[[legacy_image_241736]] O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciaram, esta semana, um plano de ação para o atendimento aos dependentes químicos que vivem na chamada Cracolândia e espalhados pela área central da Capital. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Construído a partir do diagnóstico das ações de atendimento aos usuários de substâncias psicoativas e da contribuição de médicos, especialistas e membros da sociedade civil, o plano está estruturado em quatro pontos: a abordagem qualificada aos usuários por meio de profissionais especializados; oferta de várias linhas de cuidado para tratamento da dependência química, integração completa da jornada de cuidados, com acompanhamento nos equipamentos estaduais e municipais; e oferta de serviços públicos em todas as frentes de atuação, por meio da atualização do cadastro único. Está prevista a contratação de 200 profissionais especializados em dependência química, compra de viaturas e reformulação do maior centro de atendimento a esse público, o Centro de Referência de Álcool. Tabaco e Outras Drogas (Cratod), espaço bastante conhecido entre os que lidam com dependentes. O Estado também ampliará a capacidade de atendimento aos usuários em comunidades terapêuticas, leitos para desintoxicação e instalará câmeras de monitoramento interligadas à Secretaria de Segurança Pública. É positivo o conjunto de ações porque prevê atuação em todas as frentes diretamente ligadas à dependência química: atendimento aos usuários, rede de apoio e, como não pode deixar de ser, combate ao tráfico e aos que fazem desses espaços degradados e doentes uma fonte de renda por meio da prática de crimes, quer do comércio de drogas, quer dos furtos e roubos. O conjunto de medidas anunciadas esta semana tem consistência para obter êxito, desde que ganhe perenidade com o mesmo foco, estrutura, recursos e equipes. Em geral, políticas públicas de difícil implantação, como essa, tendem a ser esvaziadas ao longo do tempo, quer pela supressão de recursos, quer pelo esfacelamento das equipes, muitas vezes desviadas para outros campos da administração pública. Guardadas as devidas proporções, o que se vê na Cracolândia da Capital é o retrato de qualquer cracolândia do Brasil, inclusive de Santos, nas proximidades do túnel do VLT, no José Menino. Apenas intensificar as equipes de segurança nesses locais só faz com que os usuários migrem de território. Oferecer assistência médica e disponibilizar vagas em comunidades terapêuticas nem sempre funciona de forma isolada, posto que não há internação compulsória. Mas quando um conjunto de ações se estabelece, em que também a Justiça e a sociedade estão alinhadas à política pública estadual e municipal, potencializa-se a chance de sucesso. O programa ora lançado na Capital pode ser o piloto de uma política pública de sucesso para outros municípios que enfrentam o mesmo problema. O tempo trará os resultados que, espera-se, sejam positivos.