Armazém tem mais de mil metros quadrados e terá mantidas as características da construção, de 1899 (APS/Divulgação) A primeira fase das obras de revitalização do antigo Armazém 7, que abrigará um centro tecnológico e educacional no Porto de Santos, deve ser concluída em abril. O espaço, ao lado do Parque Valongo, no Centro Histórico, será reconstruído de acordo com as características originais, segundo informou a Autoridade Portuária de Santos (APS). Nos meses seguintes, a APS promete apresentar um plano de destinação para detalhar a finalidade do espaço, que deverá estar em pleno funcionamento até 2027. Também está em andamento a revitalização da Casa de Máquinas nº 2, ao lado do Armazém 7. O local é um dos ícones da história do Porto. “Os dois equipamentos serão administrados pela APS com pautas de interesse da comunidade portuária e ligadas à integração Porto-Cidade”, diz a gestora do cais santista. Patrimônio histórico A reconstrução desses espaços faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2023 pela APS, o Ministério Público e o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). O acordo previu intervenções em várias edificações do cais no âmbito da revitalização do Centro de Santos. O TAC determinou que o Armazém 7 e a Casa de Máquinas nº 2, que gerava vapor para operar guindastes no século 19 e no início do século 20, seriam realocados em direção à área do antigo Armazém 6 para permitir a ampliação das linhas férreas utilizadas pela empresa Cofco. Como contrapartida, a companhia está custeando a reconstrução das edificações, e a obra é realizada pela Pro Ativa Arquitetura. O valor não foi informado. Arquitetura O Armazém 7 conta com mais de mil metros quadrados (m²) e terá mantidas as características da construção original, de 1899. O arquiteto Gino Caldatto Barbosa explica que o armazém está sendo reconstruído. A edificação tinha uma particularidade em relação à maioria dos demais armazéns. Ela foi pré-fabricada na Alemanha e montada no Porto de Santos, após as peças serem trazidas ao Brasil por navio. Dessa forma, para manter a ideia original, o Armazém 7 será revestido por chapas metálicas e não por paredes de alvenaria. A reconstrução do armazém também vai retirar alterações realizadas na década de 1940. À época, os armazéns foram pintados de amarelo, e as casas de máquinas (também conhecidas como casas de pedra) perderam as chaminés. Essas características originais estarão presentes na revitalização. No caso do armazém, as paredes receberão a cor original, uma tonalidade próxima do salmão. O telhado em formato de V já está pronto, e as estruturas metálicas das paredes também. Faltam revestimento, pintura, parte elétrica e outros acabamentos que serão realizados até abril. Já a Casa de Máquinas nº 2, erguida também no final do século 19, tem reconstrução mais lenta. A estrutura mais complexa remonta ao passado colonial do Brasil e é conhecida como alvenaria de pedra, com paredes de 60 centímetros de espessura. Parque Valongo complementa revitalização O Armazém 7 é mais um na região central de Santos a passar por intervenções voltadas à revitalização da área. As ruínas dos armazéns 4, 5 e 6 deram lugar ao Parque Valongo, que conta com espaço coberto e climatizado, cercado por jardins, quadra de beach tennis, playground, píer de contemplação e plataforma flutuante para embarcações. Localizado no berço do Porto de Santos, onde há 400 anos surgiram os primeiros atracadouros, o Parque Valongo foi projetado para integrar-se à ampla revitalização do Centro Histórico, que incluiu a Rua Tuyuti (com fonte interativa, lâmina d’água e paisagismo) e a Praça Barão do Rio Branco. Em 26 de junho, foi inaugurada ainda a Passarela Porto-Cidade Engenheiro José Colla – estrutura acessível de 228 metros até o parque. Mais uma etapa A terceira fase do Parque Valongo foi iniciada em agosto de 2025, com a revitalização do Armazém 3. A obra, executada pela Carnevali Engenharia, é viabilizada por uma parceria entre a APS e a Prefeitura de Santos. As melhorias são custeadas pela Brasil Terminal Portuário (BTP), decorrentes de um Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc), e devem ser concluídas neste ano. Trabalho Para preservar o estilo da Casa de Máquinas, é realizado o processo de anastilose (técnica de restauro que reconstrói parcialmente monumentos em ruínas). As pedras, que haviam sido retiradas na desmontagem da estrutura, estão sendo recolocadas. Além disso, será feito um reforço de concreto para evitar riscos à edificação por conta da trepidação causada pelos trens do Porto.