Durante a ação, além das anotações, também foram apreendidas joias, relógios, documentos e diversos objetos de valor (Polícia Civil) O homem apontado pela Polícia Civil como responsável pelo controle financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Baixada Santista foi preso em um apartamento de alto padrão no bairro do Morumbi, na capital de São Paulo. Segundo a corporação, Alex Amaro de Oliveira, conhecido como “Barba”, comandava três pontos de venda de drogas que geravam uma receita diária de até R\$ 150 mil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A prisão ocorreu durante megaoperação deflagrada por equipes da Polícia Civil de Santos, no litoral de São Paulo, como parte de uma investigação que teve início na Baixada Santista. Também foi detido um funcionário de Barba, que, de acordo com as autoridades, o ajudava a transferir o dinheiro do tráfico da região para a liderança da facção. A Polícia Civil informou que o esquema financeiro operado por Barba foi detalhado em anotações encontradas no apartamento onde ele foi detido. Os registros indicavam que cada ponto de venda de drogas poderia render de R\$ 40 mil a R\$ 50 mil diariamente. Esses locais funcionavam como uma espécie de “franquia” para a facção. Vida de luxo e ostentação Ainda segundo a Polícia Civil, Barba foi surpreendido enquanto dormia e não resistiu à prisão. No imóvel estavam também sua esposa e os quatro filhos do casal, todos menores de idade. A investigação revelou que ele levava uma vida de ostentação, com carros de alto valor, como BMW, Range Rover e até um Tesla – todos avaliados em mais de R\$ 300 mil. A polícia informou que Barba teria ascendido dentro da facção criminosa após a morte do antigo tesoureiro, Alexsandro Roberto Pereira, o “Palito”, em novembro de 2024. Com isso, ele teria deixado uma comunidade carente e passado a viver em um apartamento luxuoso, suspeito de ter sido adquirido com dinheiro do tráfico, o que levanta indícios de lavagem de dinheiro. Durante a ação, além das anotações, também foram apreendidas joias, relógios, documentos e diversos objetos de valor. A polícia encontrou brinquedos espalhados no apartamento, que possui varanda gourmet, lareira, sala de jantar e um quarto em desordem com um espelho quebrado. Morte do antigo tesoureiro O antigo tesoureiro do PCC, conhecido como Palito, foi assassinado em novembro de 2024, na Zona Sul da capital paulista. Segundo relato da esposa à polícia, ele foi baleado dentro do bar do casal por dois homens que chegaram em uma moto com a justificativa de fazer uma entrega. Um cliente também foi atingido durante o ataque. Palito havia sido alvo de escutas da Polícia Federal (PF), nas quais se mostrava revoltado com a transferência de Marcola, o líder da facção, e outros integrantes do grupo para presídios federais em 2019. Na época, ele criticou duramente o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Balanço da operação A prisão de Barba fez parte de uma ampla operação conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6), que abrange as 24 cidades do litoral e do interior sul paulista. A ação teve como foco o esclarecimento de crimes nas regiões da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. Após cerca de um mês de investigações com o uso de ferramentas de inteligência, os policiais deram início à operação na manhã da última quarta-feira (25). Os trabalhos se estenderam até o meio-dia de quinta-feira (26). Ao todo, foram 36 prisões em flagrante, 11 adolescentes apreendidos e o cumprimento de 68 mandados de busca e 29 de prisão. Também foram recolhidos 36 veículos, peças de motos, quatro armas e aproximadamente 78 kg de drogas. Durante a ação, os agentes localizaram um desmanche clandestino de motocicletas em frente ao Cemitério do Paquetá, em Santos. Outra prisão foi a de uma mulher acusada de levar o próprio irmão para ser julgado pelo “Tribunal do Crime” do PCC, em Cubatão.