Emanuelly desapareceu em Santos e ainda não se sabe onde ela está (Arquivo pessoal/ Evelin Kawane Caetano Vieira) O que começou como uma viagem de férias escolares se transformou em um drama para Evelin Kawane Caetano Vieira, de 29 anos. Sua filha, Emanuelly da Costa Caetano, de 10 anos, viajou em julho para Santos, onde passaria alguns dias na casa da avó paterna, de 50 anos, no bairro Areia Branca, na Zona Noroeste. No entanto, segundo a mãe, a criança não retornou na data combinada e está desaparecida desde então. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com Evelin, a convivência da filha com a família paterna sempre foi mantida, mesmo após a separação. A mãe conta que Emanuelly nasceu em Santos, mas vive com ela no Paraná desde 2017. “Nunca proibi o contato com a família paterna, principalmente com a avó, de quem ela sempre foi muito próxima”, afirma. Neste ano, conforme o relato, Emanuelly insistiu em visitar os parentes em Santos durante as férias. Evelin providenciou toda a documentação necessária, incluindo a autorização de viagem registrada em cartório. Em 11 de julho, a menina chegou a Santos e, no mesmo dia, viajou com a avó para passar uma temporada em sua casa. O acordo, segundo a mãe, era que a criança voltasse até 28 de julho, antes do início das aulas e de um curso de informática que havia acabado de iniciar no Paraná. O retorno, no entanto, não aconteceu. Evelin afirma que a avó começou a apresentar diferentes justificativas, como problemas de saúde, falta de dinheiro, entre outras. “Cada dia era uma desculpa diferente, e minha filha foi perdendo aula e o curso”, relata. Conversa por telefone A mãe diz que no dia 10 de agosto conseguiu falar por telefone com Emanuelly, mas, ao pedir para conversar com a avó, ouviu que a menina só voltaria no fim do mês. Evelin não aceitou e, no dia seguinte, procurou o Conselho Tutelar e a escola da filha para relatar o ocorrido. Ela afirma que também acionou o Conselho Tutelar de Ibiporã, no Paraná, cidade onde vive. Ainda conforme Evelin, a situação se agravou após ela negar um pedido da família paterna para que a menina permanecesse em Santos até dezembro. “A avó disse que só devolveria minha filha se tivesse um documento comprovando que a guarda era minha, e que o filho dela havia entrado com um pedido de guarda”, conta. A mãe afirma que já possui documentos que confirmam sua guarda legal e, com orientação da Defensoria Pública, solicitou o mandado de busca e apreensão da menor. No boletim de ocorrência registrado, o investigador de polícia afirma que a mulher tem a guarda conforme consta em um despacho da justiça de 5 de agosto deste ano. Mãe veio a Santos As tentativas de localizar a menina se multiplicaram. Evelin relatou que foi até a casa da avó paterna em Santos, mas não a encontrou. Ela também esteve na residência de uma ex-madrasta de Emanuelly, onde a criança havia passado alguns dias, mas foi informada de que a avó a teria levado novamente e não retornou mais. No mesmo dia, Evelin registrou um boletim de ocorrência. A Polícia Civil investiga o sumiço da criança (Arquivo pessoal/ Evelin Kawane Caetano Vieira) Segundo a mãe, uma mensagem recebida da avó, no caminho para a delegacia, afirmava que elas estavam “viajando”. Evelin contou que, posteriormente, uma vizinha informou ter visto a avó em Araraquara (SP). Dias depois, a própria mãe disse ter visto a avó e o marido dela circulando de carro em Itanhaém, onde possuiriam uma casa. “Tive certeza de que eram eles, mas não consegui alcançá-los”, diz. Mesmo com o mandado judicial, a criança não foi localizada. Segundo Evelin, oficiais de justiça chegaram a ir à casa da avó e de familiares, mas não encontraram a menina. “A família paterna diz que não apoia o que está acontecendo, mas até agora não tive notícias concretas de onde minha filha está”, afirma. O desaparecimento afetou também a vida pessoal da mãe. Evelin contou que precisou deixar a casa onde morava no Paraná, mudar seus pertences para o sítio da mãe e se instalar provisoriamente em Santos, na casa de amigos, para acompanhar o caso. “Minha vida virou de cabeça para baixo. Não desejo essa dor nem para o meu pior inimigo. Não sei onde minha filha está, nem como ela está. Só queria poder abraçá-la de novo. Se eu tomasse uma facada, acho que não doeria tanto”, desabafa. Emanuelly está sob a guarda da avó de forma ilegal (Arquivo pessoal/ Evelin Kawane Caetano Vieira) O caso segue acompanhado pela Defensoria Pública, pelo Conselho Tutelar e pela Polícia Civil. Evelin diz que aguarda a execução do mandado de busca para que Emanuelly seja localizada e devolvida à família. A equipe de reportagem de A Tribuna ligou e enviou diversas mensagens para a avó paterna, mas nenhum desses contatos teve retorno.