Países defendem eleições presidenciais na Venezuela

Autoridades ainda se comprometeram a facilitar entrada de ajuda humanitária na nação

Por: France Presse  -  08/02/19  -  21:43
Presidente do Uruguai, Tabare Vazquez, participou de reunião do grupo internacional
Presidente do Uruguai, Tabare Vazquez, participou de reunião do grupo internacional   Foto: Vicente Manuel/ AFP

Um grupo de países com posições divergentes sobre a Venezuela pediu, na quinta-feira (7), em Montevidéu, eleições presidenciais livres, como uma solução pacífica para a crise do país, e prometeu facilitar a entrega de ajuda humanitária.


Nas últimas horas, a assistência internacional tem sido o eixo da disputa entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição, enquanto vários países organizam centros de coleta perto das fronteiras.


A União Europeia (UE), oito países do bloco e três da América Latina comprometeram-se, em Montevidéu, a trabalhar para “estabelecer as garantias necessárias para um processo eleitoral crível no menor tempo possível” e, ainda, “permitir a entrada urgente da assistência segundo princípios internacionais”.


Além disso, o grupo deixou claro que a saída para a crise deve ser uma “solução venezuelana”, em consonância com a posição levantada desde a abertura da reunião pela coanfitriã e chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que insistia na necessidade de evitar uma intervenção externa.


México e Bolívia se abstiveram de assinar a resolução conjunta, assinada pela União Europeia e 11 dos participantes.


No documento, também se resolveu coordenar a assistência humanitária com o Acnur, a agência de refugiados da ONU, e enviar uma missão técnica à Venezuela.


Na reunião, que não contou com representantes do governo venezuelano ou da oposição, Mogherini disse que a União Europeia está pronta para abrir um escritório em Caracas para garantir que a ajuda humanitária chegue aos venezuelanos.


'Mecanismo' paralelo


O governo anfitrião, juntamente com o México e os países da Comunidade do Caribe (Caricom) – que não reconheceram Guaidó –, apresentou na quarta-feira uma proposta de diálogo sem pré-condições, que não incluiu a convocação de eleições na Venezuela.


O chamado “Mecanismo de Montevidéu” continuará na próxima semana seu curso paralelo à ação do grupo de contato, com o envio de uma delegação composta pelos ex-chanceleres do Uruguai Enrique Iglesias e o mexicano Bernardo Sepúlveda, além da secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, e um representante da Caricom.


Segundo Mogherini, a iniciativa será complementar às determinações alcançadas no Uruguai.


Diálogo sim, diálogo não


Na quarta-feira, Maduro concordou com o diálogo e afirmou que seu governo está preparado para participar em um processo de entendimento. Mas Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido por cerca de 40 países, recusou qualquer “falso diálogo” que permitisse a Maduro ganhar tempo.


A reunião foi realizada em tempos de tensão devido à chegada da ajuda humanitária à Venezuela, após o bloqueio pelos militares de uma ponte na fronteira com a Colômbia, onde foi estabelecido um centro de coleta de remédios e alimentos.


Guaidó, de 35 anos, pediu aos militares que liberem a entrada da ajuda.
Maduro argumenta que Guaidó quer abrir as portas para uma intervenção militar estrangeira.
O presidente acusou nesta quinta-feira o governo dos Estados Unidos de usar uma “crise humanitária inexistente” como “desculpa” para justificar uma eventual invasão militar no país petroleiro.


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