Tenente Coimbra relata invasão a gabinete e ameaça de sindicalistas: 'Não vão me intimidar'

Manifestantes percorreram gabinetes de deputados na Assembleia Legislativa de São Paulo para cobrar posicionamento sobre a reforma da Previdência estadual

O deputado estadual Tenente Coimbra (PSL) acusa sindicalistas de invadirem seu gabinete e ameaçarem funcionários, na última segunda-feira (9), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O grupo percorreu os escritórios de diversos parlamentares para cobrar um posicionamento sobre a reforma da Previdência estadual.

"Um grupo de sindicalistas invadiu meu gabinete. Ameaçaram funcionários. Tentaram intimidá-los de diversas formas. Chegaram filmando de forma truculenta e queriam um posicionamento meu sobre a reforma da Previdência", disse o social liberal em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram.

A tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 18, que trata da alteração das regras da Previdência dos servidores estaduais, foi suspensa na última sexta-feira (6) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em liminar, o desembargador Alex Zilenovski decidiu que o projeto deve retornar à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Alesp.

"Esse grupo está tão perdido que não sabe nem quando vai ser votado. Chegaram invadindo gabinetes, inclusive o meu. E não sabem que segunda e sexta-feira são dias de base, quando os deputados ficam nos escritórios regionais. Eu, por exemplo, estou aqui no município de Santos", explicou o parlamentar.

"Não é desta forma que vão convencer um deputado. Ainda mais um deputado militar. Não vão me intimidar de maneira alguma. O meu posicionamento, da mesma forma que a reforma da Previdência federal se faz necessária, é que a reforma estadual também se faz necessária. O texto não está 100%. Precisa de ajustes. Conseguimos manter algumas coisas relacionadas a algumas categorias, como professores e policiais, mas vamos ajustar este texto para ele ser aprovado. Alguns benefícios precisam ser revistos, e a mamata de muitos pode ter certeza que vai acabar", emendou Coimbra.

Sindicalista nega ameaças

A Tribuna On-line entrou em contato com Michel Iório Gonçalves, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Judiciário Estadual na Baixada Santista, Litoral e Vale do Ribeira do Estado de São Paulo (Sintrajus), que estava presente nas visitas aos gabinetes dos deputados. Ele negou que tenha havido qualquer tipo de ameaça por parte dos manifestantes.

"Nós estávamos exercendo a cidadania, o nosso direito de fiscalizar e acompanhar o que é feito pelos nossos deputados. A entrada nos gabinetes é livre. Não houve nenhuma ameaça. Nós exigimos um contato com o deputado para saber o posicionamento dele, já que tínhamos a informação de que ele votaria contra os servidores", explicou.

Segundo Gonçalves, o grupo passou a questionar, então, onde estaria o parlamentar, já que, pela suspensão da votação ser dada em caráter liminar, o projeto poderia entrar em pautação a qualquer momento.

"Pedimos para conversar com ele [Coimbra], deixei meu telefone, mas sem retorno até agora. Os assessores dele nos disseram que não sabiam onde ele estava, e que não entrariam em contato com ele ou com a assessora responsável pela agenda do deputado", comentou.

Manifestantes no gabinete do deputado estadual Tenente Coimbra

Reivindicações

Michel Iório Gonçalves acusou o Governo João Doria (PSDB) de não respeitar o processo regimental para a votação da PEC 18/2019. Ele comparou o Executivo paulista a um trator.

"O projeto não está sendo amplamente discutido. Ele não passou pelas comissões. Foi nomeado um relator especial para cuidar de tudo. Antes de colocar a culpa no servidor, é preciso que a população saiba o que está acontecendo", disse.

De acordo com o coordenador geral do Sintrajus, o governo estadual concedeu R$ 20 bilhões em isenções fiscais para empresas, mas a lista de beneficiados seria sigilosa.

"O governo diz que a economia com a Previdência em relação aos servidores será de R$ 32 bilhões em dez anos. Ou seja, R$ 3,2 bilhões por ano. Em contrapartida, são R$ 20 bilhões que o governo abre mão para dar a empresas que não sabemos nem o nome", ponderou.

Outro ponto citado pelo sindicalista é que o governo paulista deve à São Paulo Previdência (SPPrev) cerca de R$ 125 bilhões. Ele cobra que os deputados trabalhem para que o governo possa fechar essa conta.

Por fim, ele alerta para a proposta de securitização de crédito na SPPrev. "Isso foi feito no Rio de Janeiro e só aumentou o rombo. Quebrou a Previdência do Rio de Janeiro. Ficou conhecida como 'Operação Delaware'. E hoje é investigada pela CPI da RioPrevidência", finalizou.

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