Mãe de ex-aluno encarou professora e deu um soco no rosta dela em um dos entornos da unidade de ensino (Reprodução) A mãe de um ex-aluno que agrediu uma professora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Antônio Pacífico, em São Vicente, com um soco no rosto afirmou que a ação foi motivada por uma série de desentendimentos entre ela e a docente. Segundo a mulher, a professora destratou o garoto diversas vezes e chegou a proibi-lo de entrar na escola. Quando eu entrei e dei bom dia, ela falou: ‘Tira esse moleque daqui de dentro agora. Dentro da escola que eu dou aula, ele não estuda’”, diz a mãe. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mulher, que preferiu não ser identificada, confirmou que a relação entre ela e a ex-professora do filho começou a ficar conturbada no início de setembro, logo após o feriado da Independência do Brasil. A Tribuna teve acesso a três boletins de ocorrência registrados pela professora contra a mãe do ex-aluno, que confirmam o histórico turbulento entre as duas. Ainda conforme a mãe da criança, ela procurou a Secretaria de Educação (Seduc) de São Vicente para reclamar da professora pelo menos duas vezes antes da agressão que ocorreu na segunda-feira (30). Além do episódio em que o filho, um menino de 6 anos, ficou fora da escola, ela postou um vídeo da criança nas redes sociais onde o garoto diz que “ela [a professora] gritou tanto em mim que senti o cuspe dela na minha cara”. Mensagem não respondida Em entrevista para A Tribuna, a mulher confirmou que a primeira briga entre ela e a professora começou por uma mensagem não respondida pela docente e contou mais detalhes sobre o ocorrido. Segundo ela, tudo teve início próximo ao feriado da Independência. A criança passou mal antes do recesso e a docente havia informado de que não iria dar aula na segunda-feira (9), por conta de um compromisso médico. A mensagem enviada à professora seria para confirmar essa informação. Ao não receber resposta da professora, a mãe entrou em contato com a secretaria do colégio e soube que haveria aula normalmente. A professora, no entanto, não teria gostado de ser incomodada no feriado e atacou verbalmente a mulher quando ela foi deixar o filho na escola. “Ela fez o maior escândalo dentro do colégio, [dizendo]: ‘Se você quiser saber informação, você vai à secretaria, eu não sou obrigada. Mãe preguiçosa como você tem que ir na secretaria’”. A mulher acrescenta que, depois da briga, voltou para casa, pegou os documentos e foi falar com a diretora da escola. A diretoria convocou uma reunião para que a docente e a mãe tentassem se entender, mas, segundo a mãe, a professora manteve a postura agressiva, o que fez com que a diretora orientasse a mulher a procurar a Seduc. A solução encontrada foi transferir o garoto de sala. ‘Tira esse moleque daqui’ No dia seguinte ao episódio da mensagem, o estudante teria sido impedido de entrar na escola pela professora, mesmo tendo sido transferido para outra sala. Era o dia 10 de setembro, mesma data do primeiro boletim de ocorrência da docente contra a mãe do ex-aluno. A professora registrou uma queixa na delegacia eletrônica por ameaça, relatando que estava ministrando uma aula quando a mulher foi até a escola para xingá-la e tentar agredi-la, dizendo que iria matá-la. Segundo a mãe, o episódio aconteceu logo após a docente ter impedido a entrada da criança na escola. Ela ia expulsar o meu filho e eu ia ficar como?”, questiona a mãe. O segundo boletim de ocorrência registrado pela professora é do dia 25 de setembro, uma quarta-feira, que diz que a mãe começou a xingá-la com palavras de baixo calão e esbarrou no braço dela para provocá-la. A transferência do menino da escola foi neste dia. Segundo a mãe, não foi ela quem começou a briga. “É o mesmo corredor que a gente entra e sai, ele estava cheio de pais. Ela esbarrou em mim com tanta força, dizendo ‘vai, vai, vai, passa pra lá’. Eu falei: ‘Não, eu vou passar aqui, porque só tem esse corredor. É você respeitar o meu espaço e eu respeitar o seu’”, diz. As duas trocaram ofensas. “Ela também xingou. Só porque ela é professora, ela não tem a parte dela de errado? Ela também fez as coisas e eu também fui procurar todos os meios, só não fui à delegacia porque eu não sabia como ela ia reagir. Pensei: ‘Se ela não der parte de mim, eu não dou parte dela’”. Após o episódio, houve uma nova reunião entre as duas para tentar solucionar o impasse. A mãe, que alegou estar nervosa, assinou um relatório que, na verdade, era a transferência do garoto. Eu fiquei sabendo disso depois, porque a diretora veio falar comigo e com o pai dele lá na Seduc. Eu bati de frente e falei: ‘Se ela não vai sair do colégio, ele também não tem que sair”, diz. “Estão pensando só no emocional dela. E o emocional do meu filho? Como que fica nessa situação de ser transferido de uma sala para outra, de um colégio para outro, ficar pulando de galho em galho?”, questiona. ‘Foi uma reação’ No dia 30 de setembro, câmeras de segurança flagraram o momento em que a mãe do ex-aluno agride a professora. O caso aconteceu entre a Rua Anadir Dias de Carvalho e a Avenida Salgado Filho, no bairro Jóquei Clube. O registro mostra uma mulher de camiseta listrada preta e branca. Ela chega em frente à professora, que está usando uma roupa de tom vermelho, e lhe desfere um soco violentamente. Nessa ocorrência, houve a vandalização de carros com tinta spray, sendo um dos veículos o da professora. A mãe nega veementemente que tenha sido ela a responsável, e explica que foi até o local porque tinha ocorrido um acidente naquela esquina e ela, com outras testemunhas, estariam ainda comentando a pichação dos carros quando a professora chegou. “Vieram todas as professoras, e ela estava junto. Eu perguntei ‘Tia, lembra de mim?’, porque eu queria ter uma conversa saudável com ela para a gente parar com isso e ela deixar meu filho estudar. E eu, se possível, nem ia mais entrar no colégio, ia pagar uma pessoa para levar e buscar meu filho. Mas ela começou a gritar comigo”, relata a mulher. Segundo ela, antes da agressão, a professora a acompanhou enquanto ela tentou ir embora e em determinada hora pegou em seu braço, e isso teria sido o motivo da briga física. Foi tipo uma reação. Eu nem queria fazer isso com ela”, afirma. “Eu peguei com a outra mão e a empurrei. Se eu quisesse mesmo bater nela, eu tinha dado continuidade”. O que diz a Prefeitura? A Tribuna entrou em contato com a Seduc de São Vicente para checar as queixas registradas pela mãe do ex-aluno e pedir um novo posicionamento da secretaria. Em nota, a Administração Municipal informou que foi realizada uma reunião para apurar o desentendimento entre mãe e professora ainda em setembro. A supervisora esteve na unidade e recomendou a transferência de sala. A mãe, embora tenha dito gostar da parte pedagógica envolvendo a professora, aceitou, entendendo que seria o melhor caminho para o aprendizado do filho. Diante disso, a criança passou a integrar uma nova classe. “Posteriormente, houve um novo inconveniente, no qual a mãe 'esbarrou' na professora no corredor da escola e pediu a transferência do aluno para uma nova unidade (documento assinado pela mesma). No entanto, no dia seguinte, ela desistiu e foi convocada na Seduc, pois como a criança havia sido transferida a pedido dela deveria frequentar a outra unidade. Os atos foram documentados e assinados por todas as partes”, diz a nota da Seduc. A Prefeitura ressaltou seu compromisso em buscar proporcionar as melhores condições estruturais e profissionais possíveis em prol do ensino dos alunos e reiterou seu repúdio a qualquer ato de violência física e/ou psicológica.