Empresas estão preocupadas em aumentar o espaço destinado aos contêineres no Porto de Santos (Alexsander Ferraz/AT) Instrumentos de infraestrutura fundamentais, os terminais fazem parte da paisagem do Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Eles são os responsáveis pelo armazenamento e transferência das cargas para os navios. Cabe lembrar que 95% do comércio exterior brasileiro é feito por meio dessas embarcações. Portanto, sem terminais, essa movimentação da carga não ocorreria. Ao mesmo tempo em que crescem e passam por constantes melhorias, as empresas também desejam que o complexo santista evolua na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! O diretor-presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP), Cláudio Oliveira, ressalta os problemas envolvendo acessos e fala da necessidade de ampliação da profundidade do canal do Porto. “Nos últimos anos, o Porto cresceu muito. Foram destravados muitos investimentos e projetos que estavam parados. Vemos muito boa intenção. Precisamos melhorar o calado, pois estamos restritos a receber navios de, no máximo, 366 metros. Até estamos homologados para que o armador traga uma embarcação assim, mas pelo calado fica difícil. Santos é o último porto de exportação e o primeiro na importação, então ele acaba operando com o navio a 75%, 80% da capacidade. Por mais que ele (armador) queira prestigiar o complexo santista, é difícil de fechar a conta”. Oliveira também mostra preocupação com o necessário aumento de capacidade e a falta de espaço para os contêineres no complexo santista. “O Porto está trabalhando há uns três ou quatro anos perto de sua capacidade máxima, com mais de 90%. E os terminais estão tentando, dentro dos seus limites, aumentar a capacidade”. Uma das ações da BTP para ganhar espaço é a demolição do edifício que abriga a sede administrativa - cujos funcionários estão sendo transferidos para outro local, no Centro Histórico. “Vamos construir um novo prédio de operações que fica no terminal, mas na entrada. Hoje não faz mais sentido ter um prédio em uma área tão nobre aqui dentro do terminal e não poder armazenar contêineres”, justifica. Medidas A Santos Brasil também está tomando igual providência pela mesma razão. A nova construção ficará ao lado da portaria terrestre e terá cinco andares. “A edificação atual ocupa uma área de 4 mil metros quadrados (m²) bem no centro do pátio do terminal. Esse espaço, após as obras, será incorporado ao pátio de contêineres, ampliando a capacidade de armazenamento do Tecon Santos. Serão incrementados cerca de 137 mil TEU por ano na capacidade dinâmica do terminal”, detalha o diretor de Operações de Terminais da Santos Brasil, Marcelo Patrício. A carga conteinerizada movimentada na Santos Brasil é muito diversificada. “Entre as cadeias de suprimentos assistidas, temos o agronegócio, em que o café é praticamente 100% exportado em contêineres, além de produtos como açúcar e algodão. Na cadeia chamada de ‘fria’, dos contêineres refrigerados, temos a proteína animal, com carne, frango, miúdos e outros. Já a cadeia automotiva conta com autopeças e eletrônicos, apenas para citar alguns exemplos”, lista Patrício. Ampliação A Santos Brasil projetava ampliar sua capacidade operacional para 3 milhões de TEU por ano em 2031, mas informa que isso será entregue ao Porto de Santos ao final deste ano. “Já começamos 2026 com 2,7 milhões de TEU. Além disso, os investimentos em equipamentos e em pessoas aumentam nossa eficiência operacional, que é comparável à dos terminais de contêineres mais produtivos da Europa”, afirma Patrício.