“A inovação ambiental será muito mais difundida por outros atores pelo mundo”, diz Cary Davis (Maxwell Rodrigues) Investimento em infraestrutura portuária, modernização do setor e ênfase na inovação ambiental. Esses foram alguns pontos detalhados pelo CEO e presidente da Associação Americana de Autoridades Portuárias (AAPA), o norte-americano Cary Davis, em entrevista ao consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues, durante o congresso AAPA Latam 2025, que ocorre até hoje em Lima, no Peru. Confira a seguir os principais trechos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O evento no Peru é importante, já que os portos latino-americanos estão buscando melhora operações e investimentos na segunda onda de concessões que estamos enfrentando? São os grandes tópicos e temas deste Congresso, ou seja, investimento em infraestrutura portuária, modernização e a próxima onda de contratos e concessões que vencerão em nossos portos. Faço muitos paralelos com o que está acontecendo nos Estados Unidos. Lá, grande parte da nossa infraestrutura portuária, na forma como pensamos, foi pós-Segunda Guerra Mundial. Tivemos o presidente (Dwight) Eisenhower, que ajudou a vencer a Segunda Guerra Mundial. Havia paz, tínhamos amplo suprimento de materiais e trabalhadores e ele disse: vamos reconstruir nosso país, vamos reconstruir nossas estradas, pontes, aeroportos e, claro, nossos portos. E descobrimos nos Estados Unidos que estamos chegando ao fim da vida útil de toda essa infraestrutura. Some isso às tendências altamente disruptivas em tarifas, protecionismo, comércio, mudanças climáticas e competição geopolítica com grandes potências, como a China, e acredito que veremos muito efeito colateral dessas políticas comerciais disruptivas na América Latina. A América Latina tem uma janela de oportunidade muito boa para crescer. Como dar suporte aos desafios que temos? Há coisas acontecendo agora na sala em que estamos sentados. Acho que é a participação em eventos como esse que ajuda a posicionar os portos, os líderes políticos e as partes interessadas no setor marítimo para estarem nos lugares certos onde acontecem conversas sobre a expansão marítima. Será importante que as pessoas que administram o setor marítimo nos países latino-americanos consigam uma nova geração de jovens interessados no setor marítimo. Temos algumas revoluções no setor portuário e marítimo brasileiro. A primeira foi quando começamos as transações com petróleo. A segunda são as concessões ao setor privado. A terceira, os dados. A próxima será meio ambiente. Estamos prontos para enfrentar a revolução de dados e a ambiental? Acho que a privatização e as concessões das operações portuárias foram uma revolução. Dito isso, quando ouço as pessoas falando sobre as revoluções na navegação, a maioria diria que foi a máquina a vapor e o petróleo, semelhante ao que você disse. Mas as pessoas geralmente dizem que a segunda revolução no transporte marítimo foi a conteinerização e a intermodalidade. Embora eu trabalhe no setor marítimo há apenas seis ou sete anos, não tanto tempo assim, eu estudo história. Li sobre a invenção do navio a vapor e acho que a maioria das pessoas concordaria. O principal líder comercial foi o Comodoro Vanderbilt, na cidade de Nova Iorque, na década de 1800 nos Estados Unidos. Ok, eu sou muito ianque, tenho muito orgulho da América. A segunda revolução, a conteinerização, com Malcolm McLean, também nos Estados Unidos. Não estou preocupado com essa próxima revolução de dados e meio ambiente, a inovação ambiental será muito mais difundida por outros atores pelo mundo. Os executivos estão preparados para enfrentar a nova revolução? As mulheres e os homens que administram os portos são muito bons em construir a infraestrutura física para o seu porto, a capacidade e a infraestrutura física necessárias, não apenas para movimentar cargas, mas movimentar cargas e pessoas no setor de cruzeiros, que vem crescendo constantemente há muitos anos. É essa a tarefa que eles foram chamados a fazer da melhor forma. Não acredito necessariamente que executivos, proprietários e operadores de portos e infraestrutura precisarão transformar completamente sua mentalidade até que os clientes exijam e o mercado também. Qual é a frase que eu posso usar em nossa reunião daqui a cinco anos, quando falar sobre o futuro dos portos? Todos perceberam que o transporte marítimo sempre foi a forma mais limpa, segura e eficiente de transporte. Mas aprimoramos o transporte com novas tecnologias, como digitalização, hyperloop, drones e análise preditiva. E uma melhor segurança cibernética.