A médica Samira Mendes Khouri, de 27 anos, espancada pelo ex-namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia, de 24, voltou a morar com a mãe em Presidente Prudente, no interior do estado de São Paulo, onde nasceu, para se recuperar da violência sofrida. Ela ficou 12 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após o agressor quebrar vários ossos de sua face. Como consequência, metade de seu rosto também está paralisado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Samira e Pedro moravam em Santos, mas o caso ocorreu na madrugada de 14 de julho, em um apartamento alugado no Bairro Moema, em São Paulo, onde o casal comemorava o aniversário da médica. As agressões, que também resultaram na fratura de um dos ossos da mão de Pedro, duraram cerca de seis minutos. Depois de espancá-la, o agressor fugiu com o celular e o carro de Samira. Em São Paulo, policiais militares foram acionados após vizinhos ouvirem sons de briga e, ao chegarem ao local, encontraram a vítima caída no chão, inconsciente e ferida. Pedro foi preso horas depois do crime, na Avenida Presidente Wilson, no Bairro Gonzaga, em Santos. A Polícia Militar (PM) conseguiu rastreá-lo pelo sistema de monitoramento da cidade, a partir da placa do veículo. Ao g1 Presidente Prudente, a médica contou que está fazendo tratamento com cerca de dez especialistas em razão das agressões que sofreu. Entre os tratamentos estão fisioterapia ocular, facial e corporal. Além disso, é acompanhada por oftalmologista, terapeuta, psicólogo, psiquiatra e neurologista. “Minha mãe me leva em todos os médicos e consegue me ajudar bastante aqui em Presidente Prudente. Ainda não tenho nenhuma cirurgia marcada, porque precisa que dê 45 dias da primeira cirurgia que fiz”, disse Samira. Segundo ela, os médicos colocaram placas de titânio em sua arcada dentária, já que não foi possível inseri-las nos ossos da face por causa da deformação causada pelas agressões. Fingiu estar morta Em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, no dia 24 de setembro, Samira afirmou que fingiu estar morta enquanto era espancada porque temia pela vida: “Quando eu acordei (durante as agressões), ele (Pedro) ainda estava me batendo. Fingi que estava desmaiada. A primeira coisa que pensei foi: eu preciso ficar quieta, se ele fez tudo isso comigo achando que eu estava desmaiada, o que ele vai fazer se eu estiver acordada? Ele me deu uns 12 socos enquanto eu estava acordada. Enquanto ele me socava no rosto, eu sentia uma dor que não consigo nem explicar como é, como se alguém estivesse tirando a minha vida”, disse ao Fantástico. Segundo a vítima, após a violência, ela ouviu o fisiculturista pegar a chave do carro e ir embora. “Lembro de ter ficado com muito medo, porque não sabia se alguém viria. Ele tinha me deixado lá”. Samira foi espancada pelo ex-namorado e fisiculturista Pedro enquanto comemorava o aniversário em São Paulo (Reprodução/TV Globo e Reprodução) Motivação Samira contou que Pedro ficou muito nervoso e com ciúmes depois de irem a uma balada, horas antes do crime. “Chegamos lá e vimos que era uma balada gay. Fizemos amizade. Fiquei eu e mais três meninos, um casal e um amigo deles que era gay. Ficamos quase a balada inteira juntos. Quando o Pedro viu que eu estava conversando, ele ficou muito nervoso, agitado. Ficou exaltado, querendo brigar, e os seguranças tiraram o Pedro da balada”. Depois disso, vieram as agressões no apartamento alugado em Moema: “Ele chegou muito nervoso. Eu nunca tinha visto ele assim. Muito irritado. Na hora, fiquei com medo. Pedro me deu um soco, eu caí no chão e não lembro mais de nada. Ele nunca tinha sido agressivo. Era agressivo no sentido de bater no carro, na parede. Tinha ciúmes excessivos. Meu celular era todo dele, tinha a senha”, contou. Desfigurada Por conta das agressões, Samira teve o lado esquerdo do rosto paralisado e perdeu 50% da visão do olho atingido. Segundo ela, durante as agressões, Pedro quebrou todas as estruturas que sustentam seu globo ocular, além de vários ossos de sua face (como o nariz), principalmente do lado esquerdo. Por esse motivo, a médica precisou colocar placas de titânio. Recuperação Devido às agressões, a médica ficou 12 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal do Campo Limpo, em São Paulo. Depois, foi transferida para a Santa Casa de Santos e, quando já estava no quarto, contou que começou a se lembrar das agressões.