, apesar da baixa representatividade, há avanços consistentes, especialmente quando mulheres assumem posições de liderança e se tornam referência para outras. Béatrice, da Santos Brasil: maior participação feminina é essencial (Divulgação) Investimento A própria estrutura da atividade tem evoluído, principalmente no entendimento de que sustentabilidade é investimento, e não um custo extra, analisa a gerente da Santos Brasil. “O setor vem passando por uma transformação importante. ESG deixou de ser uma pauta periférica e se tornou central nas decisões estratégicas. Observamos avanços na descarbonização, digitalização de processos e na governança”, afirma Béatrice. Dentro da Santos Brasil, a diversidade de gênero é uma prioridade na estratégia ESG. São promovidas ações contínuas de sensi-bilização, capacitação e valorização das mulheres, inclusive nas comunidades do entorno das unidades. Um exemplo é o projeto Rede de Mulheres pela Vida Marinha, desenvolvido pelo Instituto Gremar com patrocínio da empresa. Iniciada em março de 2024, a iniciativa mobiliza até 300 mulheres de comunidades pesqueiras da Baixada Santista com o objetivo de reduzir os resíduos da atividade pesqueira por meio da destinação correta e criativa desses materiais, transformando-os em produtos artesanais. O resultado é a promoção do empoderamento feminino e a ampliação das fontes de renda das famílias locais. Outro destaque é o Mãos que Transformam, projeto voltado à capaci-tação de manicures no Guarujá. Ao longo de seis meses, com aulas semanais de duas horas, as participantes têm acesso a uma grade curricular com técnicas de manicure, pedicure, extensão de unhas, além de módulos sobre o uso estratégico das redes sociais e empreendedorismo. Atualmente em sua segunda edição, ele foi criado para ampliar as oportunidades de crescimento pessoal e profissional, oferecendo habilidades práticas e valiosas para a inserção no mercado de trabalho. Ao olhar para o futuro, Béatrice observa uma transformação profunda, “Vejo um movimento irreversível: a presença feminina vai crescer e, com ela, a capacidade do setor de inovar, se humanizar e evoluir”, afirma.