Última briga foi registrada no entorno da EE Professora Maria Aparecida Pinto de Abreu Magno (Reprodução e Reprodução/ Facebook) Uma onda de violência entre estudantes da Escola Estadual (EE) Professora Maria Aparecida Pinto de Abreu Magno, em Bertioga, no litoral de São Paulo, tem causado preocupação e medo em pais e responsáveis. Conforme os relatos, as brigas e confusões têm acontecido com frequência dentro e fora da unidade de ensino há alguns meses, principalmente entre as meninas. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A última briga foi registrada na terça-feira (14). Nas imagens obtidas por A Tribuna, é possível ver alunas trocando tapas, puxões de cabelo e empurrões no meio da rua. Alguns pais entraram em contato com a reportagem e disseram que devem trocar os alunos de escola no ano que vem, por conta da onda de violência. Um deles disse que a filha foi atingida por um coco, e a outra, por uma pedrada na cabeça. A empresária e mãe de duas alunas que estudam na escola, Irismar Holanda Marques Molina, de 44 anos, afirmou que desde que suas filhas entraram na escola, há quase um ano, está ouvindo relatos de brigas no local. “As meninas (minhas filhas) chegam sempre falando que, inclusive dentro da sala de aula, toda hora tem ameaça. Existe muito grupinho que se forma, (e) pega algum desafeto de quem está dentro de outro grupo. Se uma delas não gostar, o grupo fica meio que perseguindo. Às vezes, acontece até de ir às vias de fato. Então, é um pouco complicado. Já aconteceu de uma das minhas filhas, (os alunos) ficarem ameaçando, (dizendo) que vão bater, xingar”, relata a mãe. -Onda de brigas escola Bertioga (1.484740) Coco e pedrada na cabeça Houve um episódio, neste ano, em que a filha mais velha de Irismar quase foi atingida por um coco na cabeça. "Ela estava em turminha de meninas conversando. Um menino pegou um coco e arremessou em direção a elas. Quase pegou na minha menina, passou bem rente e acabou pegando na lateral, nas costelas e no corpo de uma coleguinha dela”. Também teve um caso que, segundo a mãe, sua outra filha foi atingida com uma pedrada na cabeça, durante o torneio de interclasses. Nesse período, as meninas estavam brincando com a bola dentro da escola e, em determinado momento, a bola ficou presa numa árvore. Neste momento, um menino pegou uma pedra e tacou. "As colegas não sabem dizer se foi de propósito para machucar. Porque esse menino ficava falando para todo mundo que machucou a minha menina, deu uma pedrada na cabeça dela e rindo. Pegou um pouco acima do olho dela, entre o olho e a têmpora. Ficou um inchaço bem significativo”. Ainda de acordo com Irismar, seu marido registrou boletim de ocorrência e fez uma denúncia na escola. Ela contou que a diretora afirmou que ia tomar as devidas providências. Para resolver o problema, a mãe espera que haja mais efetivo de segurança, como policiais e guardas municipais, dentro e no entorno da unidade. Violência dura cerca de três meses Um pai, que teve a identidade preservada, afirmou que essas brigas já vêm acontecendo há cerca de três mês e que, por conta dessa onda de violência, deve tirar sua filha da unidade. “Uma vez, fui deixar ela na escola e a molecada estava brigando. Inclusive, vemos a molecada vindo de outra escola para poder brigar justamente com o pessoal do Maria Aparecida. Minha filha vem relatando direto que as meninas estão brigando”, diz o responsável. Por conta das brigas, ele contou que a sua esposa pediu, na segunda (13), para a filha não ficar perto dessas confusões. Entretanto, na terça-feira (14), o pai afirmou que a filha chegou da escola dizendo que havia acontecido uma briga no meio da rua. “As meninas estão tendo desavença entre elas e estão brigando. São todas alunas de 13, 14 anos”, conta o pai, relatando não saber o motivo concreto das confusões. Medo de uma tragédia Uma outra mãe, que preferiu não ser identificada, também ressaltou que têm acontecido muitas situações bem desagradáveis na escola. Ela fez um desabafo: “Muitas das vezes, dá vontade de tirar até a criança de lá, porque a gente não se sente seguro. Porque a gente manda as crianças para a escola e espera que elas estejam num local seguro, num local tranquilo, onde possam apreender. (...) Só que basicamente toda semana está tendo briga, brigas feias mesmo”, relata a responsável. A mulher disse que sua filha chega da escola quase todos os dias contando uma novidade, que teve uma ‘amiga’ ou ‘colega’ que brigou dentro ou fora do colégio. Segundo ela, mesmo procurando providência da escola, a unidade de ensino fala que não tem o que fazer. “Se um desses alunos leva uma arma, leva uma faca, algum tipo de arma branca, o que seja, acontece uma tragédia e a criança estava no ambiente escolar. Não é feito nenhum tipo de ronda”. Posicionamentos Por meio de nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou que repudia qualquer ato de violência dentro ou fora da escola. Com relação ao caso registrado no vídeo, a secretaria afirmou que, assim que tomou ciência do conflito nas proximidades da escola, a equipe gestora acionou a Ronda Escolar e acolheu as alunas. “Os responsáveis pelas estudantes foram comunicados para ciência dos fatos e aplicação das medidas disciplinares. O caso foi registrado no aplicativo do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Um psicólogo do programa Psicólogos nas Escolas está disponível para atendimento, mediante autorização dos responsáveis”. A Seduc-SP ressaltou ainda que tem intensificado as ações de combate à violência no ambiente escolar. Entre as iniciativas estão a capacitação das equipes escolares para identificar, registrar e atuar preventivamente diante de situações de risco, com apoio do Programa Conviva-SP, que promove o respeito, a escuta ativa e a convivência saudável. “O sistema de registro de ocorrências foi modernizado e passou a ser integrado a outros órgãos estaduais, o que contribui para respostas mais ágeis e coordenadas das equipes escolares. Os mecanismos de acolhimento aos alunos também vêm sendo constantemente aprimorados, e as ações da Ronda Escolar foram reforçadas”. A secretaria complementou que ampliou para 677 o número de profissionais do programa Psicólogos nas Escolas, que desenvolvem ações coletivas e preventivas no ambiente escolar. Atualmente, a rede conta com 725 Professores Orientadores de Convivência (POC), que atuam diariamente na conscientização dos estudantes e na promoção de uma cultura de respeito, diálogo e mediação de conflitos. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Militar (PM) mantém ações permanentes para garantir a segurança no entorno das unidades de ensino, incluindo a escola mencionada. Entre essas iniciativas está o Programa Ronda Escolar, que realiza patrulhamento especializado e visitas regulares às instituições, com o objetivo de prevenir delitos, coibir situações de risco e orientar alunos, pais e profissionais da educação. “Esse trabalho é complementado pelo monitoramento constante dos indicadores criminais, que orienta o planejamento das ações preventivas e assegura maior presença em locais com maior incidência de ocorrências. A PM reforça, ainda, a importância da colaboração da comunidade escolar e da população em geral, que podem contribuir acionando as equipes pelo telefone 190 diante de qualquer situação de risco ou emergência. Até o momento, as ocorrências mencionadas não foram localizadas na Polícia Civil”, finalizou em nota. Por fim, a Secretaria da Educação (Seduc) de Bertioga afirmou que desconhece o caso citado e repudia todo e qualquer ato de violência. Entretanto, reforçou que o município oferece atividades culturais, esportivas e educativas gratuitas, além de acompanhamento psicológico pela rede de Atenção Básica, como forma de prevenir a violência e promover o bem-estar dos jovens.