Morte de universitário completa seis meses e acusados seguem foragidos

Lucas Martins de Paula, de 21 anos, morreu após ser agredido por seguranças da casa noturna Baccará. Dono do estabelecimento e chefe dos seguranças são procurados

Por: Eduardo Velozo Fuccia  -  28/01/19  -  22:59
Lucas foi espancado até entrar em coma, no dia 7 de julho
Lucas foi espancado até entrar em coma, no dia 7 de julho   Foto: Arquivo pessoal

A morte do universitário Lucas Martins de Paula, de 21 anos, completa seis meses nesta terça-feira (29). O jovem faleceu em decorrência de agressão praticada por seguranças da casa noturna Baccará, em Santos, em frente ao estabelecimento. Dos quatro réus, dois estão presos, e os demais permanecem foragidos.


“A dor é muito grande. Todo dia choro a perda do meu filho, que era o meu melhor amigo e companheiro para tudo”, desabafa o aposentado Isaías de Paula, de 52 anos, pai do estudante, que cursava o 4º ano de Engenharia Elétrica.


Amigos do estudante afirmam que ele foi espancado por reclamar do lançamento indevido em sua comanda de uma cerveja long neck no valor de R$ 15.


“Não consigo entender o porquê de tanta violência, simplesmente por contestar a cobrança de uma cerveja que ele não consumiu. O pior, agora, é que os criminosos presos dizem que não mataram o meu filho”, acrescenta Isaías.


  Foto: Nirley Sena/AT

Policiais do 3º DP de Santos elucidaram o crime, identificando quatro acusados: os seguranças Thiago Ozarias Souza e Sammy Barreto Callender; Anderson Luiz Pereira Brito, chefe da segurança, e o empresário Vitor Alves Karam, dono do Baccará.


O inquérito policial serviu de base para o Ministério Público (MP) denunciar os quatro acusados, que tiveram as prisões preventivas decretadas. Na iminência de serem localizados e detidos, Sammy e Thiago se apresentaram no distrito acompanhados de advogados.


Vitor e Anderson permanecem foragidos, mas a ação penal segue normalmente em relação a eles, porque constituíram advogados e, por meio dos seus defensores, tomam ciência dos atos processuais e podem se manifestar.


Praticante de jiu-jítsu, Thiago é apontado como quem desferiu uma sequência de 12 golpes contra a vítima, entre chutes e socos, até fazê-la cair desacordada. Os demais réus são acusados de nada terem feito para impedir a violência e de impossibilitarem que amigos de Lucas interviessem.


Agredido em frente ao bar, na madrugada de 7 de julho de 2018, o estudante morreu após ficar 22 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos.


O Baccará funcionava na Rua Oswaldo Cochrane, no bairro Embaré. Após o episódio, uma força-tarefa da prefeitura fiscalizou a casa noturna e suspendeu suas atividades. Ela operava com alvará provisório, sendo o definitivo negado, porque instalações do estabelecimento não cumpriam a legislação municipal.


Andamento processual


Segundo o advogado da família do universitário, Armando de Mattos Júnior, “nada que for feito trará o jovem Lucas ao seio de sua família. Esse episódio triste e inesquecível de Santos poderia ter sido evitado se casas noturnas como essa fossem, de fato, fiscalizadas”.


Em contrapartida, Mattos elogiou a Polícia Civil, “que esclareceu a autoria do homicídio rapidamente”, e os trabalhos da Justiça e do MP, “pelo andamento do processo”. Para encerrar a fase de produção de provas, faltam os depoimentos de duas testemunhas.


Réu é defendido pelo advogado Armando de Mattos
Réu é defendido pelo advogado Armando de Mattos   Foto: Irandy Ribas/AT

Indicadas pela defesa, essas testemunhas serão ouvidas por meio de carta precatória, porque não são da região. Em seguida, serão abertos prazos para o MP, o assistente da acusação e os advogados dos réus apresentarem as suas alegações finais.


Essas manifestações da acusação e defesa serão, em seguida, analisadas pelo juiz Alexandre Betini, que decidirá se existem indícios suficientes de autoria e prova de materialidade para submeter os réus a julgamento popular.


“Não queremos apenas o júri popular, mas a condenação dos quatro réus. Mas antes disso, os dois que permanecem foragidos devem ser capturados. Eu e a minha família tememos sofrer represálias, porque todos eles não têm freio moral e não podem ficar impunes”, finaliza o pai de Lucas.


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