Parente próxima do jovem — que pediu para não ser identificada — afirmou que ele não estava armado, não tinha envolvimento com o tráfico e foi atingido mesmo após se render (Arquivo pessoal) A família do homem baleado durante operação do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), no domingo (8), no bairro Rádio Clube, em Santos, contesta a versão apresentada pelos agentes e pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em entrevista para A Tribuna, uma parente próxima do jovem — que teve a identidade preservada — afirmou que ele não estava armado, não tinha envolvimento com o tráfico e foi atingido mesmo após se render. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Polícia Militar, agentes acessaram um beco entre as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Hugo Maia, onde teriam sido recebidos a tiros por homens armados. Durante a perseguição, três homens, de 21, 38 e 41 anos, e um adolescente de 17 anos foram detidos. Um dos envolvidos foi baleado após, segundo a polícia, apontar uma arma para os agentes. Ainda de acordo com a corporação, drogas e uma arma de fogo foram apreendidas. A versão é refutada por familiares do homem atingido. De acordo com a parente, ele tem 21 anos, trabalha em dois empregos e ajudava o padrasto a reformar um barraco quando a polícia chegou. “Eles já chegaram atirando. Ele levantou as mãos, mas, mesmo assim, atiraram. Ele é trabalhador desde os 15 anos”, afirma a parente. Ela também relata que a operação não teria sido pontual, mas parte de uma rotina de ações agressivas na comunidade. “Eles entram todos os dias na favela, atirando, sem querer saber quem é quem. Havia criança, idoso, todo mundo correu. Mas quem mora na favela é sempre tratado como bandido”, completa. Ainda segundo a parente, o jovem foi baleado no abdômen e a bala saiu pela perna. Ele está internado no Hospital do Vicentino, com risco de perder a perna. De acordo com a mulher, moradores tentaram se aproximar para prestar socorro, mas foram impedidos pelos policiais. “Ficamos mais de uma hora esperando para conseguir ajudar. A médica disse que o tiro foi a queima-roupa”, conta. Boletim de ocorrência A mulher também afirma que tentou registrar um boletim de ocorrência contra os policiais, mas não conseguiu. “A gente foi na delegacia e não quiseram registrar. É por isso que estamos usando as redes sociais pra ter voz. A polícia tem a versão dela, mas ele não pode se defender. Está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”. A parente gravou um vídeo onde mostra o jovem no chão e os policiais em volta dele. A população entrou no rio e foi em direção de onde está o homem. Pessoas gritaram para que ele respondesse e acusaram os policiais de atirarem em trabalhador. (Veja o vídeo) -Veja o vídeo (1.465517) A SSP, por meio de nota, afirmou que o caso mencionado foi investigado no 5º DP de Santos. Segundo a pasta, três homens, de 21, 38 e 41 anos, foram presos em flagrante, e um adolescente, de 17, apreendido. A secretaria disse que o inquérito policial foi relatado para apreciação da Justiça na terça-feira (10). A Polícia Civil esclareceu que todos os procedimentos adotados seguiram estritamente o disposto no Código de Processo Penal. Por fim, afirmou que demais questionamentos devem ser encaminhados ao Poder Judiciário. A Tribuna entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), que, por meio de nota, afirmou que não pode emitir posicionamento sobre questões jurisdicionais ou que possam vir a ser tratadas nos autos.