Operação evita o furto de 3 toneladas de grãos e resgata 40 animais no Litoral de SP; VÍDEO

Ação integrada entre a Polícia Civil e a Marinha do Brasil ocorreu entre Santos e Guarujá

Por: Diogo Menezes  -  12/02/24  -  07:50
Atualizado em 12/02/24 - 07:51
Carga de grãos foi encontrada sobre vagão em trem que fazia percurso Santos-Guarujá
Carga de grãos foi encontrada sobre vagão em trem que fazia percurso Santos-Guarujá   Foto: Deic/Deinter-6/Divulgação

Uma operação conjunta entre a Divisão Especializada de Investigações Criminais do Deinter 6/Santos (Deic) e a Marinha do Brasil desarticulou membros de uma associação criminosa que atua no roubo de cargas de trem na Baixada Santista e identificou uma propriedade onde foram constatadas práticas de crime ambiental. As ações ocorreram na última terça-feira (6) em Santos e Guarujá. Uma pessoa foi presa por furto qualificado.


Durante deslocamento até uma propriedade construída em uma área de preservação onde, de acordo com as investigações, funciona como ponto de armazenamento de drogas, os agentes da Deic e os oficiais da Marinha identificaram dois suspeitos furtando sacas de milho de um trem que foi parado sobre a ponte elevatória do canal de Bertioga.


Imediatamente eles foram até o local e conseguiram prender um dos envolvidos. “Foi o tempo de a gente chegar, avisar a segurança e fazer a detenção de um deles. O outro conseguiu fugir. Como nós estávamos na embarcação, não conseguimos ver por qual lado da ponte ele fugiu”, explica o delegado de Polícia Divisionário da Deic/Deinter-6, Fabiano Barbeiro.


Conforme o delegado, os criminosos haviam separado cerca de 3 toneladas de grãos de milho. A carga já estava sobre um dos vagões do trem. O objetivo era retirar a mercadoria quando chegasse em alguma comunidade próxima.


“Eles abrem o vagão, tiram a mercadoria e deixam em cima do vagão. Quando o trem entra na comunidade, o trem é parado novamente e o pessoal da comunidade retira as cargas. Eles fazem o trabalho de formiguinha, de retirar as sacas, uma a uma, para levar para os esconderijos.” (confira vídeo abaixo)


A Polícia Civil classifica esse tipo de ação como um sistema piramidal. Com a base composta por indivíduos que provocam a paralisação dos trens para praticar o furto. A segunda camada da pirâmide são os intermediários e organizadores, enquanto os destinatários finais da carga ocupam o topo.


O sistema ferroviário da Baixada Santista passa por quatro municípios: Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão, todo esse trecho fica em uma faixa de 7 Km de linha férrea. Entretanto, a quantidade de ocorrências ligadas a furtos de cargas em trens é grande nesse percurso, mas vem diminuindo, explica o delegado.


“No ano passado nós prendemos muita gente que vandalizam os trens para subtrair a carga, mas também prendemos muita gente que recepciona essa carga para fazer a revenda. Em 2022, foram 153 casos, em 2023 esse número caiu pela metade. Já a quantidade de pessoas dobrou, foram cerca de 300 pessoas detidas no ano passado.”


Depois de concluir a ocorrência, a operação seguiu para a propriedade investigada por tráfico de drogas e crime ambiental, próximo ao Canal Portuário, na área continental de Santos. Por se tratar de uma região de mata fechada e difícil acesso - por meio de manguezais - oficiais do Grupamento de Patrulha Naval deram suporte com duas embarcações, uma delas blindada. No total, foram deslocados 10 agentes da Deic, dois cães farejadores e 15 oficiais da Marinha do Brasil.


Porém, durante a fiscalização, não foi encontrada droga. O caseiro da propriedade se apresentou aos policiais e foi levado para prestar depoimento na Deinter-6.


No local, construído em uma área de proteção ambiental, foram encontrados cerca de 40 animais, entre gansos, porcos, galinhas, cães e gatos, a maioria deles em péssimas condições. “Não tinham sistema de água, higiene, muitos deles estavam magros, passando fome. Nós acionamos o Ibama e o Centro de Zoonoses para fazer o resgate. Um dos animais estava em situação de maus tratos e precisou ser socorrido ainda no local.”


A ação tem por objetivo combater a criação de áreas de difícil acesso utilizadas como refúgio, esconderijo, ou depósito de drogas e produtos ilícitos, afirma Barbeiro. Por se tratarem de propriedades amplas, podem armazenar uma grande quantidade de entorpecentes que, muitas vezes, podem ser preparados para o comércio local ou, segundo as investigações, preparados para serem comercializados para fora do país.


“Ali naquele local havia uma suspeita inicial para que a droga que estava ali poderia embarcar para a Europa, devido à proximidade com o Porto de Santos”, declara.


Apesar de não terem sido encontrados entorpecentes, diversos barris foram localizados, que, possivelmente, eram utilizados para armazenamento da droga. Outras três pessoas, responsáveis pelo terreno, foram identificadas e autuadas por crimes ambientais. As investigações continuam.


Logo A Tribuna
Newsletter