Reconstituição do crime foi fundamental para entender dinâmica do assassinato (Redes sociais e Vanessa Rodrigues/AT) A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o assassinato de Amanda Fernandes, morta a tiros e com 51 facadas pelo sargento da PM Samir Carvalho dentro de uma clínica médica em Santos. Para a TV Tribuna, a delegada responsável pelas investigações, Deborah Perez Lázaro, revelou que o suspeito não demonstrou arrependimento pelo crime em nenhum momento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime aconteceu no dia 7 de maio, dentro de uma clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Marapé. Samir foi preso em flagrante e a esposa teve a morte constatada no local. A filha do casal, de 10 anos, sofreu ferimentos e ficou internada por três dias. No último dia 22, foi realizada a reconstituição do crime. Em entrevista à TV Tribuna, Deborah Lázaro disse que todos os envolvidos foram ouvidos e os laudos foram juntados no inquérito policial, que foi encaminhado ao Fórum de Santos. Além de ter sido indiciado por feminicídio, ela afirmou que Samir também deverá responder por tentativa de homicídio contra a filha. A delegada ressaltou que a reconstituição foi essencial para o esclarecimento da dinâmica da ocorrência e conclusão do inquérito. A partir disso, o Ministério Público (MP) deve avaliar o documento e decidir se há provas suficientes para oferecer uma denúncia e levar o caso à Justiça. “A motivação foi ciúmes. Ele achava que a Amanda o estava traindo. Coisa que não aconteceu, mas ele achava. E essa foi a causa deste crime horrível”, disse Deborah à TV Tribuna. Deborah ainda ressaltou que a conduta dos agentes está sendo investigada por meio de um inquérito instaurado pela Polícia Militar (PM), que deve decidir se eles serão penalizados ou não. A reportagem solicitou informações à corporação, mas ainda não teve retorno. Reconstituição Seis versões do assassinato de Amanda Fernandes, morta a tiros e 51 facadas pelo sargento Samir Carvalho, foram reproduzidas na reconstituição do crime. Para o Ministério Público (MP), o crime foi realizado de forma premeditada por Samir, e a denúncia deve ser oferecida solicitando uma pena de até 70 anos de prisão. Para o promotor Fábio Perez, que acompanhou a reconstituição, os trabalhos elucidaram a dinâmica do crime, evidenciando a frieza do acusado e que o assassinato foi premeditado. “Que nos levam a crer que não há limites para a crueldade humana”, comenta. De acordo com ele, o órgão deve denunciar Samir por feminicídio consumado (a morte de Amanda) e uma tentativa de homicídio contra a filha, que foi baleada nas pernas e quebrou o braço. “No mínimo, ele assumiu o risco de matar essa menina”, diz Fábio. A reconstituição indicou que Samir escondeu uma arma de fogo e um punhal dentro das calças para acessar o consultório, onde houve uma discussão. A mulher, ao entrar na sala do médico, teria acionado a Polícia Militar (PM) e se escondido. Samir teria sido abordado no local, no entanto, o promotor disse que a perícia ainda não apontou se ele foi revistado. Em um determinado momento, após o médico abrir a sala em que as vítimas estavam, Samir sacou a arma e disparou três vezes contra a Amanda. Ele ainda golpeou a mulher com 51 facadas. De acordo com o advogado da família de Amanda, Claudino Vicente dos Santos, que também acompanhou a reconstituição, os PMs estavam a cerca de dois passos de Samir. “Agora, qual vai ser a explicação deles (policiais que atenderam a ocorrência) para não terem agido? A gente vai ter que aguardar, mas sem dúvida nenhuma não agiram (...) Está claro que Amanda está morta porque houve omissão do Estado”, disse Claudino. Ele ainda revelou, entre as possibilidades, que a defesa solicitará à Justiça uma pensão por parte do Estado à família, visando garantir a estabilidade financeira para cuidar das crianças. “Nesse momento, a família está focada em como cuidar de três órfãos”, disse. “O promotor é muito competente. A Polícia Científica está dando todo apoio. A Polícia Civil está fazendo o trabalho dela. Eu tenho certeza que tudo vai ser conduzido da melhor forma. Agora, ainda há de ser esclarecido. Porque nada foi feito para proteção dela”, conclui Claudino. Para o advogado Paulo de Jesus, que defende Samir, a reconstituição foi esclarecedora. Ele destacou que o réu participou da reconstituição até por volta das 14h30, quando foi levado de volta ao presídio militar Romão Gomes, em São Paulo. “Ele contribuiu até determinado momento. A partir daí, ele afirmou que não se recordava. A defesa se reserva ao direito de não dizer exatamente qual etapa isso se deu, até em razão da defesa dele”, ressalta. No entanto, a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, Déborah Lázaro, disse que a contribuição de Samir não foi significativa. “Ele não se lembrava de nada. Para mim, não houve contribuição alguma”, conta. Paulo de Jesus destacou que o réu ainda deve passar por um interrogatório na fase do inquérito policial. “Tudo isso vai ser reprisado na fase processual. Então a defesa vai se manifestar oportunamente quando essas provas vierem aos autos”, comentou.