Ruan morreu após ser baleado na cabeça e perder o controle da motocicleta que pilotava, batendo em um carro estacionado no bairro Paecara, em Guarujá (Arquivo pessoal) Um ano após a morte de Ruan Corrêa Arruda da Silva, de 22 anos, baleado na cabeça por um policial militar durante perseguição em Guarujá, no litoral de São Paulo, a mãe do jovem afirma que segue lutando por justiça. O caso completou um ano nesta sexta-feira (6), e o policial responsável pelo disparo responde ao processo em liberdade. A audiência de instrução está marcada para o próximo dia 24. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Esse ano foi muito difícil, eu posso te dizer que nunca imaginei na vida que eu passaria por isso. A dor e a saudade estão presentes todos os dias, não tem um dia que seja menos”, afirmou a cabeleireira Juliana Corrêa Arruda Felipe, de 39 anos, em entrevista ao g1 Santos e Região. Segundo a mãe, as madrugadas têm sido especialmente difíceis. “A maioria das madrugadas são longas, principalmente desses últimos dias”. Ruan morreu após ser baleado na cabeça e perder o controle da motocicleta que pilotava, batendo em um carro estacionado no bairro Paecara. Uma câmera de monitoramento registrou o momento da colisão. O caso ocorreu um dia antes do encerramento da Operação Verão de 2025. Revoltada com a morte de Ruan, a família chegou a comparecer à cerimônia de encerramento da operação e fez um apelo direto ao governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O policial militar envolvido na morte alegou que a arma disparou “acidentalmente” fora da viatura. Apesar disso, ele responde por homicídio. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a audiência de instrução — que vai definir se o agente será levado ou não a júri popular — está marcada para 24 de fevereiro. “Todo dia eu choro. Fico revivendo aquele dia o tempo todo, o ano inteiro. Eu fecho o olho, vejo o meu filho morto e são dias difíceis”, desabafou Juliana ao g1, dizendo ainda esperar que o policial seja preso. Legado interrompido De acordo com a mãe, Ruan era trabalhador e tinha o sonho de comprar uma casa para a avó. Durante o dia, atuava como auxiliar de campo e, à noite, trabalhava como motoboy freelancer. “Ele era muito independente, regrado e responsável com horário”, contou Juliana. O jovem também era descrito como engraçado e brincalhão. Ruan era o mais velho de quatro irmãos e considerado protetor da família. Apaixonado por futebol e videogame, tinha na motocicleta sua maior paixão. “Se olhar a fatura do cartão de crédito, era só apetrechos para a moto dele”, lembrou a mãe. Relembre o caso Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares flagraram motociclistas fazendo manobras na madrugada de 6 de fevereiro do ano passado, no bairro Paecara, em Guarujá. Ainda de acordo com o registro, os suspeitos fugiram e Ruan passou a ser acompanhado por uma equipe da PM. Ao entrar em uma rua, o policial afirmou que a arma disparou “acidentalmente”. Ruan, que usava capacete, acabou colidindo com um carro estacionado e caiu. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o jovem morreu após ser levado ao Hospital Santo Amaro. O corpo apresentava um ferimento na têmpora esquerda. O boletim foi posteriormente atualizado para incluir o crime de homicídio, e o policial segue sendo investigado pela morte.