Samira ainda se recupera das agressões que foram cometidas pelo ex-namorado, Pedro Camilo Garcia (Reprodução/ Instagram e Matheus Croce/ TV Tribuna) Samira Mendes Khouri, a médica de 27 anos de Santos que foi brutalmente espancada pelo fisiculturista e ex-namorado Pedro Camilo Garcia, de 24, no dia do seu aniversário, tem vivido com medo desde o dia da agressão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Tenho muito medo dele. Quando começo a pensar, começa a me dar ansiedade. Não consigo mais dormir sozinha, preciso dormir com a minha mãe, porque às vezes sonho que ele está me procurando ou que já está aqui. Acordo gritando, tenho crises de pânico e não consigo ficar sozinha. Sempre preciso de alguém comigo”, contou a médica para A Tribuna nesta segunda-feira (22). Apesar das sequelas, Samira pretende retomar o trabalho quando conseguir se recuperar. Porém, atualmente, sua rotina se limita aos tratamentos que faz em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, onde está vivendo com a mãe, que a acompanha. “Minha vida hoje é basicamente médico todo dia e fisioterapia para tentar recuperar. Meu lado esquerdo ainda está completamente paralisado. Preciso de acompanhamento com bucomaxilo e oftalmologista, porque meu olho ainda não voltou ao normal”. Segundo a médica, a recuperação tem sido difícil devido ao sangramento no cerebelo, área do cérebro responsável pelo equilíbrio, coordenação motora e tônus muscular. Por isso, ela ainda sofre desequilíbrios. Acompanhamento de 10 especialistas Hoje, ela é acompanhada por cerca de 10 especialistas, entre eles oftalmologista, psicólogo, psiquiatra, neurologista e terapeuta. Os médicos também colocaram placas de titânio em sua arcada dentária, já que não foi possível inseri-las nos ossos da face devido à deformação causada pelas agressões. Dependendo da recuperação, Samira pode ou não passar por uma nova cirurgia. Agressão A agressão aconteceu na madrugada de 14 de julho, em um apartamento alugado no bairro Moema, em São Paulo, onde o então casal comemorava o aniversário da médica. Samira sofreu múltiplas fraturas na face, ficou com parte do rosto paralisado e apresentou sangramento no cerebelo. As agressões duraram cerca de seis minutos e também resultaram na fratura de um osso da mão de Pedro. Após espancá-la, ele fugiu levando o celular e o carro da médica, mas foi preso horas depois, na Avenida Presidente Wilson, no bairro Gonzaga, em Santos. A Polícia Militar (PM) conseguiu localizá-lo pelo sistema de monitoramento da cidade, a partir da placa do veículo. Antes da agressão Samira relembra que, dois dias antes da agressão que sofreu, Pedro disse que tinha uma surpresa e que a levaria para São Paulo. Por conta disso, eles alugaram um Airbnb e combinaram de um ir a uma festa. Segundo a médica, Pedro começou a ficar nervoso na balada, por ciúmes de um rapaz que estava no local. De acordo com Samira, era uma balada LGBTQIA+ e o rapaz era homossexual. Entretanto, segundo a médica, Pedro não acreditou e achou que ela estava mentindo. “(Pedro) Quis brigar com ele e acabou expulso pelos seguranças. Depois, amigos que havíamos conhecido vieram me avisar que ele estava muito nervoso do lado de fora, me xingando. Com medo, saímos pelos fundos da festa e fui para casa. Cerca de meia hora depois, ele chegou muito alterado, me xingando e começou a me agredir. Nunca o tinha visto daquela forma, com tanta violência”. Samira explicou que Pedro já demonstrava comportamento agressivo em situações de ciúmes, mas nunca diretamente contra ela. “Ele sempre foi agressivo com os outros. Se alguém me olhasse, ele queria partir para cima. Já tivemos que sair de lugares por causa disso. Mas nunca tinha sido diretamente comigo. Estávamos juntos há dois anos, e desde o início, ele tinha esse temperamento. Eu achava que era só irritado com os outros, mas não imaginei que fosse direcionar essa violência para mim”. Justiça Samira afirmou que espera que Pedro pague pelo que fez e que a Justiça seja cumprida. "Meu maior sonho é que ele realmente pague pelo que fez, pois tentou me matar. Eu vi os vídeos de quando saí para o hospital, lá no Airbnb, e parecia uma morta-viva. Para alguém deixar outra pessoa nesse estado, isso foi, de fato, uma tentativa de homicídio. Também espero que a maioria das mulheres perceba que comportamentos que eu antes considerava normais, como raiva excessiva e ciúmes, na verdade não são normais. Muitas vezes, esses sinais são um grande aviso de que a pessoa não é saudável".