O empresário uruguaio Carlos Adrian Manccini Piriz, de 36 anos, morto após ser baleado por engano durante a virada do ano na Praia da Enseada, em Guarujá, ostentava uma vida de luxo nas redes sociais. Ele publicava imagens com joias, restaurantes, viagens e uma BMW. Piriz também teve passagem pelo sistema de Justiça brasileiro e foi alvo de um pedido de extradição feito pelo Governo do Uruguai. O uruguaio foi detido no Brasil em 2023, no âmbito de um processo que tramitava em segredo de Justiça, relacionado a crimes de fraude e receptação. Posteriormente, foi solto e, no ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou sua extradição para o Uruguai, onde deveria cumprir pena. Segundo apuração do g1 Santos, Piriz morava em São Paulo e mantinha uma loja online de camisas de times e itens de grife. Nas redes sociais, exibia correntes, anéis e um cartão black, associado à alta renda, além de mostrar o carro da marca BMW, que descrevia como “sonho”. Prisão Não há confirmação pública de que a extradição tenha sido efetivada. Apesar do histórico judicial, A Tribuna apurou que a morte do uruguaio não tem relação com os processos ou com o pedido de extradição. De acordo com informações obtidas pela reportagem, o governo uruguaio acionou a Justiça brasileira para localizar e extraditar Piriz, que estaria morando no país. Ele era investigado por golpes aplicados pela internet, envolvendo a venda fraudulenta de produtos como peças automotivas, suplementos e calçados. As vítimas realizavam os pagamentos, não recebiam os itens e eram bloqueadas após as transações. O prejuízo estimado ultrapassaria 300 mil pesos uruguaios. Em setembro de 2023, o STF determinou a prisão preventiva de Piriz para fins de extradição. Ele chegou a ser detido e ouvido pela Justiça Federal. No ano seguinte, o pedido foi autorizado, mesmo após a defesa alegar que os crimes poderiam ser considerados de menor gravidade no Brasil. O caso Piriz foi baleado durante a queima de fogos do Réveillon na Praia da Enseada. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), um grupo se aproximou de um policial de 43 anos, que estava de folga, e um dos suspeitos fez menção de sacar uma arma. O agente reagiu, dando início a uma troca de tiros. Os suspeitos fugiram, mas o uruguaio foi atingido no abdômen. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Santo Amaro, em estado grave, mas a morte foi confirmada no fim da tarde do mesmo dia. A pistola calibre .40 do policial foi apreendida para perícia, e o caso foi registrado na Delegacia Sede de Guarujá. As investigações continuam para identificar os envolvidos e esclarecer as circunstâncias do ocorrido.