Guaidó garante entrada de ajuda humanitária na Venezuela

Presidente autodeclarado afirma que ajuda será fornecida no dia 23 deste mês. Declaração desafia posição contrária de Maduro

Por: France Presse  -  13/02/19  -  23:23
Deserções de militares na Venezuela chegam a 170
Deserções de militares na Venezuela chegam a 170   Foto: Yuri Cortez/France Presse

Diante de uma multidão de seguidores, o opositor venezuelano Juan Guaidó anunciou que, no próximo dia 23, a ajuda humanitária entrará no país, desafiando a negativa do presidente Nicolás Maduro, em uma disputa que colateralmente opõe Estados Unidos e Rússia.


Guaidó, reconhecido por 50 países como presidente interino, fixou como prazo 23 de fevereiro, quando completará um mês de ter se autoproclamado na função – após o Congresso ter declarado Maduro “usurpador”, por considerar que foi reeleito de forma fraudulenta.


“A ajuda humanitária vai entrar sim ou sim na Venezuela, porque o usurpador vai ter que ir, sim ou sim, da Venezuela. Não é a primeira vez que a Venezuela vai se livrar de um tirano, mas esperamos que seja a última”, acrescentou o também líder do Congresso de maioria opositora.


Maduro nega que exista uma “emergência humanitária”, culpa pela falta de remédios e comida as sanções americanas e rechaça a ajuda enviada por Washington, ao considerá-la a porta de entrada para uma intervenção militar.


“Queremos a paz para a Venezuela, todos queremos a paz para a Venezuela. Que os tambores da guerra se afastem, que as ameaças de invasão militar se afastem”, disse Maduro, ao comandar uma manifestação de partidários no centro da capital.


A tensão ocorre em meio a um colapso econômico, com uma escassez de medicamentos e alimentos impagáveis para a maioria pela hiperinflação. Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos (7% da população) fugiram do país por causa da crise desde 2015, segundo a ONU.


Alimentos e remédios enviados pelos Estados Unidos estão há cinco dias em um centro de armazenamento na cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, perto da ponte binacional Tienditas, bloqueada por militares com dois enormes contêineres de carga e uma cisterna.


Na terça-feira (12) foi habilitado o segundo centro de armazenamento, em Roraima, no Brasil, também limítrofe com a Venezuela.


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