Edimilson gravou um vídeo e postou nas redes sociais relatando a agressão sofrida na secretaria de Guarujá (Reprodução / Redes sociais) O mestre de Reisado Edimilson Epifanio Mendes, de 54 anos, afirma ter sido agredido por um servidor municipal dentro da Secretaria de Cultura de Guarujá, no litoral de São Paulo, na manhã de segunda-feira (24). Ele relata que foi até o local para entregar documentos referentes ao edital municipal da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) quando, ao questionar uma divergência no contrato, teria levado um soco no rosto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo Edimilson, o agressor seria um servidor da área jurídica da secretaria, com quem já teria enfrentado “perseguições antigas”. O artista registrou boletim de ocorrência e passou por atendimento médico no PAM Rodoviária, onde teve o ferimento constatado por laudo. Em entrevista para A Tribuna, o mestre folclórico afirma que a agressão não foi um episódio isolado. “Essa pessoa já me persegue dentro da Secretaria de Cultura há anos. Já denunciei outras vezes por agressões verbais, mas nada aconteceu. Ele continuou lá”, declara. Edimilson explica que estava tratando da documentação do edital da PNAB e verificou que o valor previsto em contrato estaria errado. Ao procurar esclarecimentos, segundo ele, teria sido surpreendido pela agressão. “Fui pedir informação porque no contrato estava errado. Ele apontou o dedo na minha cara. Pedi para parar e ele levantou e me deu um soco. Uma pessoa de 54 anos, com tantos anos de cultura, ser agredida assim, é lamentável”, afirma. O mestre diz que a situação só foi apaziguada depois que outras pessoas que estavam na sala o socorreram. "Caíram meu óculos, minha pasta e meu celular no chão", conta. 61 anos de tradição Edimilson conduz há décadas o Reisado Sergipano de Guarujá, grupo folclórico com 61 anos de existência e considerado referência na cidade da Baixada Santista. Ele atua como mestre há 39 anos, representando o município em eventos culturais nacionais, onde assumiu o cargo desde que seu sogro faleceu. De acordo com Edmilson, o grupo já se apresentou em cidades como Barretos, Olímpia e Laranjeiras, em Sergipe e no Rio de Janeiro. “Levo o nome da minha cidade sempre de maneira positiva. Somos tradição viva de Guarujá. Não mereço passar por uma situação dessas, dentro da casa do povo, onde a cultura devia ser respeitada”, lamenta. Editais culturais O artista explica que costuma participar de editais da Lei Aldir Blanc e outros mecanismos de fomento, concorrendo em diferentes faixas de valor, normalmente entre R\$ 5 mil e R\$ 10 mil, dependendo da proposta. Ele afirma que, no caso do edital da PNAB, proponentes vêm relatando mudanças repentinas nas regras e valores. “Foi por isso que eu questionei, e acabou acontecendo tudo isso”, conta. Boletim de ocorrência e laudo médico Após a agressão, Edimilson registrou boletim de ocorrência e passou por atendimento no PAM de Guarujá. O médico elaborou um laudo atestando o ferimento. O documento deve ser anexado ao inquérito. O mestre já procurou um advogado para entrar com uma ação pela agressão. O boletim de ocorrência foi registrado como lesão corporal na Delegacia Sede de Guarujá. Edimilson afirmou que, após o episódio, representantes da Prefeitura o procuraram para entender o que havia acontecido e informaram que seria aberta uma sindicância administrativa para apurar o caso. A Prefeitura de Guarujá foi procurada para falar sobre o caso, mas até a publicação desta matéria não se manifestou.