Orientação é registrar ocorrência na Polícia Civil, para investigação (Alexsander Ferraz/AT) Criminosos de outros estados estão cometendo o golpe do bilhete de loteria premiado contra idosos na Baixada Santista. A Polícia Civil identificou suspeitos que alugaram flats, imóveis de temporada e veículos para se estabelecer em Santos e, dias depois, ir embora do litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As informações são do delegado titular do 7º Distrito Policial (DP), no Gonzaga, Jorge Álvaro Gonçalves Cruz. A falta de integração automática de sistemas da polícia de São Paulo — como Muralha Paulista, Infocrim e bancos de identificação de impressões digitais — com os de outros estados dificulta a captura de estelionatários. Independentemente da origem dos bandidos, eles agem de modo teatral e tradicional. Em geral, uma mulher bem-vestida diz estar perdida, pede informações à vítima e afirma estar com um bilhete de loteria. A seguir, um comparsa aparece, fingindo não conhecer a pessoa que requer ajuda. Nessa abordagem, os golpistas simulam ligações para bancos e citam nomes e CPFs em voz alta, para dar credibilidade ao ato criminoso. Nele, dizem à vítima que precisam de ajuda para retirar ou, mesmo, se desfazer do falso prêmio. Pedem a ela que faça um saque ou transfira dinheiro, com a promessa de lhe dar parte do valor. Daí, o golpe é consumado. O delegado enfatiza que os criminosos não escolhem as vítimas pelo poder aquisitivo, mas pela circunstância. “É um golpe antigo, passado de pai para filho. (...) Eles vão andando e procurando quem se encaixa no perfil. Parece que estão caçando a vítima”. Desconfiar sempre Jorge Álvaro Cruz afirma que a “palavra-chave” para escapar de golpistas é “desconfiar”. “Não existe bilhete premiado sendo negociado na rua. A vítima precisa ligar para um familiar e nunca entrar em carros de desconhecidos”, orienta. O delegado também pede que bancos comuniquem à polícia movimento atípico em contas bancárias e ajam de forma coordenada com os órgãos de segurança. “A vítima vai lá, saca R\$ 5 mil, R\$ 10 mil, R\$ 15 mil. As agências precisam ligar para a delegacia.” Quanto aos idosos prejudicados, não devem ter vergonha de contar à família o que houve. “Muitos idosos sentem vergonha e não contam para familiares. Alguns demoram dias para registrar o boletim, e isso prejudica a investigação”, adverte. Para Cruz, o principal instrumento de prevenção é a ruptura do convencimento (Alexsander Ferraz/AT) Orientação é registrar ocorrência De outubro para cá, quatro idosos foram enganados em Santos. Os casos foram registrados na Polícia Civil. Em 1º de outubro, uma mulher de 69 anos foi abordada perto da Rua República Argentina, no Gonzaga. Uma golpista pediu ajuda para achar um escritório de advocacia, e outro se aproximou e fingiu conhecer o local. A estelionatária dizia ter um bilhete premiado de R\$ 9 milhões, mas que o escritório lhe pagaria somente R\$ 20 mil por ele. Os dois levaram a vítima de carro à casa dela, onde pegou seu cartão bancário e fez saques de R\$ 7,4 mil. A dupla a enganou e fugiu com o dinheiro. Em 3 de novembro, uma mulher com sotaque interiorano abordou uma idosa de 77 anos na Rua Carlos Affonseca, no Gonzaga. Relatou ter ganho na loteria, mas que não poderia ficar com o prêmio por motivos religiosos. Um homem se aproximou das duas. A golpista ofereceu o falso bilhete por R\$ 30 mil e prometeu dar R\$ 1,5 milhão para cada um. Em saques e transferências, inclusive por celular, a vítima perdeu R\$ 18,3 mil. Outros bairros Em 6 de novembro, uma idosa de 74 anos foi abordada por um homem na Rua Vahia de Abreu, no Boqueirão, que lhe disse ter um bilhete premiado de R\$ 4 milhões, mas que não poderia sacá-lo por estar sem documentos. Outro homem chegou e disse que o ajudaria. De carro, os três foram a uma agência bancária, e a idosa sacou R\$ 7 mil. Combinaram de buscá-la à tarde para receber o falso prêmio. Sumiram. No dia 18 passado, uma mulher que afirmou procurar um brechó abordou uma idosa de 83 anos na Rua Ministro Xavier de Toledo, no Campo Grande. Contou ter um bilhete de R\$ 10 milhões. Um homem que se aproximou delas simulou ligar para um banco para confirmar a veracidade do bilhete. De carro, percorreram seis agências bancárias, e a vítima sacou R\$ 28 mil.