Em plano anterior do PCC, Ruy Ferraz Fontes (à esquerda) foi salvo pelo então tenente da Rota Guilherme Derrite, hoje secretário da Segurança Pública de São Paulo (Vanessa Rodrigues/ Arquivo AT e Divulgação/ Prefeitura de Praia Grande) Executado a tiros nesta segunda-feira (15), em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o ex-delegado-geral de São Paulo e secretário de Administração de Praia Grande, Ruy Ferraz Fontes, já havia sido alvo de um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2010. A informação foi revelada pelo promotor Lincoln Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em entrevista à GloboNews. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Gakiya, ele próprio descobriu a trama para assassinar Fontes na saída do 69° Distrito Policial, na Zona Leste da Capital. A investigação apontou que integrantes do PCC aguardavam o então delegado com fuzis para executar o crime. “Em 2010, graças a uma investigação minha, nós conseguimos salvar a vida do doutor Ruy porque assassinos do PCC iriam matá-lo defronte ao 69° DP. Nós conseguimos acionar a Rota e, se não me engano, quem atendeu essa ocorrência foi o então tenente Guilherme Derrite – hoje secretário de Segurança Pública – e logramos êxito em prender dois assassinos com fuzis, que estavam lá a mando do PCC naquela época, para assassinar o doutor Ruy”, disse o promotor. Na ocasião, a ação policial terminou com a prisão de Francisco Aurilio da Silva de Melo, conhecido como XT. Com ele, foram apreendidos um fuzil M-16, uma pistola Taurus calibre .380, três carregadores e 87 munições. Alvo do PCC desde 2006 Gakiya destacou ainda que Ruy era alvo da facção desde 2006, após ter participado da idealização do projeto que transferiu todas as lideranças do PCC para a Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior do estado. “O Ruy era o policial do país que mais entendia de PCC. Trabalhou nessas investigações desde o início. Ele estava jurado de morte pelo PCC desde 2006. E foi um dos responsáveis pela ideia de transferir todas as lideranças do PCC para um único presídio, que era a Penitenciária II de Presidente Venceslau. O Ruy foi um dos idealizadores dessa ideia naquela época. Isso foi reconhecido como uma afronta ao crime organizado”, afirmou o promotor à GloboNews. Execução O secretário e ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi perseguido e executado por criminosos em Praia Grande (Reprodução) Ruy Ferraz Fontes foi morto a tiros de fuzil no bairro Nova Mirim, em emboscada ao sair da Prefeitura, no início da noite desta segunda-feira (15). Ao ser perseguido por veículo com três criminosos encapuzados armados com fuzis, o carro do político capotou. Tia e sobrinho também foram baleados pelos bandidos, socorridos e encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude e, em seguida, ao Hospital Irmã Dulce. A tia já foi liberada do hospital, mas o sobrinho permanece internado para a sequência dos atendimentos, informa a Prefeitura. De acordo com a mãe, sua filha sofreu dois tiros na perna, enquanto o neto levou um disparo A execução aconteceu na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas. Imagens de câmeras de monitoramento mostram que o carro preto onde o secretário estava passou em alta velocidade pelo cruzamento durante a emboscada. Nessa hora, o automóvel foi fechado por um ônibus e capotou. Na sequência, outro carro preto parou no local e dele saíram três homens encapuzados com fuzis, que executaram o secretário e fugiram em disparada. Criminosos identificados (Reprodução) Por meio de publicações nas redes sociais, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, informou que dois participantes da execução do secretário foram identificados. Segundo Derrite, a polícia vai solicitar a prisão temporária dos envolvidos.