Ruy Ferraz Fontes foi executado a tiros durante uma emboscada no bairro Nova Mirim, em Praia Grande (Matheus Croce/ TV Tribuna e Reprodução/ Prefeitura de Praia Grande) O secretário de Administração de Praia Grande, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, executado em uma emboscada ao sair da Prefeitura na noite desta segunda-feira (15), foi alvo de mais de 20 tiros de fuzil. Ele foi pioneiro nas investigações contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. Durante o atentado, dois pedestres — um homem e uma mulher — também foram baleados. Dois veículos foram encontrados, sendo um deles o carro utilizado pelos criminosos, localizado incendiado pela polícia pouco depois do crime. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o delegado geral de São Paulo, Arthur Dian, os criminosos atiraram mais de 20 vezes e atingiram "grande parte do corpo" de Ruy Ferraz Fontes. A polícia encontrou carregadores de fuzil no local do crime. "Atingiram grande parte do corpo. Braços, pernas e abdômen. Foram diversos disparos", explicou Dian, em entrevista no lugar da emboscada. Jurado de morte pelo PCC Fontes ficou conhecido pelo combate ao crime organizado e chegou a ser jurado de morte pelo PCC em 2019, após a transferência do líder da facção, Marcola, para um presídio federal. O secretário e ex-delegado de polícia foi morto na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, no Bairro Nova Mirim, por volta das 18h. Imagens de uma câmera de monitoramento flagraram o assassinato. Nelas, é possível ver o carro preto conduzido pelo secretário passando em alta velocidade por um cruzamento durante a emboscada. O veículo foi fechado por um ônibus intermunicipal e capotou. Outro coletivo também ficou parado ao lado direito do automóvel. Na sequência, uma SUV preta parou ao lado do ônibus, três homens encapuzados desceram armados com fuzis e executaram o secretário. Em seguida, retornaram ao carro e fugiram em disparada. (Veja o vídeo abaixo) -Veja o vídeo (1.479709) Baleados Um homem e uma mulher também foram atingidos no atentado que culminou na morte do secretário. Os dois foram socorridos por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados à UPA Quietude. Segundo a Prefeitura de Praia Grande, ambos não correm risco de morte e foram transferidos para o Hospital Municipal Irmã Dulce, onde seguem recebendo atendimento. PCC Em 2019, uma investigação conjunta entre o Ministério Público e a Polícia Civil desarticulou uma célula do PCC que administrava o tráfico e outros negócios da facção na Zona Leste de São Paulo. Na ocasião, havia uma “missão” contra Fontes — uma ordem de execução — que não foi cumprida devido à prisão dos integrantes envolvidos. A missão não deu certo após a prisão de alguns dos criminosos, entre eles Decinho, que chegou a dividir cela com Marcola e era considerado um de seus homens de confiança na Zona Leste. Carro localizado A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que policiais militares atenderam rapidamente à ocorrência e localizaram o veículo utilizado pelos criminosos no assassinato de Ruy Ferraz Fontes, que foi encontrado incendiado. Outro automóvel também foi achado carregado com armas e munições. A cena do crime foi preservada para perícia. O caso foi registrado na Polícia Civil. De acordo com a SSP, equipes estão em campo realizando diligências e utilizando ferramentas de inteligência para identificar, prender e responsabilizar os envolvidos na emboscada. A SSP-SP e a Prefeitura de Praia Grande lamentaram a morte de Fontes. “O delegado Ruy dedicou mais de 40 anos à Polícia Civil de São Paulo. Estava atualmente aposentado da instituição, exercendo a função de secretário de Administração em Praia Grande. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de destaque, como Delegado Geral de Polícia, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital, além de ter atuado em unidades como o Deic, Denarc e DHPP”, destacou a SSP em nota. Carreira Ruy Ferraz Fontes era graduado em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e pós-graduado lato sensu em Direito Civil pela mesma instituição. Delegado de polícia por mais de 40 anos, possuía especialização em Administração Geral e Financeira em Órgãos Públicos e realizou cursos complementares, como o Curso Anti-Drogas e Anti-Terrorismo, promovido pelo Ministério do Interior e da Segurança Pública da Polícia Nacional da França, além do Curso de Aperfeiçoamento sobre Repressão às Drogas, em Vancouver, pela Polícia Montada do Canadá. Iniciou a carreira como delegado titular da Delegacia de Polícia de Taguaí (Deinter 7) e foi delegado-geral de São Paulo entre 2019 e 2022. Ao longo dos anos, atuou como delegado assistente da Divisão de Homicídios do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP); delegado titular da 1ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes do Denarc; delegado titular da 5ª Delegacia de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos do Deic, além de comandar outras delegacias e divisões na capital paulista. Também esteve à frente da Delegacia Geral de Polícia do Estado de São Paulo e foi diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). Atuou ainda como professor assistente de Criminologia e Direito Processual Penal na Universidade Anhanguera e como professor de Investigação Policial na Academia da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Secretário se manifesta Nas redes sociais, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, lamentou a morte de Fontes: “Determinei integração de força-tarefa, com prioridade definida pelo governador Tarcísio, para prender os criminosos. O procurador-geral de Justiça ofereceu o apoio do Gaeco”.