O homem baleado não prestou depoimento, porque estava hospitalizado e sem condições de apresentar sua versão sobre o tiroteio e perseguição em Praia Grande (Reprodução) A perseguição pelas ruas da Vila Sônia, em Praia Grande, que terminou com troca de tiros, um homem baleado e a apreensão de um veículo furtado e adulterado, em 30 de outubro, teve detalhes revelados. A Tribuna teve acesso ao relatório policial que detalha toda a ocorrência, reunindo depoimentos de guardas civis municipais, testemunhas e decisões da autoridade policial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o documento, uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) realizava patrulhamento quando recebeu um alerta sobre um Chevrolet Prisma com placa suspeita de ser “dublê”. O veículo foi localizado momentos depois, mas o motorista não obedeceu à ordem de parada, mesmo com sinais sonoros e luminosos. Conforme o boletim, o carro seguiu por diversas ruas em fuga até entrar em uma via sem saída, que termina em área de mangue. Quando o automóvel reduziu a velocidade, as quatro portas se abriram simultaneamente, e o veículo seguiu desgovernado até colidir com outro carro parado. Duas jovens correram em direção às moradias próximas, enquanto dois homens fugiram para dentro da vegetação. Segundo os guardas, ao desembarcarem da viatura, foi ouvido um disparo vindo da área de mata. Um dos agentes respondeu com tiros e, após nova sequência de disparos, efetuou outros dois. Logo depois, a equipe relatou ter escutado um pedido de socorro indicando que um dos homens havia sido atingido na perna. A Polícia Militar chegou em apoio e localizou o ferido ao lado de uma pistola falsa (simulacro), que foi apreendida. O socorro foi realizado por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que encaminharam o homem para o Hospital Irmã Dulce, onde permaneceu internado sob escolta. Legítima defesa A autoridade policial registrou que a ação dos guardas configurou lesão corporal decorrente de intervenção policial, mas apontou indícios de legítima defesa, já que havia a percepção de agressão armada contra os agentes. Conforme a vistoria preliminar descrita no boletim, a placa que o carro ostentava não era reconhecida pelo sistema de checagem. A consulta ao chassi indicou outra combinação de placa, enquanto o módulo eletrônico do veículo e o chassi do painel apontaram uma terceira, pertencente a um automóvel furtado dias antes em São Vicente. Diante das irregularidades, o veículo foi apreendido para perícia. Versão das mulheres As duas jovens que estavam no carro prestaram depoimento confirmando que estavam retornando de outro bairro quando o grupo encontrou a viatura da GCM. Segundo elas, o motorista decidiu não parar mesmo após o sinal de abordagem, ignorando os pedidos para que estacionasse. Ambas relataram ter ouvido disparos durante a fuga, mas afirmaram que não viram nenhum dos homens com arma. Elas também disseram que, ao chegarem ao mangue, correram por medo, enquanto os homens fugiram para dentro da vegetação. De acordo com a decisão da autoridade policial responsável, o homem baleado foi indiciado por receptação, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, tentativa de homicídio qualificada contra os dois guardas civis e lesão corporal decorrente de intervenção policial. A análise registrou a existência de elementos suficientes para a prisão em flagrante. O delegado também representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, citando a gravidade concreta dos fatos e o risco de ineficácia de medidas cautelares alternativas. A pistola falsa encontrada, a arma funcional do guarda, o celular apreendido e as munições foram encaminhadas para perícia. Segundo o documento, o homem não prestou depoimento porque estava hospitalizado e sem condições de apresentar sua versão.