<div style="clear:both;"> <p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.474678" attr-version="policy:1.474678:1755214571" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.474678/Projeto Canva - 2025-08-14T203609.936.jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">Médico condenado por estupro de criança é chefe de setor administrativo do Hospital Guilherme Álvaro (Vanessa Rodrigues/AT)</span></p> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{28}" paraid="429038652" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O médico e chefe do Hospital Guilherme Álvaro (HGA) de <a href="https://www.atribuna.com.br/cidades/santos">Santos</a>, de 72 anos, foi condenado a 10 anos de prisão por estupro (entenda mais abaixo) contra uma criança de 10 anos e continua trabalhando exclusivamente na parte administrativa da unidade. O caso ganhou repercussão na última semana, após o vereador Marcos Caseiro (PT) afirmar, durante uma sessão da Câmara Municipal, que pediria a "imediata exclusão" do profissional do hospital. <strong>A Tribuna</strong> conversou com advogados criminalistas para entender todos os aspectos do caso.</span></p> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{28}" paraid="429038652" xml:lang="PT-BR"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a></p> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{28}" paraid="429038652" xml:lang="PT-BR">Na sessão da Câmara desta quinta-feira (14), Caseiro voltou a citar o mesmo médico manifestando sua indignação.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{77}" paraid="663914393" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O advogado criminalista Ricardo Duran</span> explica que a sentença condenatória ocorreu em janeiro de 2009, a execução começou em 2016, e em agosto de 2019, o médico passou ao regime prisional aberto, após cumprir período no regime semiaberto e preencher os requisitos para a concessão do benefício legal: tempo de prisão cumprido, ótima conduta carcerária e parecer favorável obtido no exame criminológico. O médico obteve a redução de 217 dias da pena devido a trabalho e estudos realizados enquanto estava preso.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{87}" paraid="646128681" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">“A remição operada, evidentemente influenciou de modo direto na concessão mais rápida do regime prisional aberto, quando o condenado, na prática, acaba por cumprir o restante de sua pena em liberdade, porém sob algumas condições, as quais, se violadas, podem gerar o seu retorno ao regime prisional fechado. Dentre essas condições estão a comprovação de ocupação lícita (trabalho), o recolhimento noturno à própria residência e o compromisso de não frequentar locais incompatíveis com o benefício concedido. A previsão de cumprimento integral da pena é em outubro</span> deste ano.”</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{97}" paraid="737880536" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Segundo o defensor, em tese, o médico poderia ser demitido por justa causa, caso estivesse contratado sob a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Sendo servidor público, após regular trâmite de processo administrativo e constatada a gravidade da conduta, também poderia sofrer a pena de demissão das funções públicas.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{107}" paraid="1689423629" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Duran acrescenta que, após a instauração de processo ético-profissional, os órgãos de classe (CRM e CFM – Conselhos Regional e Federal de Medicina) podem aplicar penalidades, como suspensão ou cassação do registro profissional do médico.</span> </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{117}" paraid="1082878885" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O advogado criminalista Eugênio Malavasi, que também analisou o caso, destaca que o condenado teve bom comportamento </span>na prisão e alcançou as progressões de regime. </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{26ba6197-3ad1-4e90-bb84-c97de37607a5}{97}" paraid="632501441" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">“Ele fez vários cursos</span>. Ninguém leva uma pena, uma condenação, para sempre. É até injusto isso: a pessoa pode ter errado no passado, mas se ela não cometeu mais nenhum crime, tem a vida civil normalizada”, explica.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{127}" paraid="1652808141" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Sessão da Câmara</span></strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O vereador Marcos Caseiro, que também é médico no HGA, divulgou o caso no último dia 6, uma quinta-feira. </span>Na sessão na Câmara de Vereadores, ele afirmou que a presença do condenado na unidade pública de saúde "envergonha a cidade de Santos".</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{142}" paraid="624946611" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">"Não podemos ter pedófilos em nenhuma unidade pública da nossa cidade</span>. Estou fazendo um requerimento para saber exatamente quem mantém esse cara, chefe no Hospital Guilherme Álvaro". </p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{162}" paraid="85805463" xml:lang="PT-BR"><strong><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">O caso</span> </strong><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR"><strong>A Tribuna</strong> teve acesso ao processo. Segundo consta no documento, o chefe e médico do HGA foi condenado por atos libidinosos – antiga classificação do Código Penal para estupro – contra a neta da então companheira.</span></p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{177}" paraid="428959839" xml:lang="PT-BR"><span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Os crimes ocorreram durante seis anos, entre 1997 e 2003, em Barueri</span>, interior de São Paulo. O médico ingressou no HGA em 2007, por concurso público, foi condenado em 2009 a regime fechado, passando para o regime aberto em 2019, após ele ter bom comportamento no sistema penitenciário.</p> </div> <div style="clear:both;"> <p paraeid="{3263f064-01ad-4e11-b949-13be64465fee}{187}" paraid="528153134" xml:lang="PT-BR"><b>O hospital</b><br /> <span data-contrast="auto" xml:lang="PT-BR">Em nota, o </span>HGA esclareceu que o servidor foi contratado mediante concurso em 2007 e exerce suas atividades conforme as normativas vigentes. “Fatos alheios à sua atuação na instituição estão sob responsabilidade das autoridades competentes”, finalizou a unidade.</p> </div>