Karen de Moura Tanaka Mori é investigada por ter lavado milhões de reais para o PCC na Baixada Santista (Reprodução e Alexsander Ferraz/ A Tribuna) A defesa de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa” e associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), solicitou à Justiça a retirada da tornozeleira eletrônica. Segundo os advogados, o dispositivo, utilizado há quase dois anos, teria se transformado em um “instrumento de punição e tortura psicológica”. O pedido foi negado por um juiz na segunda-feira (19), após manifestação contrária do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A “Japa do PCC” foi presa em fevereiro de 2024 portando mais de R\$ 1 milhão e US\$ 50 mil. Investigada por associação criminosa e lavagem de dinheiro, ela teve a prisão convertida em domiciliar em razão do filho. Posteriormente, a prisão foi revogada, mas foram impostas medidas cautelares, entre elas o uso da tornozeleira eletrônica. Durante o anúncio da prisão, o então delegado-geral de São Paulo, Artur José Dian, informou que as investigações tiveram início em junho de 2023 e apontavam Karen como uma das principais responsáveis pela lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas para o PCC na Baixada Santista. “Ela fazia a lavagem de dinheiro por meio de diversas empresas de ‘laranjas’. Pegava esse dinheiro e o fazia circular. Os relatórios de informações financeiras apontam movimentações de milhões de reais”, explicou o delegado, em 2024. De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), uma empresa criada por Karen movimentou mais de R\$ 35 milhões. Pedido da defesa A Tribuna teve acesso ao pedido da defesa e à decisão judicial. No requerimento apresentado no último dia 6, os advogados sustentaram que a investigada "sempre esteve à disposição da Justiça e que jamais descumpriu qualquer determinação durante o período de monitoramento eletrônico". A defesa também argumentou que, mesmo após o encerramento do inquérito, novas investigações foram abertas, "o que teria prolongado indevidamente o uso da tornozeleira", destacando que Karen ainda não foi denunciada formalmente. “A manutenção dessa medida nessas condições, além de violenta e degradante, tem causado danos irreparáveis à vida pessoal, emocional e profissional da investigada, que tenta reconstruir sua rotina dentro dos limites impostos pela Justiça”. Os defensores ressaltaram ainda que o tempo de monitoramento já ultrapassa mais da metade da pena mínima prevista para o crime de lavagem de dinheiro, que é de três anos. “O uso indiscriminado e falho da tornozeleira transformou-se em verdadeiro instrumento de punição e tortura psicológica, restringindo a liberdade de forma mais severa do que o necessário e aniquilando qualquer chance de retomada digna de sua vida, em manifesta afronta aos princípios da proporcionalidade, da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana”. Pedido recusado Na segunda-feira (19), o juiz da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Capital, Tiago Ducatti Lino Machado, indeferiu a solicitação da defesa de Karen. Segundo o magistrado, o pedido não tem acolhimento, pois, conforme assinalado pelo MP-SP em manifestação anterior, não houve alteração nas condições que fundamentaram a imposição das medidas cautelares. Dessa forma, não há justificativa para a revogação das medidas “por mera conveniência da parte investigada por lavagem de dinheiro de elevada monta, bem como por associação criminosa”. O juiz acrescentou ainda que a medida é proporcional e adequada ao caso. “Inalterados os contextos fático e probatório dos autos e inexistindo qualquer fato novo que autorize sua supressão, indefiro o pedido”. A Tribuna não conseguiu localizar o contato da defesa de Karen, mas o espaço segue aberto para manifestações.