Motorista afirma que ficou com medo de sofrer represália das pessoas no local do acidente (Reprodução) O motorista acusado de atropelar um motociclista na Avenida Tupiniquins, em São Vicente, no domingo (20), se apresentou espontaneamente na delegacia da cidade na manhã desta quinta-feira (24). Em depoimento, o comerciante de 32 anos afirmou que perdeu o controle ao desviar de um buraco e que não prestou atendimento à vítima por medo de sofrer represálias de testemunhas. A versão difere da apresentada por um advogado que se dizia seu representante no dia anterior. Segundo o delegado responsável pelo caso, o homem afirmou, inclusive, que esse advogado não o representa. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista para a TV Tribuna, Marcos Alexandre Alfino, delegado responsável pelo caso, afirmou que o motorista alegou que teria saído de sua loja em São Vicente e, ao retornar para casa pela Avenida Tupiniquins, que está em obras, perdeu o controle do veículo ao tentar desviar de um buraco e acabou atingindo o motociclista. Ainda de acordo com a versão do comerciante, ele chegou a descer do carro e se aproximar da vítima, mas recuou após sofrer represálias de pessoas no local. Em seguida, deixou o carro em um posto de combustíveis em Praia Grande, onde teria disponibilizado um contato para a família do motociclista. O delegado destacou ainda que, nas imagens obtidas na investigação, é possível ver a pessoa que desce do carro após o acidente, e que o motorista se identificou. A roupa usada na ocasião será encaminhada à perícia para confronto com os registros das câmeras. Há ainda a suspeita de que o motorista estivesse sob efeito de álcool no momento do acidente. De acordo com Alfino, uma testemunha relatou que o veículo trafegava em "algazarra", o que levanta dúvidas sobre o estado físico do condutor. No entanto, como o acidente ocorreu há vários dias, o exame toxicológico foi prejudicado. Versões diferentes A versão diverge da relatada anteriormente por um advogado que afirmava ser representante do comerciante e que relatou que o cliente havia passado a noite no Brás, em São Paulo, e voltava para casa em Praia Grande quando dormiu ao volante e causou o acidente. Ainda de acordo com a versão desse advogado, uma amiga do motorista teria assumido a direção após o ocorrido. Procurado pela reportagem da TV Tribuna, o advogado confirmou estar representando o comerciante, disse ter sido surpreendido pela nova versão apresentada e que não foi informado de que o cliente compareceria sozinho à delegacia. A investigação segue em andamento para esclarecer as contradições e confirmar a identidade de quem dirigia o carro no momento da colisão. Relembre o caso Um homem de 46 anos perdeu três dedos da mão e sofreu fraturas na bacia e na perna após ser atropelado por um carro de luxo que invadiu a pista contrária na Avenida Tupiniquins, em São Vicente, no litoral de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o motorista do automóvel fugiu após o acidente e não prestou socorro. O caso aconteceu na manhã de domingo (20), quando o motociclista estava indo trabalhar. O homem seguia trafegando normalmente pela via quando um carro que vinha na direção contrária invadiu a pista e o atingiu. Após a colisão, o motociclista recebeu cuidados médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com a Secretaria da Saúde (Sesau), os profissionais de saúde constataram no local que o homem estava com ferimentos nos membros inferiores esquerdo e direito e precisou amputar três dedos da mão esquerda. Ele foi encaminhado consciente até o Hospital do Vicentino e foi transferido para o Hospital São Lucas, em Santos. Não há mais informações a respeito de seu atual estado de saúde.