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Sexta-feira

22 de Fevereiro de 2019

Juan Guaidó diz que bloqueio de ajuda humanitária à Venezuela é crime

Já Maduro diz que emergência é fabricada por Washington

O opositor Juan Guaidó, reconhecido por meia centena de países como presidente interino da Venezuela, advertiu, no domingo (10), que impedir a entrada da ajuda humanitária torna os militares “quase genocidas”. Isso porque trata-se de um “crime contra a humanidade”.

“Isso tem responsáveis, e que o regime saiba disso. É um crime contra a humanidade, senhores da Força Armada”, disse Guaidó à imprensa, depois de assistir a uma missa em Las Mercedes, a Leste de Caracas, com sua esposa Fabiana Rosales e seu bebê de 20 meses.

Guaidó, chefe do Parlamento de maioria opositora, garantiu que os militares se tornam “vitimizadores” e “quase genocidas”, por ação quando “matam” jovens que protestam e por omissão quando não permitem ajuda humanitária. 

O líder opositor reiterou sua convocação para uma passeata na terça-feira (12), Dia da Juventude, em memória dos mortos - cerca de 40 em tumultos desde 21 de janeiro, segundo a ONU -, e para exigir que a ajuda seja permitida.

Medicamentos e alimentos enviados pelos Estados Unidos permanecem há três dias em armazéns do centro de coleta instalado em Cúcuta, Colômbia, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com dois contêineres e uma cisterna. 

O presidente venezuelano Nicolás Maduro afirma que a “emergência humanitária” é “fabricada por Washington” para “intervir” no país petrolífero, descreve como “show político” o envio de ajuda e culpa as sanções dos Estados Unidos pela escassez de alimentos e medicamentos.

“Eu entendo que o regime se negue a reconhecer a crise que eles geraram, mas nós, venezuelanos, estamos trabalhando duro para cessar a usurpação (de Maduro no poder) e abordar esta emergência”, disse Guaidó, diante de um grande grupo de jornalistas e apoiadores.

Na pior crise de sua história moderna, a Venezuela sofre com a escassez de produtos básicos e hiperinflação. Fugindo do desastre, cerca de 2,3 milhões de venezuelanos emigraram desde 2015, segundo a ONU.