Luana fazia procedimento estético na Emagrecentro, no Jardim Tejereba, em Guarujá (Arquivo pessoal) Luana dos Santos Anastácio, de 40 anos, morreu três dias após aplicar enzimas em um procedimento estético realizado em uma clínica de Guarujá, no litoral de São Paulo. O marido dela registrou boletim de ocorrência, informando que a esposa fazia uso do medicamento Tirzepatida (Mounjaro) e que a causa da morte teria sido hemorragia no estômago. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mulher faleceu no dia 1º de setembro, três dias depois do procedimento realizado numa clínica que fica na Rua Firmino Jorge da Costa Neto, no bairro Jardim Tejereba. A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência, que relata que o marido de Luana, Mizael Souza Anastácio, compareceu à delegacia informando que a esposa havia começado a passar mal no dia 31 de agosto, sendo encaminhada ao hospital Casa de Saúde, em Santos. Luana permaneceu internada até o dia 1º, quando não resistiu e morreu. Uma segunda versão do BO foi registrada, solicitando a alteração da natureza da morte para "morte suspeita", já que, segundo o relato, ela teria ocorrido em razão da aplicação de medicamento diferente do contratado. O marido informou ainda que a mulher estava em tratamento para emagrecimento na clínica Emagrecentro, iniciado em 5 de agosto, com protocolo de Tirzepatida (Mounjaro). De acordo com o documento registrado na Polícia Civil, o contrato previa a aplicação do medicamento em sessões pelo valor de R\$ 1.300. A primeira aplicação injetável do fármaco foi registrada em ficha, confirmada em vídeo e feita por um biomédico, com acompanhamento médico. O marido relatou também que, no dia 29 de agosto, a esposa recebeu duas aplicações de outro produto, oferecido como "brinde" por uma biomédica, sem qualquer análise clínica prévia. Após isso, Luana começou a passar mal, apresentando sintomas graves que se agravaram até a sua morte. O caso foi registrado como "morte suspeita" e "morte súbita". Posicionamento da clínica Por meio de nota, a Emagrecentro informou: “Recebemos com pesar a notícia do falecimento da Sra. Luana e prestamos nossos sentimentos aos familiares. Há 13 anos tratamos sobrepeso, obesidade e estética corporal em Guarujá, sempre com o cuidado necessário para a promoção da saúde e prevenção de agravos que o excesso de peso traz à vida das pessoas”. A empresa afirmou seguir todas as normas da Vigilância Sanitária e possuir os alvarás necessários para funcionamento. Informou ainda que sua unidade passou recentemente por fiscalização da Vigilância Sanitária e do Conselho Regional de Medicina (CRM), sem que fossem encontradas irregularidades. A clínica ressaltou que os tratamentos seguem a legislação vigente e utilizam medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), prescritos por profissionais habilitados e precedidos de avaliação clínica completa, incluindo anamnese para checagem de histórico e contraindicações. Segundo o comunicado, os protocolos clínicos seguem as diretrizes do Ministério da Saúde e as Políticas Nacionais de Saúde, como previsto na Portaria 424/2013 e na Portaria de Consolidação 2/2017. Sobre o caso de Luana, a clínica afirmou respeitar o sigilo médico, mas esclareceu que todos os medicamentos utilizados estavam em condições adequadas, prescritos por profissionais habilitados, recomendados para o grau de obesidade da paciente e sem contraindicações registradas em anamnese. Ainda de acordo com a nota, não há qualquer evidência de que o óbito tenha relação com o tratamento realizado: “As informações até o momento indicam que a causa do falecimento da cliente foi anemia aguda, devido à hemorragia digestiva causada por uma retocolite ulcerativa (RCU), doença autoimune sem relação com o tratamento e tampouco efeito colateral dos medicamentos utilizados”. A clínica concluiu destacando que possui centenas de pacientes em protocolos semelhantes, sem registro de reações adversas, e reforçou interesse na apuração dos fatos: “Temos certeza absoluta de que nossos tratamentos promovem a saúde e, por isso, o estabelecimento tem grande interesse na apuração rápida do caso, a fim de evitar calúnias indevidas”.