Mulher relata agressões de PMs por ser petista em São Vicente: 'Tem tudo que morrer'; VÍDEO

Vítima afirma que situação ocorreu após festa em comemoração à vitória de Lula; Polícia Civil investiga

Por: ATribuna.com.br  -  02/11/22  -  08:02
Atualizado em 02/11/22 - 21:20
Vítima afirma que foi agredida por policiais durante abordagem
Vítima afirma que foi agredida por policiais durante abordagem   Foto: Reprodução

Uma mulher de 50 anos afirma ter sido vítima de violência por parte de policiais militares por conta de posicionamento político dela. O caso teria acontecido na madrugada de segunda-feira (31), na Avenida Presidente Wilson, no Centro de São Vicente. A vítima contou que os PMs a agrediram fisicamente e verbalmente. (veja no vídeo mais abaixo)


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A biomédica Hélida Duarte estava voltando de carro da ‘festa da vitória’, na Praça da Independência, em Santos, com uma idosa de 83 anos. Seu veículo estava com adesivos do presidente eleito Lula (PT). Ela contou que quando estava próximo ao Canal 2, seguindo para São Vicente, passou uma viatura ao lado dela e o policial deu boa noite, enquanto observava os colantes.


“Um pouco mais para frente a PM emparelhou no meu carro e perguntou se eu sabia que o veículo estava com licenciamento vencido, falei que não. Então, o policial me mandou parar o carro e disse que ia guinchar. Nisso, eu liguei para o meu pai e ele falou: ‘Pega um Uber e vem pra casa que amanhã a gente resolve’”, relembra.


Neste momento, a biomédica afirmou ter ido em direção aos agentes, que estavam multando o veículo, e questionado se poderia ir embora. Ela contou que foi liberada e permitiram que ela levasse o carro.


“Um pouco mais para frente, emparelharam de novo falando para parar o carro que teria que guinchar. Só que nesse meio tempo a senhora que estava comigo passou mal de pressão alta e eu falei: ‘Você pode levar meu carro, mas eu vou parar na porta do Crei (Hospital Municipal de São Vicente)”, explica.


Hélida contou que continuou dirigindo em direção ao hospital de São Vicente até que os policiais fecharam a pista na Avenida Presidente Wilson, obrigando ela a parar. “Veio um policial com o fuzil para o alto e quando ele vem chegando perto de mim, que ele vai olhando que estou com bóton do Lula e os adesivos de campanha, ele grita: ‘Sua petista, vocês são todos vagabundos e têm tudo que morrer’”, afirma.


A biomédica explicou que começou a discutir com o policial e ele utilizou uma arma para agredi-la. Neste momento, ela contou que tentou gravar a situação duas vezes e o agente arrancou o celular de sua mão.


“Fui colocada dentro do camburão. Nisso eles tentam tirar o meu bóton que estava escrito ‘Lula 22’ e eu cruzei a mão e falei: ‘Não vão tirar, é o meu direito democrático’ e aí eu começo apanhar. A agressão foi tão grande que eu estou com a perna com marca de botina. Tomei coronhada na cabeça e as agressões foram crescentes”, diz.


Após a tensão inicial, Hélida afirma ter sido levada para o 1º Distrito Policial de São Vicente (DP). Neste momento, ela relata ter ficado mais de três horas presa dentro da viatura. “Eu não pude sair. Eu pedi para ir ao banheiro e um policial falou: ‘Você não é petista? Você já tá em cima da bandeira, então senta e mija’. Nisso eu realmente tive que urinar dentro da viatura, porque não me deixaram sair”, conta.


Com este relato, Hélida afirmou que entrou com um ofício encaminhado para a corregedoria da Polícia Militar (PM). Ela já passou por exames no Instituto Médico-Legal (IML) e está com hematomas pelo corpo. Toda parte legal está sendo monitorada por seu advogado, Rui Elizeu.


Vítima ficou com hematomas após episódio
Vítima ficou com hematomas após episódio   Foto: Reprodução

“Essa questão de ela ter ficado dentro da viatura, tendo feito até as necessidades fisiológicas, configura como crime de tortura. Por infringir dor e sofrimento a pessoa por qualquer motivo, por uma informação ou por ser quem ela. No caso dela, uma pessoa do Partido dos Trabalhadores”, comenta a defesa.


O delegado responsável pelo caso, Marcos Alexandre Alfino, informou ter começado as investigações do caso. A autoridade afirmou ter escutado os policiais envolvidos e eles negaram a versão prestada pela biomédica.


“Ela fugiu e houve uma pequena perseguição. Eles jogaram no rádio e houve uma confusão. Tem gravação com ela xingando o sargento e há outra feita por ela, mas não a vi sendo xingada. São versões totalmente antagônicas e decidi instaurar um inquérito. Já ouvi as partes e mandei para a Justiça”, explica.


A autoridade também confirmou ter falado com a idosa que teria acompanhado toda a movimentação, mas que a testemunha disse não ter escutado ou visto tudo com clareza por estar dentro do carro. Também explicou que a demora para o atendimento da ocorrência de Hélida, presa na viatura, foi devido a uma prisão em flagrante que estaria acontecendo no 1º DP.


“Quando a senhora foi abordada, perguntaram se ela estava passando mal e se gostaria que chamasse uma ambulância, mas disse que estava bem. A verdade é que ela fugiu do local, foi abordada, xingou o policial e as coisas foram acontecendo”, afirma o delegado.



Questionado sobre a prisão da biomédica dentro da viatura, o delegado não soube informar a veracidade, pois não estava no local ainda. “Eu perguntei para o policial e negaram. Ela disse que ficou presa no curral da viatura e eu não sei dizer se é verdade ou mentira. Quando cheguei ela estava dentro do plantão, com a advogada dela”, conclui.


A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) informou, por nota, que ela foi detida por desacato e desobediência. Reforçando que Hélida trafegava, em Santos, com seu Toyota Ethios, com o licenciamento vencido, desobedeceu uma ordem de parada de policiais militares e fugiu.


Também alegou que a mulher foi parada por um bloqueio policial e tentou avançar contra os PMs. Alegando que a condutora se recusou a fazer o teste de etilômetro e xingou os militares. A secretaria informou que foram encontradas bebidas alcoólicas no interior do veículo e o caso foi registrado como desobediência, lesão corporal, desacato e injúria pela Delegacia de São Vicente.


Hélida negou a versão apresentada pela SSP, alegando que a única bebida que tinha no carro era uma garrafa de refrigerante fechada no porta-malas e uma garrafa lacrada de cachaça que trouxe da comemoração por ter ganhado de presente do Movimento Sem Terra (MST). A Polícia Civil investiga os fatos e a PM acompanha.


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