CVC já fretou navios no passado e fez parceria com a Pullmantur para operar cruzeiros no País; última vez aconteceu na temporada 2019/2020 (Luigi Bongiovani/AT/Arquivo) Uma das maiores operadoras de turismo no Brasil, a CVC avalia a possibilidade de voltar a ter cruzeiros exclusivos no Brasil para a temporada 2026/2027. O motivo, segundo a empresa, é a redução em 30% da capacidade de leitos das operadoras MSC e Costa na temporada 2025/2026 em comparação com a anterior, o que prejudica a venda de pacotes. “Para 2026/2027, as empresas estão tentando aumentar essa oferta de leitos, mas MSC e Costa ainda não anunciaram essa recomposição. Uma vez que anunciem, e caso não consigam recompor, a empresa está disposta a trazer uma nova capacidade, com nova armadora — seja com MSC ou Costa ou apoiando nova entrante. Estamos em conversas com as empresas para entender se há a capacidade de novos navios para o mercado”, afirmou o vice-presidente de Produtos e Pricing da CVC Corp, Fabio Mader, para A Tribuna. Em agosto, a CVC Corp divulgou os resultados financeiros indicando que as vendas foram impactadas de maneira negativa justamente por conta da redução da oferta de navios por parte da MSC, que terá dois a menos, e Costa, com um a menos. A prática pretendida pela CVC não é nova. Ela já fez isso entre 2003 e 2012, fretando navios de armadoras como a Pullmantur e a Ibero. Na temporada 2008/2009, a CVC chegou a trazer seis embarcações para realizar cruzeiros no Brasil. Depois disso, mesmo sem fretamento, ela também fez parceria com a Pullmantur para operar cruzeiros no País. A última vez que isso aconteceu foi na temporada 2019/2020. Procuradas, a MSC e a Costa Cruzeiros não se manifestaram até o fechamento desta edição. Já a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) afirma que não comenta questões comerciais. O Concais, que administra o Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, em Santos, disse, em nota, que “tomou conhecimento, pela imprensa, que a CVC avalia fretar navios de passageiros” e que acha importante ressaltar que “a CVC já operou com navios fretados no passado, com saídas em Santos”. Adrian, de 24 anos, do Interior de São Paulo, já fez quatro cruzeiros (Divulgação) Nascido em Santos, o administrador de empresas Emerson Franco Rocha da Silva, de 53 anos, tem dez cruzeiros como passageiro em seis navios diferentes e em um como tripulante por quase uma temporada — foi ajudante de garçom. A experiência a bordo faz com que ele julgue importante a iniciativa da CVC, desde que haja novos roteiros diversificados. “Há muito o que explorar no nosso País, mas hoje está restrito a duas companhias que operam quase que os mesmos roteiros há anos. Além disso, os navios maiores não podem atracar em qualquer porto. Seria interessante termos, pelo menos, um navio menor que fizesse escala em portos diferentes, atraindo outro público. Poderiam elaborar roteiros em portos do Norte e Nordeste e outras regiões também, como Vitória (ES), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS) e outros”, afirma. Com quatro cruzeiros no currículo, o conferente de cervejaria Adrian Luis da Costa Kravszenko, de 24 anos e residente em Agudos, no Interior de São Paulo, lembra do primeiro, justamente a bordo de um dos navios fretados pela CVC, o Sovereign. Ele, que também é um dos administradores da página O Jovem Cruzeirista, no Instagram, estimula o aumento da concorrência em prol dos benefícios para os turistas. “A importância de se ter mais navios pelo Brasil é que os viajantes tenham novas opções, sejam maiores ou menores, e roteiros alternados e diferenciados. Os viajantes buscam por novidades e ofertas que consigam colocar na balança ‘custo x benefícios’. A volta de navios ofertados pela CVC pode mitigar esses impasses de viajantes que buscam realizar o sonho de férias em alto-mar”, argumenta.