Mãe de acusado de matar fiscal de rendas comparece a reconstituição, mas evita falar

Advogada Luciana Mauá Marnoto é investigada no caso na condição de suposta mandante do crime em Santos

Por: Eduardo Velozo Fuccia  -  31/01/20  -  08:13
Luciana estava em um carro na Rua Delfim Moreira, mas evitou falar e foi embora em seguida
Luciana estava em um carro na Rua Delfim Moreira, mas evitou falar e foi embora em seguida   Foto: Divulgação

A advogada Luciana Mauá Marnoto compareceu à residência onde o fiscal de rendas Sérgio Armando Gomes Ferreira, de 56 anos, foi morto em novembro do ano passado. Ex-companheira da vítima, ela estava em um carro, mas preferiu não falar com ninguém. O filho dela, Guilherme, de 18 anos, é um dos acusados do crime. Na quinta-feira (30), a Polícia Civil e o Instituto de Criminalística (IC) fizeram a reconstituição do caso com a presença dos acusados.


Sem querer ser notada, Luciana chegou de carro à Rua Delfim Moreira pouco antes de começar a reconstituição. Acompanhada de outra mulher, a mãe do autor confesso Guilherme estacionou o veículo a cerca de 50 metros da casa onde ocorreu o homicídio e permaneceu dentro dele.


A Reportagem de A Tribuna se aproximou do carro, pela janela da motorista, que estava aberta, e tentou conversar com Luciana. A advogada, porém, não quis falar, ligou o carro e foi embora. Até o término da reconstituição, que durou menos de uma hora, ela não retornou para aquela quadra da Delfim Moreira.


Um tio de Gabriel se posicionou na frente do imóvel onde aconteceu o assassinato e só foi embora após terminar a reprodução simulada dos fatos. Sob a condição de ter o nome mantido em sigilo, ele conversou com A Tribuna. “Ao vir até aqui, o meu sobrinho foi colocado em uma arapuca. Ele é completamente inocente”.


Sigilo do inquérito


Advogados Armando de Mattos Júnior e Marco Magalhães
Advogados Armando de Mattos Júnior e Marco Magalhães   Foto: Matheus Tagé/AT

Os advogados Armando de Mattos Júnior e Marco Magalhães não informaram detalhes da reconstituição, porque a Justiça decretou o sigilo do inquérito policial. Apenas disseram que Guilherme e Gabriel reproduziram o que teria acontecido dentro da casa, no dia do crime, conforme a versão de cada um.


Desse modo, foram produzidas duas “dinâmicas” dos fatos, explicaram os advogados. Um acusado não presenciou a reconstituição do outro. Magalhães disse que Guilherme está “colaborando com as investigações”, eximindo a participação da mãe e do segundo rapaz. Gabriel nega o crime, declarou Mattos.


Investigação no fim


Delegado Renato Mazagão conduziu a reconstituição no Embaré, em Santos
Delegado Renato Mazagão conduziu a reconstituição no Embaré, em Santos   Foto: Matheus Tagé/AT

O delegado Renato Mazagão afirmou ser a reconstituição a diligência que faltava. Agora, é necessário apenas que os laudos dela e de outras perícias sejam concluídos e juntados ao inquérito.


Sobre as perícias solicitadas pela Polícia Civil a outros órgãos oficiais, nada é antecipado, porque violaria o sigilo e frustraria o êxito das investigações.


Na metade de fevereiro, vence o segundo e último prazo das temporárias de Guilherme e Gabriel. Antes, Mazagão quer concluir o inquérito e remetê-lo à Justiça. Nesta oportunidade, conforme o desenho revelado com a montagem do quebra-cabeça, ele pedirá ou não a prisão preventiva dos três investigados.


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