Operação da Polícia Civil prende 'serial killer' da peruca em Santos

Ele é apontado como executor de três irmãos ligados à Clínica Americana e tentar matar a tiros funcionária da rede de consultórios

Por: Eduardo Velozo Fuccia  -  29/11/18  -  13:52
Dentista usou óculos e peruca para emboscada; ao longo do tempo, mudou a fisionomia
Dentista usou óculos e peruca para emboscada; ao longo do tempo, mudou a fisionomia   Foto: Montagem

Em uma operação revestida do mais absoluto sigilo entre a Delegacia Especializada Antissequestro de Santos (Deas) e a cúpula da Polícia Civil na região, foi capturado na manhã desta quinta-feira (29), em Santos, o dentista Flávio do Nascimento Graça, de 39 anos, acusado de ser o 'serial killer da peruca'.


Tanto a Deas quanto o Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6) não prestam informações, por enquanto, sobre a prisão do homem acusado de matar três irmãos ligados à Clínica Americana e de tentar eliminar a tiros uma funcionária da rede de consultórios odontológicos.


Porém, com exclusividade, A Tribuna confirmou que Flávio já se encontra nas dependências da Deas. A localização do dentista não foi casual. Ela decorreu de um longo e paciente trabalho de monitoramento não só do acusado como também de pessoas ligadas a ele.


Com prisão preventiva decretada, o dentista era considerado o procurado da Justiça número 1 da região, pela quantidade dos crimes em série cometidos e também em razão da sua aparente frieza na execução dos ataques às vítimas.


A captura do 'maníaco da peruca', como o acusado ficou conhecido nos meios policiais, fecha com chave de ouro uma investigação iniciada na madrugada de 23 de dezembro de 2014, data do primeiro crime, quando ele baleou o empresário Agilson Correa de Carvalho, de 54 anos.


Esse ataque aconteceu na Avenida Floriano Peixoto, no Gonzaga, logo após o empresário sair de uma de suas clínicas. Atingida no antebraço e na nuca, essa vítima morreu após 72 horas. Após os disparos, o acusado fugiu correndo em direção à Rua Pereira Barreto.


Flávio do Nascimento Graça, de 39 anos, foi preso na manhã desta quinta, em Santos
Flávio do Nascimento Graça, de 39 anos, foi preso na manhã desta quinta, em Santos   Foto: Reprodução

Na noite de 15 de julho de 2015, dois irmãos e um sobrinho de Agilson também foram baleados, no Centro de Santos. Os três haviam acabado de sair da filial da clínica da Rua João Pessoa, quando pelas costas deles surgiu um atirador que usava peruca estilo black power.


Aldacy Correa de Carvalho, de 56 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Atingido na cabeça, Arnaldo Correa de Carvalho, de 54, ficou hospitalizado e faleceu em novembro. O sobrinho, de 21 anos, não morreu por sorte, porque os disparos o atingiram de raspão no nariz e na nuca.



Luz do dia


A vítima sobrevivente é S. A., de 40 anos. Ela sofreu emboscada no início da manhã de 23 de setembro de 2015, logo após prender com corrente e cadeado a sua bicicleta, na Rua Marcílio Dias, no Gonzaga.


Esterilizadora dos instrumentos da filial da clínica Americana localizada na Avenida Marechal Floriano Peixoto, perto do local do crime, S.A. trabalhou, entre 2007 e 2008, em um dos dois consultórios que Flávio possuía em São Vicente. Ambos faliram.


Com peruca loira e óculos de sol, Flávio não foi reconhecido pela ex-funcionária no momento da tocaia. O reconhecimento ocorreu após a vítima receber alta, depois de ficar 17 dias hospitalizada e ser convidada a reexaminar as imagens das câmeras.


Falência


Flávio já teve duas clínicas dentárias, denominadas Oral New, nos números 406 e 409 da Rua Martim Afonso, no Centro de São Vicente. Elas faliram após uma filial da Clínica Americana ser aberta nessa mesma via, no número 417.


O revés empresarial do dentista, simultaneamente ao crescimento da clínica concorrente, é apontado pela Polícia Civil como a motivação dos crimes em série.


O clichê de que 'não existe crime sem motivo' sempre foi uma preocupação dos policiais da Deas. “Não adianta fazermos prova apenas da autoria, se não conseguirmos indicar uma motivação plausível”, justificou o delegado Renato Mazagão Júnior, na época do esclarecimento dos casos.


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