O passageiro que entrou no carro aparentava normalidade, mas, após seguir por algumas ruas, anunciou o assalto (Arquivo pessoal) Uma motorista do Uber de 28 anos, grávida de quatro meses, foi vítima de um assalto durante corrida em São Vicente, no litoral de São Paulo. O crime aconteceu na manhã do dia 14, quando ela saiu de Praia Grande para buscar um passageiro na Vila Margarida. O destino da corrida seria Mongaguá, mas o trajeto foi interrompido por um sequestro relâmpago. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo relato da vítima feito para A Tribuna, o passageiro que entrou no carro aparentava normalidade, mas, após seguir por algumas ruas, anunciou o assalto. Em seguida, outro criminoso entrou no veículo - em uma segunda parada que havia na corrida. Os dois homens mantiveram a motorista sob ameaças, exigiram senhas dos celulares e aplicativos bancários, e realizaram transferências e empréstimos com o dinheiro dela. “Eles diziam que não queriam me machucar, mas exigiram que eu entregasse tudo. Pegaram meu celular, cartões e senhas. Fizeram Pix, passaram meu cartão de crédito, usaram o limite do banco e ainda fizeram um empréstimo no meu nome. Ao todo, foram mais de R\$ 4 mil debitados na minha conta e ainda me levaram R\$ 60 em espécie”, relata a profissional, que atua há seis anos na área e diz nunca ter passado por situação semelhante. Além do prejuízo financeiro, a motorista destaca o impacto emocional do crime. “É desesperador. A gente se sente impotente. Eu estava juntando esse dinheiro para o meu chá de bebê. E agora, com a conta negativa e grávida, estou tentando me reerguer”, desabafa. Após o crime, um dos assaltantes desceu na Vila Margarida. O outro continou com a motorista no carro por cerca de 20 minutos, mas logo desceu. Em seguida, a vítima seguiu sozinha até o Centro de São Vicente para tentar registrar a ocorrência. “Fui à delegacia, mas não conseguiram me atender direito. Eu estava abalada, sem telefone, e disseram que não dava para fazer o boletim ali. Voltei para casa, em Praia Grande, e registrei tudo por telefone com a Polícia Militar. Depois, no outro dia, fui à delegacia de Praia Grande e consegui registrar o BO”, conta. Contato com bancos A mulher também entrou em contato com os bancos para contestar as movimentações, mas teve os pedidos negados. “Mesmo o empréstimo feito sem nenhuma confirmação por reconhecimento facial ou documento, o banco não cancelou. Disseram que só poderiam cancelar se tivesse dinheiro na conta. Mas como vou ter dinheiro depois disso tudo?” Ela também já solicitou ao Uber os registros da corrida, mas foi informada de que não podem ser fornecidos por conta de direitos de imagem. No boletim de ocorrência, obtido por A Tribuna, consta que a mulher autorizou a Polícia Civil do Estado de São Paulo a adotar todas as medidas necessárias no sentido de bloquear o aparelho celular que foi roubado. Segundo o documento policial, o caso foi registrado como roubo na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande. Sem conseguir recuperar o valor perdido, a motorista criou uma vaquinha on-line para tentar quitar as dívidas e retomar os preparativos para a chegada do bebê. “Estou recorrendo ao Procon, mas também preciso de ajuda agora. Fiz essa vaquinha para conseguir equilibrar minha situação financeira e fazer meu chá de bebê”. Quem quiser ajudar a motorista pode contribuir por meio da vaquinha virtual. Posicionamentos O Uber foi procurado e, por meio de nota, lamentou o caso e reforçou que não tolera nenhum comportamento criminoso. O usuário relacionado já foi banido e, segundo a plataforma, ela está à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações, nos termos da lei. A Tribuna entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que, por meio de nota, confirmou as informações apuradas pela equipe de reportagem.