Amanda Fernandes foi morta pelo marido e sargento da PM Samir Carvalho, que também feriu a filha, de 10 anos, em Santos (Reprodução/ Instagram e Reprodução) Foi marcada para o próximo dia 25 de novembro, às 14h, a audiência de instrução e julgamento do sargento da Polícia Militar (PM) Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, que deverá ocorrer de forma virtual. O militar matou a esposa, a empresária Amanda Fernandes de Carvalho, de 42 anos, e atirou na filha de 10 anos em clínica de dermatologia e estética na Vila Belmiro, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nessa etapa é quando o juiz colhe todos os depoimentos, ouve as testemunhas e pode, inclusive, receber novos documentos dos advogados. Estado mental O juiz determinou que seja feita uma perícia médica para avaliação do estado mental do PM, a fim de determinar se ele tinha ou não consciência no dia do crime. O crime O assassinato aconteceu por volta das 15h do dia 7 de maio deste ano, em uma clínica de dermatologia e estética localizada na Avenida Senador Pinheiro Machado, no bairro Vila Belmiro, em Santos. A filha do casal, de 10 anos, foi baleada no antebraço e nas pernas, na tentativa de salvar a mãe, e ficou internada por seis dias. Segundo o boletim de ocorrência, Amanda estava no local acompanhada da filha e aparentava comportamento calmo. Minutos depois, Samir chegou ao estabelecimento e permaneceu na recepção com elas. Depois de um curto período, a empresária foi ao banheiro com a filha e, ao retornar, ainda aparentava tranquilidade. Ela, então, afastou-se sozinha e pediu à recepcionista, de forma discreta, que acionasse a polícia, dizendo estar sendo ameaçada. Em seguida, Amanda e a filha se abrigaram na sala do dermatologista, proprietário da clínica, relatando que o marido estava armado e ameaçava matá-la. De imediato, o médico trancou a porta da sala, fez uma barricada com cadeiras e tentou acionar a polícia. O boletim afirma que, quando os PMs chegaram ao local, acreditaram que Samir não estava armado, já que ele teria levantado a blusa e apresentado um temperamento calmo. Os agentes, então, pediram que ele se afastasse da porta para que o médico pudesse abri-la. Quando isso ocorreu, Samir prontamente começou a disparar contra as vítimas. Conforme apurado por A Tribuna, que esteve no local do crime, o PM ainda teria desferido facadas contra a mulher. Após o crime, Samir foi preso, conduzido à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos e, em seguida, foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, onde está desde então. 51 facadas Conforme o laudo necroscópico obtido por A Tribuna, Amanda foi atingida por 51 facadas e três disparos de arma de fogo, que causaram múltiplas lesões no rosto, tórax, braços, mãos, abdômen, costas e coxas. Ela também sofreu uma facada abaixo da orelha direita. Os tiros acertaram as regiões do peito e do braço. O laudo revelou ainda lesões internas fatais no fígado e nos pulmões, além de sinais de defesa nos braços e mãos. A causa da morte foi anemia aguda por hemorragia interna traumática, provocada pelos ferimentos à bala. Histórico de agressões O casal estava junto há cerca de 13 anos. Amanda já enfrentava um histórico de violência doméstica por parte do marido e havia sido ameaçada de morte anteriormente. As informações foram confirmadas por um amigo e sócio da empresa de comércio exterior da qual Amanda era proprietária — a identidade dele foi preservada por questão de segurança. Segundo pessoas próximas, o policial demonstrava comportamento violento e possessivo. “Ela não tinha liberdade; até o WhatsApp dela era monitorado por ele. Tudo o que ela conversava, ele sabia”, relatou uma amiga.