Ex-delegado-geral de polícia de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes exercia o cargo de secretário de Administração de Praia Grande quando foi executado (Divulgação/ Prefeitura de Praia Grande) A Polícia Civil acredita que a execução do ex-delegado-geral e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, ocorrida na cidade do litoral de São Paulo em setembro, teve como principal motivação a vingança do Primeiro Comando da Capital (PCC), em razão de sua atuação histórica no combate ao crime organizado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nesta terça-feira (13), três integrantes da alta cúpula do PCC, entre eles um dos líderes da facção criminosa, foram presos por envolvimento direto no assassinato de Ruy Ferraz Fontes. Os investigados já haviam sido detidos em 2005 pelo próprio ex-delegado, durante operações contra a organização criminosa. As informações foram divulgadas durante entrevista coletiva realizada na sede da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), na tarde desta terça-feira (13). O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que os três presos atuavam como assaltantes de banco e participaram diretamente do planejamento do crime. “Os cinco alvos de hoje fazem parte do topo do comando, o que nos leva a crer que estamos muito próximos de fechar esse quebra-cabeça”, declarou. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, reforçou que a principal linha de investigação aponta para retaliação direta pela atuação de Ruy Ferraz Fontes contra o PCC, sem descartar outros fatores. “Há também indícios de algo relacionado à sua passagem pela Prefeitura (de Praia Grande), possivelmente ligado a irregularidades”, afirmou. Já a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, informou que o planejamento da execução ocorreu dentro de um bar em Mongaguá, no litoral de São Paulo. “A gente chegou ao local onde foi feito o planejamento. Um bar em Mongaguá, onde um deles foi preso hoje”, explicou. Monitoramento de Ruy Ferraz Fontes Segundo a delegada, os criminosos chegaram à Baixada Santista em março do ano passado e, desde então, passaram a estruturar a execução. A rotina do ex-delegado passou a ser monitorada de forma mais intensa a partir de junho. “O doutor Ruy passou a ser monitorado mais de perto pelo menos a partir desse período”, disse. Ainda de acordo com Ivalda, os suspeitos têm mais de 20 anos de envolvimento com o crime organizado, com passagens por assaltos a banco, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Presos nesta terça-feira Entre os detidos está Fernando Alberto Teixeira, conhecido como Azul, capturado em Jundiaí, no interior de São Paulo. Ele é apontado como um dos responsáveis por articular o mando do crime, atuando no planejamento, na coordenação logística e na execução indireta. Com ele, foram apreendidos dois celulares. Outro preso é Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote, detido no bairro Vila Isa, em Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele deu apoio estratégico e logístico, incluindo a guarda de veículos usados na ação e a ocultação de provas. Durante a abordagem, Velhote tentou fugir, mas foi contido após monitoramento com drone. Documentos e dois celulares foram apreendidos com ele. Já Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manoelzinho, foi capturado em Mongaguá, na Baixada Santista. Ele é investigado por atuar como principal articulador operacional, auxiliando na fuga dos envolvidos, fornecendo meios materiais e mantendo a ligação entre os executores. Uma arma de fogo foi apreendida durante as buscas. A Tribuna não conseguiu localizar a defesa dos presos até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações. O crime Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil e então secretário de Administração de Praia Grande, foi morto em uma emboscada, no dia 15 de setembro do ano passado, ao deixar a Prefeitura da cidade da Baixada Santista. Ele foi atingido por disparos de fuzil. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o crime foi cometido a mando do alto escalão do PCC, como forma de vingança. Fontes comandou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022 e ficou nacionalmente conhecido por sua atuação firme contra o PCC, tendo sido responsável, em 2006, pelo indiciamento de toda a cúpula da organização criminosa, incluindo seu principal líder.