Câmera de monitoramento registrou o momento em que a cliente dá um tapa no rosto da adolescente que trabalhava no caixa da loja em Mongaguá (Reprodução) A mulher que deu tapa no rosto de uma operadora de caixa de 17 anos em loja de Mongaguá, no litoral de São Paulo, alegou à polícia que a jovem a tratou com deboche. A cliente afirma que, após novas provocações, ameaçou e tocou na testa da adolescente com sua mão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu em uma loja de variedades localizada na Praça Jacob Koukdjia, por volta das 16h do último dia 14. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), a discussão começou devido a erro no código de uma bolsa. Por conta disso, a cliente se exaltou, alegou que foi maltratada, bateu na adolescente e a ameaçou. Posteriormente, a jovem foi atendida no pronto-socorro (PS) e liberada. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça na Delegacia de Mongaguá. Versão da cliente A Tribuna teve acesso ao depoimento que a mulher deu à Polícia Civil na quarta-feira (17). Nele, a mulher afirmou que estava na loja para comprar uma campainha e três bolsas. Ela contou que, quando estava no caixa, questionou a funcionária se a campainha utilizava pilha ou bateria, porém teve uma “resposta evasiva”. Segundo a mulher, a atendente colocou o item na sacola e registrou incorretamente o valor das bolsas, lançando todas com o mesmo preço, apesar de uma delas ser mais barata. Ao apontar o erro para a operadora de caixa, a cliente alegou que percebeu irritação da funcionária, que, segundo ela, passou a “demonstrar desdém, inclusive debochando de sua mãe, que a acompanhava”. -Veja o vídeo (1.492703) Diante da situação, a mãe da cliente pediu para falar com a gerente e foi informada de que ela não se encontrava no local. Outra funcionária da loja verificou a campainha e constatou que funcionava com pilha. Enquanto isso, conforme a cliente, a operadora de caixa "continuou rindo e adotando postura arrogante, fato inclusive repreendido por outra cliente". A mulher relatou que, após novas provocações, proferiu ameaçar verbalmente a funcionária e tocou sua testa com a mão. Posteriormente, tentou confirmar a ausência da gerente, sendo orientada a retornar outro dia. A cliente afirmou que o episódio ganhou repercussão nas redes sociais, onde passou a ser acusada de racismo e ofensas. Ela negou as acusações e relatou ter sido ameaçada virtualmente, tendo imagens suas, de sua mãe e irmã divulgadas, bem como fotos de sua loja expostas em redes sociais. Relato da vítima Conforme noticiado por A Tribuna, segundo o relato da mãe da adolescente, que preferiu não ser identificada, por questão de segurança, a filha estava trabalhando normalmente quando a confusão começou. A cliente comprou uma lâmpada e questionou o fato de o produto não ter sido testado no caixa. Em seguida, segundo o relato, houve um erro na cobrança de uma bolsa, que estava com o preço de outro modelo. A adolescente chamou a responsável pela loja para cancelar a compra, mas, nesse momento, a cliente passou a se exaltar. Ainda conforme o relato, a jovem foi xingada, chamada de “lixo”, ameaçada e orientada a evitar contato visual com a cliente. Mesmo sem reagir às ofensas verbais, a adolescente acabou sendo agredida fisicamente. “A minha filha ficou o tempo todo de cabeça baixa, não respondeu, não retrucou. Mesmo assim, a mulher apontava o dedo, dizia que ia esperar ela sair do trabalho, que ia bater nela. Em determinado momento, colocou a mercadoria embaixo do plástico do caixa e deu um tapa no rosto da minha filha”, contou a mãe para A Tribuna. Assustada, a adolescente não conseguiu reagir e permaneceu no local até o fim do expediente. De acordo com sua família, ninguém esperava que a situação evoluísse para agressão física. A mãe afirmou que só ficou sabendo do ocorrido à noite, quando a filha saiu do trabalho e ligou chorando. As duas foram, então, até a delegacia para registrar o boletim de ocorrência. O registro inicial foi feito sem a identificação da autora da agressão, já que, naquele momento, a loja ainda não havia fornecido as imagens das câmeras de segurança. Câmeras registraram Depois do ocorrido, um vídeo passou a circular nas redes sociais após ser publicado por uma página local, com o objetivo de identificar a agressora e cobrar providências. Após a repercussão, o proprietário da loja pediu para a mãe que as imagens fossem retiradas do ar. “A minha filha foi agredida, ameaçada e humilhada. Eu publiquei as imagens para nos resguardar, não para prejudicar a loja. A autora disse que iria voltar para ‘terminar o serviço’. É uma cidade pequena, a gente não sabe do que essa pessoa é capaz”, afirmou a mãe. Ainda segundo ela, a filha ficou muito abalada emocionalmente após o episódio. “Ela chorou bastante, ficou se questionando. Chegou a me perguntar se o tapa foi por ela ser negra. Isso dói muito como mãe”, desabafou.