Os desafios da logística e a transformação tecnológica nos portos da América Latina foram debatidos (Alexsander Ferraz/AT) A nova geopolítica do comércio global, os desafios da logística regional e a transformação tecnológica nos portos da América Latina foram os eixos dos debates, nesta quinta-feira (26), no AAPA Latam 2025, principal conferência da Associação Americana de Autoridades Portuárias, realizada em parceria com a Autoridade Portuária Nacional (APN) do Peru, em Lima. O evento reuniu executivos de todo o mundo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O consultor para assuntos portuários Maxwell Rodrigues, que representa o Grupo Tribuna no congresso, conversou com executivos. Para Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, a participação da América Latina em um evento desse porte representa mais do que um gesto simbólico: é um sinal de maturidade e confiabilidade da região frente aos mercados internacionais. “É sempre um grande desafio superarmos uma desconfiança que o mercado traz, principalmente europeu e norte-americano, de que causamos atrasos ou não temos eficiência nem produtividade. Esse evento mostra o contrário”, afirmou. Garcia destacou o volume expressivo de investimentos em curso no Brasil. Para ele, o País finalmente compreendeu que infraestrutura se constrói com visão de longo prazo. “O Brasil aprendeu a trabalhar dessa forma, um pouco tardiamente, mas agora somos exemplo para aquilo que o mercado procura: boas soluções de infraestrutura para os próximos 30, 40 anos.” Essa visão estratégica também foi defendida por Sérgio Aquino, presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), que ressaltou a importância do evento para integrar experiências de países que compartilham realidades semelhantes à brasileira. “É essencial conhecermos os desafios da Europa e da Ásia, mas também é muito relevante trocar experiências com nossos vizinhos latino-americanos, que vivem situações mais próximas às nossas”, afirmou. Aquino reforçou que, apesar da posição geográfica privilegiada e do destaque do Porto de Santos, o Brasil não pode se acomodar. “Não é porque temos tamanho, posições estratégicas e mercado que podemos ficar em um berço esplêndido. Precisamos avançar, ser competitivos, discutir acesso, infraestrutura, tecnologia e marco regulatório para destravar a burocracia e modernizar o setor”, declarou. Tecnologia e digitaliza-ção foram temas recorrentes ao longo do evento. Monica Webb Batista, representante da Embaixada da Holanda no Panamá, lembrou que a América Latina vive uma nova onda de investimentos, com a relocalização de cadeias produtivas para regiões mais próximas dos centros de consumo. “Com as novas tarifas e mudanças no comércio global, a América Latina pode se tornar um novo polo logístico, mas precisa investir agora. A automação e a digi-talização podem ajudar a atrair mais carga e tornar os portos mais eficientes”, analisou. Para que a inovação aconteça de forma sustentável, a capacitação da força de trabalho precisa acompanhar. É o que defende Silvina Pereira Marques, do STC Group, de Roterdã, na Holanda. “Alguns empregos vão desaparecer, mas outros surgirão. As pessoas precisam estar prontas para mudar. E mesmo com toda a tecnologia, alguém precisa saber o que fazer quando ela falha. A formação técnica continua sendo essencial.” Essa mudança de cultura no setor também passa pela inclusão. A presença de mulheres na indústria marítima, antes restrita a cargos administrativos, vem crescendo, especialmente em áreas de tecnologia. Marianna Rocha, brasileira e executiva da empresa Wartsila no Canadá, celebrou esse avanço. “É bom ver outras mulheres no evento e perceber que estamos ganhando espaço. No escritório onde trabalho, em Vancouver, já somos mais mulheres do que homens, inclusive na área de desenvolvimento de sistemas e produto”, relatou. Impressões na programação do Congresso “Alguns empregos vão desaparecer, mas outros surgirão. As pessoas precisam estar prontas para mudar. E mesmo com toda a tecnologia, alguém precisa saber o que fazer quando ela falha”, diz Silvina Pereira Marques do STC Group, de Roterdã, na Holanda (Maxwell Rodrigues) Não é porque temos tamanho, posições estratégicas e mercado que podemos ficar em um berço esplêndido. Precisamos avançar, ser competitivos, discutir acesso, infraestrutura, tecnologia e marco regulatório”, diz Presidente da Fenop, Sérgio Aquino (Maxwell Rodrigues) “Com as novas tarifas e mudanças no comércio global, a América Latina pode se tornar um novo polo logístico, mas precisa investir agora. A automação e a digitalização podem ajudar”, diz Representante da Embaixada da Holanda no Panamá Monica Webb Batista (Maxwell Rodrigues) “É bom ver outras mulheres no evento e perceber que estamos ganhando espaço. No escritório onde trabalho, em Vancouver, já somos mais mulheres do que homens”, diz Brasileira e executiva da empresa Wartsila no Canadá Marianna Rocha (Maxwell Rodrigues) É sempre um grande desafio superarmos uma desconfiança que o mercado traz, principalmente europeu e norte-americano, de que causamos atrasos ou não temos eficiência”, diz Diretor-presidente da Portos do Paraná Luiz Fernando Garcia (Maxwell Rodrigues)