Motorista da Uber teve o celular furtado após fazer uma falsa corrida pedida por um criminoso na Vila Margarida, em São Vicente (Reprodução e FreePik) O motorista de aplicativo da Uber, Flávio Bernardino dos Santos, de 55 anos, foi vítima de uma emboscada em São Vicente, no litoral de São Paulo, e teve o celular furtado e as contas bancárias acessadas por criminosos, que fizeram empréstimos em seu nome. Além do prejuízo de cerca de R\$ 16 mil, ele agora enfrenta dificuldades financeiras e emocionais, e ingressou com um processo contra o banco Digio, que, segundo a esposa, alega que o cliente agiu de má-fé. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu em 18 de junho deste ano, na Rua 1535, esquina com a Avenida Dique do Meio, na Vila Margarida, em São Vicente. O motorista foi chamado para uma corrida falsa. Segundo relatado pela esposa, enquanto Flávio aguardava o suposto passageiro, um homem se aproximou perguntando: “Quem você está esperando?” Nesse momento, dois criminosos cercaram o carro, arrancaram o celular do suporte e fugiram. Logo em seguida, a esposa percebeu movimentações nas contas da família. “Eu vi que começaram a sacar o dinheiro da nossa conta. Nós temos uma loja, e eu estava trabalhando. Comecei a ver que o dinheiro estava sumindo e liguei para o meu marido”. Com o aparelho em mãos, os criminosos acessaram plataformas bancárias e realizaram diversos empréstimos e transações. Segundo Katia Cristina Medalha dos Santos, de 51 anos, esposa do motorista, só na conta vinculada à Uber, operada pela Digio, foi feito um empréstimo de cerca de R\$ 5.900, que com juros foi para quase R\$ 13 mil. Os criminosos também fizeram operações de débito de aproximadamente R\$ 5 mil no MercadoPago, R\$ 1,3 mil em débito e R\$ 4 mil em compras no cartão de crédito. Katia afirma que, no processo, a Digio apresentou registros de reconhecimento facial para validar os empréstimos, mas que as imagens não são do marido. “No dia, ele estava barbudo, diferente das fotos que o banco usou. Eles colocaram até um horário em que ele estava no shopping em Mongaguá, enquanto o sistema aponta que a operação foi feita em casa. Mesmo assim, alegaram que ele agiu de má-fé”, diz. Segundo ela, o banco chegou a chamá-lo de “caloteiro” e insiste que os empréstimos foram feitos por Flávio. “Ele é vítima dessa história, mas está sendo tratado como culpado. Estamos sendo obrigados a pagar a dívida”. Situação agravada Além das dificuldades financeiras, Flávio sofreu recentemente um acidente doméstico. Ao subir em uma escada para verificar a caixa d’água, caiu e machucou gravemente o joelho, ficando acamado e impossibilitado de trabalhar. Katia também precisou ficar afastada por motivos de doença e por um acidente que sofreu. “Estamos afastados pelo INSS, mas o valor não cobre as despesas. Não temos como pagar esse empréstimo agora. Fizemos um recurso para o juiz”. A esposa de Flávio contou que o problema já foi resolvido com o Nubank. Relembre o caso A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do crime, registrado na Delegacia de Polícia de Mongaguá, onde o casal mora. Consta no documento que, enquanto o motorista aguardava o passageiro, um homem negro de bicicleta e com uma tatuagem de palhaço no braço e outro homem, a pé, o abordaram. O motorista foi questionando por que estava ali. Enquanto respondia, o homem de bicicleta se aproveitou para arrancar o celular do suporte de dentro do veículo. Depois, a dupla fugiu. Após o ocorrido, foram realizados empréstimos e transações sem autorização no nome do motorista, sendo quase R\$ 6 mil na Uber, R\$ 5 mil no MercadoPago, R\$ 1,3 mil no débito e R\$ 4 mil em compras no cartão de crédito. Posicionamentos A Uber informou, em nota, que “lamenta que motoristas parceiros sejam alvo da violência que permeia a sociedade” e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Já o Nubank declarou que, para preservar o sigilo bancário, não comenta casos específicos, mas entrou em contato direto com o cliente para prestar esclarecimentos. A Tribuna procurou a Digio, que não retornou até a publicação desta reportagem.