Ladrão leva celular por engano e polícia elucida roubo a prédio de luxo em Santos

O edifício fica no Gonzaga. Suspeito pegou o telefone do porteiro pensando que era o seu e possibilitou a identificação de quatro integrantes da quadrilha

Uma quadrilha que invadiu um edifício de luxo no Gonzaga para assaltá-lo fez tudo certo na fase de planejamento. Porém, ela falhou na etapa de execução e ainda esqueceu um celular no prédio. Resultado: além de o delito não se consumar, policiais civis já prenderam três integrantes do bando e identificaram um quarto. O envolvimento de um quinto marginal é certo, não sendo descartada a participação de outros.

“Um dos ladrões fez uma trapalhada. Na fuga, ele se desesperou e deixou o seu celular na portaria, levando por engano o do porteiro”, disse o chefe dos investigadores do 7º DP de Santos, Marcelo Mendes. A equipe chefiada pelo delegado Jorge Álvaro Gonçalves Cruz apurou que este aparelho pertence a Erivan da Silva Moura, o Lelinho. Ele foi reconhecido fotograficamente como um dos três ladrões que invadiram o prédio.

Localizado na Rua Azevedo Sodré, 96, o Golden Tower Residence foi alvo de tentativa de roubo na noite de 24 de abril. Os criminosos já haviam trocado entre si fotografias do prédio e planejaram a divisão de tarefas para o sucesso da empreitada criminosa. Eles até definiram os dois apartamentos que roubariam, apurando inclusive os nomes de seus moradores. Porém, a execução falhou e o resultado pretendido não foi atingido.

Portando armas de fogo, três homens entraram no condomínio e renderam o porteiro. Em seguida, Lelinho ficou na portaria, enquanto os comparsas subiram com o funcionário pelo elevador de serviço até os apartamentos previamente escolhidos. A portas de nenhuma das unidades foram abertas e o marginal que permaneceu no térreo se assustou com a chegada inesperada de um morador.

Lelinho fugiu levando o celular errado e os parceiros escaparam em seguida. Um desses comparsas vestia camiseta azul, usava máscara cirúrgica e carregava nas costas uma caixa de transportes de alimentos vermelha com o logotipo do iFood. Ele foi identificado como Thiago de Barros Souza. As investigações prosseguem para descobrir quem é o terceiro ladrão, embora já se tenha pistas de quem seja.

Erivan da Silva Moura, o Lelinho, deixou celular no edifício por engano (Foto: Reprodução)

Sigilo telefônico

O sigilo telefônico do celular de Lelinho foi quebrado com autorização judicial. Esse acusado enviou fotos do edifício do Gonzaga para um contato salvo na agenda do seu aparelho como “Amigo”. A interceptação das mensagens também revelou que esses homens combinaram um encontro na Rua Amador Bueno, no Centro, para praticar o roubo ao prédio.

A Justiça autorizou a quebra do sigilo do celular de Amigo, identificando-o como sendo o taxista Cláudio Barbosa Batista. O motorista negou participação no roubo, mas confessou que levou Lelinho, Thiago Souza e um terceiro homem até o edifício do Gonzaga. No celular de Cláudio havia “ligações suspeitas”, de acordo com os investigadores, que resultaram em mais quebras de sigilo telefônico.

O quarto identificado foi Thiago Lopes de Oliveira. O geolocalizador de seu aparelho indica que ele permaneceu nas imediações do Golden Tower durante a ação criminosa. No mesmo período, ele realizou 25 ligações para o celular do comparsa Thiago Souza, que agiu disfarçado de entregador de alimentos. A pedido da Polícia Civil, a 1ª Vara Criminal de Santos decretou as prisões temporárias dos quatro acusados.

Com exceção de Lelinho, que teria escapado para outro Estado e permanece foragido, os demais acusados foram capturados. Inicialmente, sem registro de incidentes, foram presos Thiago de Oliveira e Cláudio. O mesmo não se pode dizer da detenção de Thiago Souza, marcada pelo tumulto. Ao pressenti-la, ele empurrou um policial e correu, derrubando no chão uma idosa de 82 anos que estava em um ponto de ônibus.

A confusão ocorreu em frente ao prédio de Thiago Souza, na Avenida Ana Costa, Vila Mathias. Levada de ambulância a um hospital, a idosa já recebeu alta. O agente empurrado lesionou joelho, cotovelo e pulso esquerdos, mas os seus colegas capturaram o marginal. Participam das investigações os policiais Anderson Duclos, Milton Corrêa, Marcelo Cunha, Rogério Oliveira, Julian Uemura e Ricardo Cáceres. 

Tentativa de roubo ao Golden Tower Residence ocorreu em 24 de abril (Foto: Matheus Tagé/AT)
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