Polícia descobre central de telemarketing fake e prende quatro em São Vicente; vídeo

Central clandestina funcionava em um apartamento na Rua Freitas Guimarães, no bairro Boa Vista

Uma central clandestina de telemarketing que lesava clientes do Banco Santander foi descoberta na terça-feira (4) à tarde, em São Vicente, por policiais da 1ª Delegacia de Investigações Criminais de Santos. Um homem e três mulheres foram presos em flagrante, mas é certo o envolvimento de outras pessoas, ainda não identificadas.

A central clandestina funcionava em um apartamento alugado no Edifício Concorde, localizado na Rua Freitas Guimarães, 567, no Boa Vista. No imóvel foram presos Matheus Araújo Galvão, de 36 anos, que desempenhava a função do líder do escritório do crime, e três mulheres, que exerciam a tarefa de operadoras de telemarketing.

Bruna Cristina Pires de Barros, de 23 anos, Roberta de Souza Lima, de 34, e Fabíola Flávia Silva, de 39, ocupavam cabines distintas, todas equipadas com notebook, telefone e outros equipamentos eletrônicos destinados à execução dos golpes. “Alô. É da Central de Relacionamento do Banco Santander”, diziam elas ao iniciar as ligações.

Todo o material encontrado na central fake foi apreendido (Foto: DIvulgação/Polícia Civil)

As pessoas para as quais as mulheres telefonavam são clientes do Santander. As acusadas tentavam enganá-las oferecendo-lhes linhas de crédito e outros produtos bancários. Como forma de gerar confiança às vítimas, o grupo lhes enviava supostos links sobre tais serviços, mas eles tinham a função de copiar dados bancários quando fossem clicados.

Segundo o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, titular da 1ª Delegacia, que é subordinada à Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), os computadores apreendidos na central fake já possuíam em seus arquivos dados sobre os alvos da quadrilha. Os policiais apuram como os acusados obtiveram essas informações.

Duas advogados se dirigiram à delegacia. Os acusados invocaram o direito constitucional de apenas falar em juízo. O delegado Luiz Eduardo Lino de Sousa os autuou pelos delitos de estelionato e integrar organização criminosa. Os crimes não admitem fiança extrajudicial. As suas penas somadas variam de quatro a 13 anos de reclusão.

Central funcionava em um apartamento na Rua Freitas Guimarães, no Boa Vista (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Divisão dos golpes

De modo informal, duas acusadas revelaram que o grupo da central clandestina de São Vicente ganhava 25% dos valores desviados das contas das vítimas. Deste montante, Matheus ficava com 15% de cada transação ilícita, repassando os 10% restantes apenas à operadora de telemarketing responsável pelo golpe.

O destino da maior parte do dinheiro desviado (75%) é investigado. Suspeita-se que Matheus seja líder de uma célula de organização criminosa com ramificações em outras cidades e até outros estados. Os equipamentos eletrônicos apreendidos com os acusados serão periciados. Os seus arquivos podem conter informações de mais envolvidos.

O Santander foi avisado sobre o flagrante e enviou um representante até a delegacia. Segundo o funcionário, os autuados não possuem qualquer vínculo com a instituição. Ele disse que, além dos prejuízos econômicos dos clientes, o banco sofre prejuízo moral com as fraudes, porque tem o seu nome e logotipo utilizados indevidamente. 

Polícia acredita que mais pessoas estejam envolvidos no esquema da central telemarketing fake (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
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