Samir Carvalho pode pegar até 50 anos de prisão pelo feminicídio da esposa e a tentativa de feminicídio da própria filha (Reprodução e Daniel Rodrigues/ AT) O sargento da Polícia Militar (PM) Samir Rodrigues de Carvalho, acusado de matar a esposa a tiros e com 51 punhaladas em uma clínica dermatológica em Santos, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O documento foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime aconteceu no dia 7 de maio, dentro de clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Marapé. Samir foi preso em flagrante e a esposa teve a morte constatada no local. A filha do casal, de 10 anos, sofreu ferimentos de tiros e ficou internada por três dias. No último dia 22, foi realizada a reconstituição do crime. Para o promotor Fábio Perez, do MP, o denunciado premeditou o crime, motivado por desentendimentos na relação amorosa. Ele destacou que Samir apresentava comportamento frio, grosseiro e violento, chegando a ameaçar e agredir fisicamente a mulher em outras ocasiões. O MP destacou que foi solicitada a condenação de Samir com as qualificadoras de meio cruel, perigo comum, dissimulação, recurso que impossibilitou a defesa e emprego de arma de fogo de uso restrito, além dos agravantes de crimes praticados contra mãe, na presença de descendente da vítima e contra sua própria descendente, menor de 14 anos. O promotor requeriu pena mínima de 70 anos de prisão. Foi apresentado ainda pedido para fixação de indenização mínima de R\$ 100 mil para cada um dos herdeiros da empresária Amanda Fernandes e de R\$ 50 mil para a filha baleada. Caso a denúncia seja aceita pelo TJ-SP, Samir se tornará réu no processo de homicídio qualificado. De acordo com o TJ-SP, o processo segue sob segredo de Justiça. Premeditado A princípio, conforme registrado em boletim de ocorrência, Samir revelou estar desarmado aos agentes da Polícia Militar. A Polícia Civil também acreditava que ele teria pegado uma arma que estava em uma outra sala na clínica, assim como o punhal utilizado no crime. Na reconstituição, porém, foi revelado que Samir escondeu os armamentos nas calças para acessar o consultório, revelando a intenção de cometer o assassinato. No local, ele teria discutido com Amanda na recepção momentos antes, e ela se abrigou na sala do médico. Reconstituição do crime foi fundamental para entender dinâmica do assassinato, afirma delegada (Redes sociais e Vanessa Rodrigues/ AT) Ao entrar na sala, a empresária acionou a Polícia Militar (PM) e ficou escondida com ajuda do médico, que bloqueou a porta com cadeiras. Assim que os agentes chegaram, abordaram Samir. No entanto, o promotor do MP disse que a perícia ainda não apontou se ele foi revistado. Após o médico abrir a sala em que as vítimas estavam, Samir sacou a arma e disparou três vezes contra Amanda. Ele ainda golpeou a mulher com 51 punhaladas. De acordo com o advogado da família, Claudino Vicente dos Santos, que também acompanhou a reconstituição, os PMs estavam a cerca de dois passos de Samir. Motivação Em entrevista à TV Tribuna, a delegada Deborah Perez Lázaro disse que todos os envolvidos foram ouvidos e os laudos foram juntados no inquérito policial, que foi encaminhado ao Fórum de Santos. Além de ter sido indiciado por feminicídio, ela afirmou que Samir também deverá responder por tentativa de homicídio contra a filha. A delegada ressaltou que a reconstituição foi essencial para o esclarecimento da dinâmica da ocorrência e conclusão do inquérito. “A motivação foi ciúmes. Ele achava que a Amanda o estava traindo. Coisa que não aconteceu, mas ele achava. E essa foi a causa deste crime horrível”, disse Deborah. Ela ainda ressaltou que a conduta dos agentes está sendo investigada por meio de um inquérito instaurado pela Polícia Militar, que deve decidir se eles serão penalizados ou não.