Estudo aponta os batalhões com maior índice de letalidade na Baixada Santista (Reprodução/ Prefeitura de Santos) O Fórum Popular de Segurança Pública e Política de Drogas de São Paulo lançou o Mapa da Letalidade Policial por Batalhão, que traz dados do primeiro semestre de 2025 (janeiro a junho) para a Capital. Em relação à Baixada Santista, no litoral de São Paulo, os dados englobam o ano de 2024 e o primeiro semestre de 2025. O levantamento inédito também inclui o ranking dos batalhões mais letais dessas regiões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Baixada Santista: letalidade concentrada em territórios periféricos Segundo o estudo, a letalidade policial continua fortemente racializada e concentrada em áreas periféricas, mesmo após o fim das operações Escudo e Verão. O levantamento foi construído a partir do método do projeto “Os 9 que Perdemos”, do Caaf/Unifesp, e segue as orientações da cartilha “Passo a passo: Monitore a letalidade policial no seu território”. No ano de 2024, o 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) foi o que registrou maior número de mortes em ocorrências, com 44 casos. Ele abrange as cidades de Guarujá, Cubatão e Bertioga. Na sequência, vem o 6º BPM/I, responsável pelo patrulhamento em Santos, com 41 mortes, e o 39° BPM/I, de São Vicente, com 37. Por fim, o 29º BPM/I (Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe) e o 45º BPM/I (Praia Grande) tiveram seis e quatro mortes registradas, respectivamente. A discussão completa e os rankings detalhados estão disponíveis no site do Fórum. Confira os dados mais abaixo. Ranking dos batalhões mais letais da Baixada Santista em 2024 1º – 21º BPM/I – 44 mortes 2º – 6º BPM/I – 41 mortes 3º – 39º BPM/I – 37 mortes 4º – 29º BPM/I – 6 mortes 5º – 45º BPM/I – 4 mortes 2025 (1º semestre) 1º – 21º BPM/I – 11 mortes 2º – 6º BPM/I – 5 mortes 3º – 39º BPM/I – 5 mortes 4º – 29º BPM/I – 3 mortes 5º – 45º BPM/I – 2 mortes Perfil das vítimas em 2024: 32% tinham entre 18 e 29 anos 66,6% eram pessoas pretas ou pardas Em 2025: 57% tinham entre 18 e 19 anos 65,3% eram pretos ou pardos Autoria das mortes 2024: Polícia Militar: 132 ocorrências (122 em serviço, 10 em folga) Polícia Civil: 0 2025: Polícia Militar: 24 de 26 mortes (22 em serviço, 2 em folga) Polícia Civil: 2 mortes O Fórum reforça que o estudo evidencia padrões persistentes de violência e alerta para a necessidade de monitoramento contínuo da atuação policial, com foco em transparência e proteção à população mais vulnerável. Posicionamento da polícia O Comando de Policiamento do Interior Seis (CPI-6) observou, em nota, que a pesquisa não considerou a atuação de unidades especializadas que, periodicamente, reforçam o policiamento nos municípios da Baixada Santista. “Esse aspecto é fundamental, pois a forma como os dados foram apresentados atribui as ocorrências com resultado morte do criminoso diretamente ao batalhão responsável pelo policiamento territorial do município de registro, sem destacar a participação dessas unidades de caráter regional. Essa interpretação pode gerar uma percepção que não corresponde à realidade operacional”, destaca o CPI-6, em nota. Ainda de acordo com a corporação, os números relacionados a confrontos precisam ser analisados também sob a ótica das investidas contra a Polícia Militar. “Em 2024, foram registradas 145 casos que atentaram contra a vida de policiais militares em serviço na Baixada Santista. Já em 2025, até o momento, contabilizamos 86 ocorrências dessa natureza, evidenciando a constante exposição da tropa diante da criminalidade”. Por outro lado, “os resultados obtidos no enfrentamento à violência têm se mostrado expressivos: excetuando o latrocínio, que manteve com o mesmo número, todos os dados criminais tiveram queda em 2024, contando, inclusive, com uma redução histórica de aproximadamente 53% no crime de roubo de carga. Inclusive, essa tendência de queda continua em 2025, confirmando os avanços alcançados pelas ações preventivas e repressivas da Polícia Militar em toda a região”.