Nações europeias reconhecem líder venezuelano Juan Guaidó

Governo de Nicolás Maduro diz que irá revisar 'integralmente' relações com países que apoiaram opositor

Por: France Presse & De Madri &  -  05/02/19  -  17:26
Na segunda (4), Guaidó acusou Maduro de tentar transferir US$ 1,2 bilhão dos cofres públicos
Na segunda (4), Guaidó acusou Maduro de tentar transferir US$ 1,2 bilhão dos cofres públicos   Foto: Juan Barreto/ France Presse

O opositor venezuelano Juan Guaidó recebeu, na segunda-feira (4), um forte apoio internacional ao ser reconhecido como presidente interino por 19 países da Europa, que o governo de Nicolás Maduro acusou de apoiá-lo.


Após a expiração de um ultimato a Maduro para que convocasse novas eleições presidenciais, esses países, liderados por França, Espanha e Alemanha, se somaram no reconhecimento de Guaidó aos Estados Unidos, ao Canadá, ao Brasil e a outros países da América Latina.


“É o reconhecimento dos venezuelanos que nunca pararam de lutar para recuperar a democracia”, disse Guaidó, agradecendo aos partidários. Ele disse esperar que a Itália se junte ao grupo de países que apoiam seu governo, depois que fontes diplomáticas informaram que o país bloqueou a declaração conjunta da União Europeia. 


O governo venezuelano anunciou que revisará “integralmente” as relações com os países europeus que reconheceram o opositor, acusando-os de “planos golpistas”. “A Venezuela não impõe ultimatos a ninguém, nem ao senhor Pedro Sánchez, nem a ninguém no mundo”, disse Maduro, referindo-se ao primeiro-ministro da Espanha.


Os Estados Unidos, que garantem que a ação armada na Venezuela é “uma opção”, congratularam-se com o reconhecimento europeu. “Encorajamos todos os países [...] a apoiar o povo venezuelano”, disse o secretário de Estado, Mike Pompeo. 


Guaidó será convidado oficial do senador Marco Rubio ao discurso do estado da União que o presidente Donald Trump pronunciará hoje, informou o parlamentar na segunda-feira.


A Rússia, um dos maiores aliados de Maduro, rejeitou as “tentativas de legitimar a usurpação do poder como interferência direta” por europeus, segundo o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov. 


Maduro, também apoiado por China, Turquia e Irã, diz que Washington usa Guaidó como um “fantoche” para derrubá-lo e aproveitar a riqueza do petróleo da Venezuela.


Em meio a essa tensão, os chanceleres do Grupo de Lima se reuniram ontem em Ottawa e pediram uma mudança de governo na Venezuela “sem o uso da força”. Eles também fizeram um apelo para que os militares apoiem Guaidó.


As detenções pelos protestos contra o presidente Nicolás Maduro já chegam a quase mil desde 21 de janeiro, o número mais alto em quase duas décadas, denunciou segunda-feira a ONG Fórum Penal. 


Ajuda humanitária


Guaidó, líder do Parlamento da oposição majoritária, está preparando a chegada de ajuda humanitária ao país. O Canadá anunciou ontem uma ajuda de US$ 40 milhões, além dos US$ 20 milhões oferecidos anteriormente por Washington.


O plano, segundo Guaidó, é coletar remédios e alimentos na vizinha Colômbia e no Brasil e em uma ilha caribenha. Ele ainda disse ter informações de que os militares planejam “roubar” ou “sequestrar” a ajuda para distribuí-la por meio de um programa de entrega de alimentos subsidiado pelo governo.


Juan Guaidó também denunciou que o governo está tentando movimentar cerca de US$ 1,2 bilhão para o Uruguai e pediu que o país não se entregue a um “roubo”.


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